Pressão alta é principal causa de morte de gestantes

por | jun 30, 2016 | Gravidez e bebês

Marianna Feiteiro

Do Bolsa de Bebê

Principal causa de morte materna no Brasil, a pressão alta é uma das doenças mais graves que podem acontecer na gravidez. Ela é capaz de causar complicações tanto para a mãe quanto para o bebê, que também corre risco de morte se o problema não for controlado. Por outro lado, o diagnóstico é simples, e um bom acompanhamento pré-natal é capaz de evitar muitas complicações.

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Durante uma gravidez normal, é esperado que haja uma diminuição da pressão arterial, devido ao afrouxamento dos vasos sanguíneos. “No entanto, nas pessoas que têm pré-disposição, pode ocorrer justamente o contrário”, explica a ginecologista e obstetra Dra. Erica Mantelli, que revela que entre 5% e 10% das mulheres apresentam hipertensão na gestação.

O aumento da pressão associado à gravidez é chamado de pré-eclâmpsia. A doença se manifesta a partir da 20ª semana de gestação e é causada pela soma das mudanças que ocorrem no corpo da mulher com a presença de alguns fatores de riscos, como o sedentarismo, obesidade, diabetes e ganho excessivo de peso durante a gravidez. Há também maior incidência nas primeiras gestações, gestações múltiplas (gêmeos) e gestantes acima dos 35 anos. A combinação leva à vasiconstrição, ou seja, o estreitamento dos vasos sanguíneos, o que dificulta a circulação do sangue, elevando a pressão. O fenômeno também é acompanhado pela eliminação de proteínas na urina e edema (inchaço).

Os riscos que a pré-eclâmpsia podem trazer à mulher e à criança são muitos. Se não for controlada, pode evoluir para um estágio ainda mais sério – a eclâmpsia –, caracterizado por alterações cerebrais que levam a episódios de convulsão. “A mãe pode ter alterações cardiovascular, renal, pulmonar – como o edema de pulmão –, no fígado, no cérebro e no sangue – como a diminuição das plaquetas. Tudo isso pode levar a uma hemorragia aguda de difícil controle, uma vez que as plaquetas alteradas não conseguem conter o sangramento, apresentando risco de morte”, explica a obstetra. Segundo ela, em casos muito graves pode haver falência dos rins, obrigando a paciente a passar por sessões de hemodiálise. “A mãe também corre o risco de ficar com sequelas relacionadas à alteração cerebral. O inchaço do cérebro pode causar o descolamento da retina, deixando a paciente cega. Ela também pode ficar confusa, entrar em coma ou ter um AVC (Acidente Vascular Cerebral)”, alerta.

Já o bebê sofre com a falta de oxigênio, que é levado até ele através do sangue da mãe. Isso pode causar restrição ao crescimento e ganho de peso intrauterino, atrapalhando seu desenvolvimento. Quando a pressão é muito descontrolada, pode ocorrer também o nascimento prematuro. “Outra complicação bastante comum é o sofrimento fetal agudo, que é quando a diminuição do aporte de oxigênio para o bebê leva à alteração dos batimentos cardíacos, que podem ficar muito baixos ou muito acelerados. Neste caso, a gravidez tem de ser interrompida imediatamente”, esclarece a especialista.

Uma vez diagnosticada a pré-eclâmpsia, o tratamento é feito primeiramente com dieta alimentar e medicamento. Se a pressão alta persistir, a gestante é internada e o fluxo de oxigenação do bebê, monitorado. Em casos extremos, quando a pressão não cede ao tratamento médico, é considerada a possibilidade de aborto ou antecipação do parto, quando a criança já tem mais de 1kg ou a gravidez está avançada (em geral, a partir do 6º mês).

Precauções

A Dra. Erica explica que o diagnóstico é clínico, ou seja, feito através do exame físico. Por isso, o acompanhamento médico antes e durante a gestação é vital e deve ser feito regularmente. “É importante frisar que, com um pré-natal adequado, os riscos de complicações são mínimos”, enfatiza.

“A paciente deve manter uma qualidade de vida saudável, com exercícios físicos constantes e dieta balanceada. Também é recomendado evitar o consumo exacerbado de sal”, ensina a especialista. “Durante a gravidez, é necessária mais atenção ainda com o ganho de peso, que deve ser controlado com dieta”, completa.

No caso das mulheres que já sofriam de pressão alta antes da gestação, os cuidados devem ser redobrados durante a gravidez, já que há chances de piora no quadro. A obstetra adverte que o médico deve ser consultado, já que a maior parte dos medicamentos contra hipertensão pode afetar a gravidez e causar má formação fetal. “Antes de pensar em ter filhos, consulte seu médico para avaliar o nível da sua pressão no momento e ver se é mesmo a hora mais indicada para engravidar”, aconselha Dra. Erica, que finaliza afirmando que, se a pressão arterial estiver descontrolada, o mais indicado é adiar a gravidez.

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