Bebê que nasce de cesárea tem mais chance de ter doença que dá diarreia e anemia

Uma pesquisa publicada na Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos da América indica que bebês que nascem via cesárea têm mais chance de desenvolver a doença celíaca – que afeta intestino delgado provocando diarreia e dificuldade de absorver os nutrientes dos alimentos.

Conforme o estudo, nas últimas décadas as taxas de nascimento via cesárea e de nascimento prematuro aumentaram, ao mesmo tempo em que a prevalência de doença celíaca dobrou.

Entenda o estudo

Os participantes do estudo consistiram em 11.749 descendentes com doença celíaca verificada por meio de laudos histopatológicos dos 28 departamentos de patologia da Suécia e 53.887 controles pareados por idade e sexo do grupo geral. A pesquisa concluiu que a associação positiva com cesariana eletiva, mas não de emergência, é consistente com a hipótese de que a flora bacteriana do recém-nascido desempenha um papel no desenvolvimento da doença celíaca.

Microbiota e o sistema imunológico

Ocorre que, quando o bebê nasce por parto vaginal, ele entra rapidamente em contato com a microbiota (ou flora intestinal) materna no canal vaginal. Nesse processo, o bebê vai deglutir, aspirar e entrar em contato com bactérias importantes para o funcionamento do seu organismo, tendo em vista que a microbiota materna possui bactérias promotoras da saúde.

Em contrapartida, ao nascer via cesárea o bebê perde o contato com as bactérias vaginais e desenvolve sua microbiota a partir do contato com o ambiente hospitalar, que possui bactérias que não vão promover a saúde.

Shutterstock

Não é regra!

O nascimento não é determinante para o comprometimento da saúde do pequeno, mas há amplos trabalhos científicos que demonstram a relação entre essa colônia inicial de bactérias e males como obesidade, diabetes e doença celíaca.

O que é a doença celíaca?

A doença celíaca é caracterizada pela intolerância do organismo ao glúten e tende a se manifestar em bebês e crianças sob a forma de diarreia crônica, emagrecimento, falta de apetite, desnutrição, anemia, déficit de crescimento e distensão abdominal.

O quadro é genético e autoimune e pede uma série de cuidados em termos de alimentação uma vez que, quando ingeridas substâncias com glúten, o intestino delgado reage de modo a combater a substância, provocando um processo inflamatório crônico dessa região.

De acordo com o gastroenterologista Dr. Silvio Gabor, tanto em crianças, como em adultos, esse processo prejudica a absorção dos alimentos, dos sais minerais e de outros nutrientes.

Bactérias do organismo