Bolsa para elas > Características femininas

Outro fator seria a chegada da mulher ao mercado de trabalho. Se antes eram os homens os responsáveis pelas finanças da casa, hoje são elas que assumem as contas e, principalmente, os investimentos da família. “Isso é histórico. Eram os maridos que cuidavam do dinheiro e as mulheres, das tarefas domésticas . Hoje, elas têm que chefiar a casa, e, conseqüentemente, planejar melhor. Para isso buscam informações sobre como aplicar o dinheiro de forma que lhes garanta um bom rendimento” constata Sandra.

Engana-se quem pensa que somente as mulheres que têm carreira voltada para a área de economia e contabilidade se tornam investidoras. No clube de investimentos que Sandra coordena, é comum ver médicas, advogadas, estudantes e aposentadas fazendo cálculos e procurando as melhores aplicações. “A idade varia de 20 a 65 anos”, afirma a consultora. “E o mais engraçado é que muitas se questionam porque ficaram tanto tempo fora do mercado de ações. Elas percebem que este mundo não é tão complicado quanto parece”, continua.

Perfil da investidora

Porém, mesmo entrando neste arriscado ambiente, as mulheres mantêm características típicas do chamado sexo frágil: são mais conservadoras e têm a família como preocupação principal – características positivas para quem pensa em investimentos de longo prazo. De acordo com Inês Bozzini, coordenadora do Programa Mulheres em Ação, da Bovespa, projeto lançado em 2002 que tem como objetivo aproximar as mulheres do mercado financeiro, os investimentos femininos costumam ter algumas semelhanças. “Elas não contam com o dinheiro imediatamente, têm um prazo de sete, dez anos. Além disso, querem dar melhores condições de vida aos filhos e, no futuro, abrir o próprio negócio. Pensam na longevidade – querem viver mais e viver bem”, afirma.

De fato, as ações são um dos investimentos mais arriscados que existem, pois dependem das oscilações do mercado financeiro internacional e estão sujeito aos abalos provocados por acontecimentos imprevisíveis

As mulheres são cautelosas em matéria de investimentos. Não apostam todas as fichas em ações, geralmente preferem dividir suas aplicações em Fundo de Renda Fixa e na Bolsa de Valores. Ainda são poucas as que aplicam sozinhas, a maioria escolhe entrar em clube de investimentos ou procura corretoras de ações. “É difícil encontrar uma especuladora de ações, aquelas pessoas que compram os papéis e minutos depois já estão vendendo para obter vantagem. Elas procuram investir em companhias que conhecem de nome e possuem referências”, conta Inês, lembrando que é uma característica tipicamente feminina optar por corporações que têm uma política empresarial boa, como, por exemplo, empresas preocupadas com a manutenção do meio ambiente.

Riscos

O grande temor que ronda o mercado financeiro é a perda de dinheiro de uma hora para a outra. De fato, ações são um dos investimentos mais arriscados que existem, pois dependem das oscilações do mercado financeiro internacional e estão sujeitas aos abalos provocados por acontecimentos imprevisíveis, como o 11 de setembro, entre tantos outros. Mas, de acordo com Inês Bozzini, a conjuntura internacional está favorável às aplicações no mercado. Além disso, segundo ela, hoje existe uma preocupação muito grande em proteger os investidores de possíveis riscos. Tanto a Bovespa quanto a CVM (Comissão de Valores Mobiliários – órgão do Governo que busca assegurar o funcionamento dos mercados de bolsa) tentam regular e fiscalizar ao máximo as corretoras de ações e se mantêm a par dos movimentos das empresas – se correm riscos de falência ou não – para que tudo fique muito transparente para o investidor.