Cientistas “limpam” genes de porquinhos para transplantar seus órgãos em humanos

Um estudo publicado na publicação científica Science revelou que cientistas conseguiram, pela primeira vez, modificar geneticamente porquinhos para que eles não tivessem nenhum tipo de vírus nocivo a humanos. Isso não foi feito para alimentação ou convívio – o objetivo é usar os órgãos dos leitões para transplante em humanos.

Usar órgãos animais nas pessoas é uma técnica chamada xenotransplante, e o experimento foi conduzido por pesquisadores de Harvard e de uma empresa chamada eGenesis. Em um comunicado à imprensa, eles defendem que essa seja uma “abordagem para aliviar a grave escassez de órgãos para transplante humano”. 

Porquinhos tiveram gene editado e células clonadas

A grande novidade do experimento foi editar os genes de porcos para apagar do DNA um tipo de vírus que poderia causar graves problemas no corpo humano. Depois, essas células editadas foram clonadas para desenvolver um embrião totalmente livre do chamado retrovírus endógenos porcino. Os embriões foram utilizados para fertilizar porcas.

“Esta pesquisa representa um avanço importante no tratamento de preocupações de segurança sobre a transmissão viral das espécies cruzadas”, defendeu Luhan Yang, co-fundador e diretor científico da eGenesis em material divulgado pela empresa.

Os leitõezinhos criados

Ao todo, 37 porquinhos foram gerados nessas condições, sendo que 15 continuam vivos. Segundo o site de notícias de saúde e ciência Stat News. Segundo a reportagem, alguns leitões foram mortos para que os cientistas estudassem como os órgãos modificados reagiriam.

Mas porque usar órgãos de porcos em humanos?

Na teoria, os órgãos suínos tem o tamanho certo e são parecidos o suficiente, do ponto de vista fisiológico, com os dos humanos. Então poderia funcionar, tanto que essa ideia permeia a comunidade científica há alguns anos. Atualmente, partes de porcos, como as válvulas cardíacas, já são usadas em humanos, em substituição às originais quando apresentam insuficiência ou estenose.

Mas, como analisou o jornal norte-americano  New York Times, a perspectiva também levanta questões delicadas sobre exploração e bem-estar animal. Parte dos cientistas ouvidos pela publicação defende que essa utilização poderia livrar pessoas da hemodiálise, por exemplo. “Eles seriam usados ​​para salvar vidas humanas. Os animais seriam anestesiados e mortos humanamente”, argumentaram ao jornal.

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