Apesar de muitas preferirem realizar cesarianas por variados motivos, há casos em que elas não têm o que escolher. Dr. Miyahira lembra que “hoje em dia as mulheres estão engravidando mais tarde, depois dos 35 anos, quando a gestação começa a adquirir um nível maior de risco, exigindo o procedimento da cesariana na hora do parto“.
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Por falar em riscos e complicações, na verdade, esses são (ou deveriam ser) os verdadeiros responsáveis pela realização das cesarianas. Ainda de acordo com o especialista, esse tipo de parto pode ser demandado a partir de causas maternas ou fetais. Entre as causas maternas estão doenças pré-existentes, como pressão alta, diabetes, problemas cardíacos, insuficiência renal, lúpus eritomatoso, entre muitas outras, além de complicações que podem ocorrer durante a gravidez, como ruptura precoce de bolsa, descolamento prematuro da placenta etc. Até mesmo mulheres que já fizeram outras cesarianas precisam se submeter a mais uma cirurgia quando decidem ter outro filho. “Essas mulheres não podem mais ser aquilo que chamamos de primíparas eventuais, ou seja, que têm seu primeiro parto normal. Isso porque a passagem do bebê pelo canal vaginal pode fazer com que as cicatrizes das cesarianas anteriores se rompam, já que a criança, ao nascer, faz um movimento semelhante ao de um ‘saca-rolha’ para sair do corpo da mãe”, explica. “Saúde é o estado de bem-estar físico, psíquico e social do paciente, logo, a função do médico é informar a mãe sobre as reais condições de sua gravidez, fazendo uma análise entre riscos e benefícios.”
Gestantes acima dos 35 anos têm mais chances de desenvolver a pré-eclâmpsia. Crédito: Shutterstock
Quando a cesária é indicada?
Os bebezinhos também podem dar muito trabalho na hora de virem ao mundo. “A cesariana acaba sendo a única opção quando o cordão umbilical enrosca no pescocinho do neném ou quando esta ligação entre a criança e a mãe é muito curto e, na hora em que o médico puxa o bebê para fora, ele fica esticado, diminuindo a oxigenação fetal. Se não for feita uma cesariana, a criança pode sofrer sequelas como dislexia e paralisia cerebral”, afirma Dr. Miyahira.
Como lembra o médico, “a obstetrícia é a única área da medicina em que não é possível dar um diagnóstico único e absoluto, desde o início do trabalho de parto até o nascimento do bebê, período em que tudo pode mudar de um minuto para o outro. Uma situação que pode parecer tranquila nas primeiras contrações, pode se complicar quando o bebê está prestes a ser expulso do corpo da genitora”, ressalta.
Foi o que aconteceu com Mariana, filha de dois meses da comerciante Joana Lira. “Os nove meses de minha gravidez foram de uma paz incomum. Não enjoei, não tive desejos estranhos, calores, ou inchaços. Todos os pré-natais estavam perfeitos e tudo corria às mil maravilhas. Quando comecei a ter as primeiras contrações, fiquei tranquila, pois nem imaginava que logo no final de tudo algo pudesse dar errado. Foi excesso de confiança. Depois de vinte minutos na sala de parto, fui informada pelo obstetra de que não poderia ter um parto normal como eu desejava, porque o cordão umbilical da Mari estava enrolado em volta de seu pescoço”, conta a mãe que passou por momentos de verdadeiro desespero ao saber que seu bebê entrara em sofrimento. “O médico disse que a oxigenação do feto havia sido prejudicada e por isso minha filha começou a sofrer. A cesariana, então, era não apenas necessária, mas a única forma de trazer minha pequena à vida sã e salva”, lembra.
Parto normal ou cesariana?
Antes de se escolher entre ter um parto normal ou uma cesariana, é preciso ter em mente que “saúde é o estado de bem-estar físico, psíquico e social do paciente, logo, a função do médico é informar a mãe sobre as reais condições de sua gravidez, fazendo uma análise entre riscos e benefícios”, diz Dr. Miyahira. A gestante deve ser informada sobre todas as vantagens e desvantagens de cada método antes de optar por um, junto com seu obstetra.
Ela deve saber, por exemplo, que “para expulsar o bebê de dentro de seu corpo, a mulher precisa exercer uma força de aproximadamente 50kg. Seria como carregar, de uma só vez, dez sacos de 5kg de arroz. Felizmente, a natureza pensou em tudo e essa força é dividida entre as contrações do útero e a força abdominal. Somando-se a isso, a dor e a longa duração do parto podem ser reduzidas com um bom trabalho de respiração e relaxamento. Por outro lado, se as contrações se tornam insuportáveis e a anestesia peridural precisa ser administrada, a mulher perde a força abdominal, sendo necessária a ajuda do médico empurrando a barriga dela para baixo”, informa Dr. Miyahira.
O médico cita ainda um estudo norte-americano realizado com mais de 15 mil mulheres: “Entre 20% e 30% das mulheres que tiveram partos normais acabam precisando passar por cirurgias corretoras de problemas urinários ao atingirem idades mais avançadas, acima dos 80 anos. No entanto, dificilmente mulheres que morrem antes disso chegam a apresentar esses problemas”, tranqüiliza.
Apesar de todo o esforço que exige, o parto normal é mais natural, proporciona uma experiência de interação muito maior entre mãe e filho, e sua recuperação é mais rápida, já que “a mulher não fica com sonda vesical e levanta da cama muito mais rápido”, de acordo com a enfermeira Andrea Vieira.
Já na cesariana, “a mulher precisa ficar algum tempo com a sonda vesical, necessita de soro e também sente dor durante a incisão abdominal”, lembra Andrea. E isso sem falar nos cuidados redobrados, como não pegar peso ou fazer esforço nos primeiros dias após a gravidez, para que os pontos não saiam.
Na verdade, não existe nenhum método 100% seguro e livre de problemas e incômodos, mas é preciso que a mulher analise, junto com seu médico, qual o tipo de parto mais adequado para seu tipo de gravidez e seu estilo de vida. Enfim, o importante é trazer seu filho ao mundo da maneira mais segura para você e para ele. Fale com seu médico, tire suas dúvidas e boa sorte!
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