Ela teve depressão e cãozinho a curou: “Não precisava mais ter medo, ele estava ali”

por | jun 26, 2018 | Comportamento

Coração acelerado, mãos suando, falta de ar. Enfrentar uma crise de pânico não é fácil em nenhuma situação, mas passar por tudo isso sozinha pode ser ainda mais desesperador. A nutricionista Nathalie Abud, 27, viveu isso algumas vezes até que descobriu ajuda em seu cãozinho, o Chocolate.

Perdas que motivaram transtornos emocionais

O ano de 2012 não foi nada fácil para Nathalie. Em março, ela perdeu a avó. “Eu tinha acabado de conseguir o emprego dos meus e dos sonhos da minha avó, ela me acompanhou nessa jornada”, contou a nutricionista. Dezoito dias depois, sua prima teve uma mal súbito e também faleceu. Com apenas 22 anos, ela teve que segurar a barra sozinha: “Minha tia não tinha reação, minha mãe tem problema cardíaco, eu tinha que ser forte”.

Nathalie Abud de Jesus/ arquivo pessoal

Foi só depois de dois dias que ela conseguiu colocar tudo para fora, mas sob a forma de uma crise de pânico. Nathalie começou a suar, seu coração disparou, o ar faltou, o choro veio à tona e ela não conseguia controlar o tremor em todo o corpo. “Eu achava que era só uma confusão de sentimentos”.

As sensações persistiram por bastante tempo. “Passei um mês indo para o hospital quase todos os dias e os médicos acreditavam que eu estava com crise de bronquite”, explicou Nathalie.

Demorou um mês para ela descobrir que estava com síndrome do pânico. Ela procurou um psiquiatra, mas optou por não fazer o tratamento e, como resultado, junto com o pânico veio a depressão. “Eu parei de comer e dormir. Não conseguia pregar o olho porque se eu precisasse socorrer alguém, tinha que estar acordada”.

Como cãozinho ajudou Nathalie a superar depressão

As crises ficavam cada vez mais frequentes. Nathalie buscou religiões, psicólogo, homeopatia, mas nada a fez se sentir melhor. Até que um dia, dentro do carro com seus pais, ela começou a ter uma crise. Sua mãe avistou uma feira de cães – a maior paixão da filha – e decidiu parar para acalmá-la.

Nathalie encontrou um cãozinho de porte médio, marrom e pediu à responsável para segurá-lo. “Quando eu peguei o Chocolate no colo, ele começou a balançar o rabo e me lamber, como se ele já me conhecesse”.

Ficar sozinha em casa era muito difícil para ela. Quando seus pai saíam, ela já entrava em desespero, começava a chorar e a crise vinha. Mas, com a chegada de chocolate, tudo mudou.

“A primeira coisa que ele fez foi deitar na minha cama. Eu senti como se ele dissesse que eu não precisava mais ter medo de dormir, porque ele estava ali”, revelou Nathalie.

Nathalie sabia que existia uma forte ligação entre ela e Chocolate, mas a confirmação veio mesmo quando ele a ajudou a superar uma crise de pânico.

“Eu estava sozinha em casa e a crise começou. Meu coração disparou, minhas mãos tremiam, o ar faltava e eu chorava. O Chocolate rapidamente veio até mim, pulou em meu colo e começou a me lamber. Aquilo foi me acalmando e quando percebi, tinha passado”.

A presença de Chocolate teve um efeito inexplicável no comportamento psicológico de Nathalie. Até o medo de ir à casa da avó ela perdeu.

“Por muitas vezes ele corria para a casa da minha avó e eu era obrigada a entrar lá para pegá-lo. Parecia que ele fazia de propósito, para eu perder o medo”.

Outra coisa que ajudou Nathalie a perder o medo e se tornar segura novamente foi a preocupação em passar segurança para o cãozinho, para que ele se sentisse bem em seu novo lar.

“Como eu tinha tirado o Chocolate do ambiente dele, eu tinha que superar meus medos para ele se sentir seguro em minha casa e se acostumar logo”.

Quanto mais ela convivia com seu novo cachorro, mais as crises iam diminuindo. “O Chocolate me devolveu tudo. A alegria, pensamentos positivos, a tranquilidade. Se eu voltei a ser quem eu era, ele é o responsável”, afirma a nutricionista.

Nathalie conta que sua relação com Chocolate é algo de outro mundo. “Quando eu fico triste ou doente ele logo sente e vem para o meu lado. Não sai de perto de mim até eu melhorar, fica cuidando de mim”.

“Até hoje ele não abre mão de dormir ao meu lado”, finalizou Nathalie.

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