Se antes, os 30 e poucos anos eram a época em que tudo começava a se acertar, em que a mulher já havia conquistado um emprego estável, já tinha uma aliança na mão – seja na esquerda, seja ainda na direita -, e até já pensava nos filhos, agora, os 30 são só o começo.
Maria Cláudia Pompeo nunca soube o que é a “crise dos 30”. Formou-se em Design de Moda aos 20 anos e até os 27 morava na casa dos pais, no Rio. Agora, aos 31, casada e trabalhando como assistente de estilo de uma designer carioca em ascensão, ela diz estar, enfim, iniciando a vida. “Ainda não consegui minha independência financeira. Agora é que estou me posicionando no mercado de trabalho”, conta. Filhos? “Nem tão cedo”
Em alguns anos, quero fazer pós-graduação. Sinto que ainda não conquistei muita coisa. Talvez, só aos 40 mesmo
Ao contrário de Maria Cláudia, Mônica Mello saiu cedo da casa dos pais. “Com 22 anos eu já morava com quem hoje é meu marido”, conta a paulistana. Mas, assim como a carioca, Mônica, que é designer e mora em Nova York há sete anos, acredita que a vida está só começando. “Ainda me considero no início da minha carreira. Em alguns anos, quero fazer pós-graduação. Sinto que ainda não conquistei muita coisa. Talvez, só aos 40 mesmo”, conta, rindo.
Mulheres de Balzac
A expressão balzaquiana foi criada por brasileiros. Em outras línguas, o termo apenas quer dizer algo relativo ao escritor Honoré Balzac (1799-1850). Foi ele quem escreveu, entre outros 80, o livro “A Mulher de 30 Anos”, que, lá pelo final da década de 40, deu origem ao adjetivo para a mulher madura.
E foi na década de 50 que a expressão caiu na boca do povo. No carnaval carioca, tinha marchinha dedicada às balzaquianas: “não quero broto / não quero, não quero, não. / Não sou garoto pra viver na ilusão. / Sete dias na semana / eu preciso ver a minha balzaquiana”.
No livro “O Carnaval carioca Através da Música”, o escritor Edgar de Alencar atestou que balzaquiana era um “contraponto do vocábulo brotinho”. Com a passagem de Brigitte Bardot pelo Brasil, a expressão acabou sendo levada para a França. Jornalistas parisienses que a acompanhavam, acharam curioso uma referência de Balzac como tema de carnaval.
