Previna-se contra o HPV

Conheça as formas de contágio do vírus, como prevenir e tratar essa doença
Por Redação
Simbolo Imagens
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Por Bruna Machado

Fonte: Revista Vitta, ed. 05.

A contaminação pelo vírus do HPV (papilomavírus humano) pode provocar o surgimento de lesões genitais de alto risco, inclusive câncer. Entrevistamos a ginecologista Rosa Maria Neme, diretora do Centro de Endometriose (SP). Aprenda as formas de contágio, como prevenir e tratar essa doença!

O que acontece após a infecção? Os sintomas sempre aparecem?

Na maioria das vezes, a infecção é assintomática. Nem sempre os sintomas aparecem naquele momento. O vírus pode fi car incubado e aparecer muitos anos depois. Os sintomas dependem do tipo de HPV que infecta a mulher. As manifestações mais comuns na região genital são as verrugas genitais ou condilomas acuminados, conhecidas como "crista de galo".

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Outras pacientes com lesões subclínicas podem não apresentar sintomas, apenas manifestações discretas como corrimentos de repetição, por exemplo. No caso dos tipos de alto risco, o HPV pode levar ao câncer de colo de útero ou antes disso, lesões precursoras do câncer.

Como isso acontece?

O HPV provoca alterações estruturais no material genético da célula do colo do útero e da vulva e com isso causa uma alteração genética chamada atipia, que transforma a célula normal em uma célula com potencial de malignidade.

Como é feito o diagnóstico? Quais são os exames solicitados?

As verrugas genitais podem ser encontradas no ânus, no pênis, na vulva ou vagina e podem ser vistas através de exame urológico (peniscopia) ou ginecológico (colposcopia e vulvocospia). Já o diagnóstico de suspeita pode ser feito através do exame citológico (exame preventivo de Papanicolau). O diagnóstico defi nitivo é realizado através de exames laboratoriais de diagnóstico molecular, como o teste de captura híbrida e o PCR e biópsia da região suspeita.

Como é feito o tratamento?

Nos casos das verrugas, os tratamentos são realizados através de aplicações de ácidos no local, uso de laser ou ainda a retirada cirúrgica. Em alguns casos de HPV em colo de útero, pode ser realizada a cauterização do local. A duração do tratamento depende do processo e da recidiva da doença.

Por que as mulheres são mais vulneráveis ao HPV?

Em geral, essa vulnerabilidade deve-se por apresentarem variações tanto do ciclo hormonal quanto da imunidade ao longo do mês, diferentemente dos homens.

Existe cura para o HPV?

Não existe cura, mas existe a prevenção. Hoje em dia, ela é feita com a vacina (desde que não tenha havido contato prévio), com o uso de preservativos em todas as relações sexuais durante todo o tempo ou através de exames de rotina semestrais, com a coleta do Papanicolau, colposcopia e vulvoscopia.

Como funciona a vacina contra o HPV?

A vacina foi criada com o objetivo de prevenir essa infecção e, assim, reduzir o número de pacientes que venham a desenvolver câncer de colo de útero. Foram desenvolvidas duas vacinas contra os tipos mais presentes no câncer de colo de útero (HPV-16 e HPV-18). Uma delas é quadrivalente, ou seja, previne contra os tipos 16 e 18, presentes em 70% dos casos de câncer de colo de útero, e contra os tipos 6 e 11, presentes em 90% dos casos de verrugas.

A vacina funciona estimulando a produção de anticorpos específi cos para cada tipo de HPV. Mas, a proteção contra a infecção vai depender da quantidade de anticorpos produzidos pelo indivíduo vacinado, a presença destes anticorpos no local da infecção e a sua persistência durante um longo período de tempo. Ela pode ser tomada no Brasil e é administrada em três doses. Estudos atuais estimam o tempo de proteção em oito anos e meio e sugerem que seja aplicada em meninas a partir dos nove anos de idade.

A vacina está disponível na rede pública de saúde?

Infelizmente ainda não.

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