Comportamento 30 de junho, 2016 Por Giovanna Mazzeo

Mulher dá relato amoroso e emocionante 4 anos após a morte do marido Daniel Piza

A jornalista Renata Piza fez um relato longo, amoroso e emocionante sobre a morte súbita do marido, o jornalista Daniel Piza, no dia 30 de dezembro de 2011, aos 41 anos.

No post feito no site vamosfalarsobreoluto.com, Renata fala sobre características marcantes de Daniel, a cumplicidade do casal, relembra o dia da morte e conta que até bem pouco tempo relutava em chamar o marido de ex. “Mas meu analista foi decisivo: ‘a morte é a maior das separações, Renata. Lembra do até que a morte os separe’?”, escreve a jornalista em um dos trechos do depoimento.

A morte

O jornalista Daniel Piza morreu após sofrer um AVC (acidente vascular cerebral)  em Gonçalves (MG), onde passaria o Réveillon com a família. Sobre este dia, Renata conta: “Lembro de flashes. O barulho dele caindo no chão do banheiro. A luz se apagando da sua retina. A respiração silenciada. O cobertor de zebra, que enrolei nele para tentar esquentá-lo. Estava tão frio. Estávamos na serra, mas obviamente, o frio era de outra natureza.”

A não aceitação

Em seu relato, Renata conta que passou um tempo fora de si após a morte súbita do companheiro. Ela revela que se sentia como se estivesse morta também, chorava muito, comia muito pouco, cortou o cabelo e chegou a cortar a pele. Em suas palavras, diz ter brigado com Deus.

“Aceitar a morte é provavelmente a única garantia que temos da vida, e justamente a mais difícil. É dizer o óbvio: não controlamos nada, não existe sempre justiça ou, pelo menos, não conseguimos ver a figura completa”, reflete a viúva.

Ela ainda complementa com um questionamento que fez: “Por que alguém saudável, com três filhos, uma mulher apaixonada, um emprego incrível, tantos amigos, tantos leitores, tanta, tanta vida tem que morrer aos 41 anos?”.

Ubuntu

Renata diz que Ubuntu (“eu vivo em você e você vive em mim”) foi o conforto que ela precisava e ao mesmo tempo um estalo. Ela conta que conheceu o significado apenas anos após perder o marido e a partir de então diz ter dobrado de tamanho.

“De alguma maneira, ainda que nunca mais inteira, carrego o Dani comigo, sua força, guerreiro do Norte, sua altivez, seu olhar doce, igualzinho ao do Bernardo”, diz se referindo ao filho caçula do casal. 

Ao terminar, a viúva conta o legado que Daniel deixou em sua vida. Diz que passou a ver as adversidades de outro modo e que leva consigo um dos lemas do ex-marido: “viver bem é a melhor vingança”.

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