Na TV, vemos uma infinidade de notícias sobre acidentes de trânsito que só não se tornam fatais por conta do cinto de segurança: um grande trunfo que, muitas vezes, não é usado. Muito se fala sobre a importância do cinto para o motorista, mas você sabia que no banco de trás ele também é obrigatório e salva vidas?
Engana-se quem acha que fazer uso do acessório no banco traseiro é segurança apenas para o passageiro. A falta dele também coloca em perigo quem ocupa a parte dianteira. Segundo informações do Detran-RJ, numa colisão frontal, todos se moverão para a frente e o corpo do passageiro sem cinto será projetado com uma força até 50 vezes maior do que seu peso, ferindo o motorista ou o carona do banco da frente. “Fraturas diversas poderão acontecer se não estiverem usando o cinto. Pensar que os bancos do motorista e do passageiro da frente são uma proteção é um grande engano. Você será arremessado contra ele com grande chance de se machucar seriamente”, reforça Marccelo Pereyra, consultor da ABETRAN para Projetos de Educação e Segurança no Trânsito.
Estudos mostram que passageiros que usam corretamente esses itens de segurança têm um risco menor de se ferir e uma chance muito maior de sobreviver a um acidente. O Detran alerta para uma terrível estatística: 8 em cada 10 pessoas que não usavam cinto morreram em colisões com pelo menos um dos veículos a menos de 20 km/h. Por que, então, o brasileiro tem resistência a usá-lo? Pereyra opina: “Existe um excesso de confiança aliado à desinformação, que faz o indivíduo acreditar em outra realidade. A maneira que adotamos para adquirir conhecimentos carece de conteúdo didático, pelas razões que todos conhecemos, da ausência de escola na vida da maioria dos brasileiros.´É só segurar que resolve’, é a cultura do ‘jeitinho brasileiro’, prejudicial à nossa aquisição de conhecimento. Deixamos de aprender o necessário para optar pelo modo mais fácil de resolver nossas dificuldades, mesmo que isso signifique contrariar a ciência“.
Dada a sua importância, na maioria dos países, a utilização é legalmente exigida. No Brasil, condutor ou passageiro que for flagrado sem o item comete infração grave, com cinco pontos na carteira, multa de R$ 127,69 e retenção do veículo até a colocação do cinto pelo infrator.
No caso das crianças, os pais devem cumprir seu papel de orientá-las. “Eles são o modelo e devem explicar a importância do cinto ao filho. Nem todos, no entanto, têm essa clareza. Muitos ainda falam para a criança colocar o item apenas quando avistam um guarda, deixando a mensagem de que a necessidade do cinto é para evitar uma multa, não para garantir sua segurança”, diz Salete Coelho Martins, especialista em psicologia no trânsito.
Para crianças com até dez anos, a lei exige assentos específicos e todos eles devem ser usados, na parte de trás, em conjunto com o cinto. Quando a criança já tiver permissão para usar o cinto, uma faixa terá que passar sobre o ombro e, em diagonal, pelo tórax. Já a outra deverá ficar apoiada no quadril ou na parte superior das coxas.
Em 2010, o Denatran lançou uma c ampanha específica sobre o uso do cinto de segurança traseiro e da cadeirinha para crianças na Semana Nacional de Trânsito, que aconteceu de 18 a 25 de setembro. Este ano, o órgão informa que a campanha nacional engloba vários itens de segurança, não apenas o cinto. Batizada de “Parada – Pacto Nacional Pela Redução de Acidentes”, a campanha é um compromisso do Brasil com a ONU em reduzir, até 2020, em 50% os acidentes de trânsito. Com o lema “Pare, pense, mude”, o programa visa “conscientizar a população da necessidade de respeitar as regras de boa convivência e as leis de trânsito, independentemente da fiscalização”.




