O lado bom de ter uma vida simples

Sou chão, terra, vasos e plantas. Não a simplicidade da pobreza, da falta (isso não é simplicidade e está mais pra orgulho). Mas de poder ser mais simples, com tudo – Por Andrea Pavlovitsch  Por Andrea Pavlovitsch*   “De que me adianta, viver na cidade, se a felicidade não me acompanhar…”     Estava eu andando hoje na loja Etna (para quem [...]
Por Redação

Sou chão, terra, vasos e plantas. Não a simplicidade da pobreza, da falta (isso não é simplicidade e está mais pra orgulho). Mas de poder ser mais simples, com tudo -

Por Andrea Pavlovitsch 

Por Andrea Pavlovitsch*

 

“De que me adianta, viver na cidade, se a felicidade não me acompanhar...”

 

 

Estava eu andando hoje na loja Etna (para quem não conhece, é uma mega loja de decoração, com quilômetros e quilômetros de ambientes decorados e até apartamentos inteiros), vendo os produtos em liquidação e as coisas que, um dia, eu quero ter na minha casa. Era tudo tão lindo que eu mudava de opinião sobre a decoração da minha futura sala de estar a cada esquina que eu dobrava. Sofás, cortinas, mantas, camas, tudo tão fofo e aconchegante. Que delícia!

Percebi que eu passava reto pelos ambientes retos. Sabe, reto? Não sei se vou me fazer entender, aquelas coisas muitos cheias de ângulos e frios. Ambientes frios, em tons de branco gelo ou preto fosco e brilhante. Passava porque não sentia, sei lá, uma coisa gostosa, fofinha. Parei e fiquei babando num ambiente mais simples: um grande sofá creme, confortável. Um banco com almofadas do tipo futon vermelhas e pufes fofos e macios espalhados pelo ambiente. A decoração ficava por conta de estátuas de Buda, Krishna e outros “personagens” da mitologia indiana. Parei. E me encontrei.

É interessante como o nosso espírito, simplesmente gosta. É engraçado o gostar de alguma coisa, ou de alguma pessoa. Às vezes aquela pessoa é até meio antipática com todo mundo, mas, não sei, tem uma coisa nela, boa, que eu gosto. Com os móveis foi assim. Eu entrei naquele ambiente, remetendo a coisas antigas, e me encontrei tão eu. Era um lugar para mim, tinha uma coisa de mim lá, mesmo que não tenha sido eu quem decorou. Pois é, este é o nosso espírito.

Eu moro no 11° andar de um bom prédio de apartamentos. Bom, moderno (está bem, o síndico deixou a desejar por anos e nem gerador tem no prédio) e alto. O sonho de consumo de algumas pessoas, talvez da maioria delas. Mas quando eu vejo uma casinha, destas pequenas e simples, com uma varandinha e um jardim, ai como eu gosto! Ai como eu queria morar numa casinha bem decorada, com almofadas fofas, com estátuas de deuses. Como eu queria a simplicidade de sair de casa e já estar com o pé na rua, de ir à padaria comprar pão.

 

 

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