Hora da decisão

Tomamos muitas decisões ao longo da vida. Algumas muito importantes, outras nem tanto, mas sem nos darmos conta vivemos esse pequeno conflito algumas vezes por dia. Pouco paramos para pensar em quantas coisas estão envolvidas na resolução desse conflito. Sim, é um conflito. Tão freqüente em nosso cotidiano que já não nos apercebemos conscientemente. Desde decidir que roupa usar, como lidar com aquela velha pendência no trabalho, que atitude tomar frente à reação de um filho, até a trafegar pelo túnel ou pela Niemeyer, ir ou não ir, ligar ou não ligar, comprar essa ou aquela roupa, arrumar agora ou no próximo final de semana o armário, que livro comprar…

Essa pode ser uma lista infinita e o importante é entendermos porque algumas vezes, e, sobretudo, alguns de nós temos tanta dificuldade em tomar decisões. Há pessoas que vivem se esquivando de tudo, por impossibilidade de fazer escolhas, assim como há pessoas querendo viver tudo o tempo todo, por, igualmente, impossibilidade de fazer escolhas.

O desejo tem uma força grande, capaz de influenciar decisões importantes. Equilibrar desejo com razão requer uma maturidade e impõe um conflito eterno em nossas vidas

Para facilitar a compreensão da dinâmica do processo decisório podemos didaticamente dividi-los em três tipos principais. O primeiro é o chamado conflito aproximação/aproximação. Acontece quando estamos diante de possibilidades igualmente atraentes, porém excludentes. Ou isto ou aquilo. Uma escolha, uma renúncia. Dar vida a algo e desistir, deixar morrer outras possibilidades. Jamais saberemos como teria sido nossa vida se não tivéssemos morado naquela determinada rua, estudado naquela determinada escola, feito aqueles amigos, optado por ir de carro e não de avião, ter escolhido determinada profissão e, de novo, podemos continuar essa lista indefinidamente, se quisermos.

Aproximação/aproximação

O conflito aproximação/aproximação está presente nas mais diversas situações, tais como: comprar o vestido branco ou o preto? Vamos imaginar uma situação onde você entra numa loja para comprar um vestido para uma festa muito importante. Você quer estar o mais linda possível e se encanta por um vestido branco vaporoso e, igualmente se encanta por um outro, preto sensualíssimo. Você se sente linda com ambos, mas precisar optar por um. Não é uma decisão fácil porque ao escolher A você precisa diminuir a importância do B. Nos casos bem sucedidos a pessoa se sente feliz com a escolha feita e esquece cinco minutos depois o que deixou para trás.

Infelizmente, nem sempre acontece assim. Muitas vezes as coisas se dão justo ao contrário. Você sai com o A mas, antes mesmo do dia da festa, já está infeliz porque acha que deveria ter escolhido o B.Voltar e trocar não resolve o problema porque dessa forma, o mesmo processo às avessas volta a acontecer. Todo mundo que trabalha com vendas sabe exatamente que é grande o número de pessoas que agem dessa forma. Na realidade, não estão conseguindo aumentar a valência do segmento escolhido e diminuir a valência do segmento preterido. Estamos diante desse mesmo tipo de conflito quando estamos decidindo compras mais importantes, atitudes mais adequadas, e, às vezes, até escolhas profissionais.

Aproximação/afastamento

Um segundo tipo de conflito é o de aproximação/afastamento. Este se dá quando estamos diante de uma escolha entre algo que atrai e algo que repele mas, que talvez seja a decisão mais apropriada, sensata, ponderada. Também não é nada fácil. O desejo tem uma força grande, capaz de influenciar decisões importantes. Equilibrar desejo com razão requer uma maturidade e impõe um conflito eterno em nossas vidas, as diferenças são de grau e não de natureza. A criança busca o desejo imediato e crescer implica em ser capaz de abrir mão desse desejo imediato em prol de um ganho ulterior. É este princípio que nos tira da cama todas as manhãs, quando temos compromisso, mesmo estando loucas para dormir até tarde. É fundamental para o funcionamento saudável do ser humano, uma boa resolução dessa questão, sem exageros nem pra um lado nem para o outro. Viver o hoje como se não houvesse o amanhã é tão grave quanto deixar de viver o hoje preocupado com o amanhã.

Afastamento/afastamento

Um terceiro tipo é o de afastamento/afastamento. Popularmente conhecido como ficar entre a cruz e a espada. Diante de opções igualmente repulsivas, tendo que escolher por uma, facilmente caímos em um conflito de grande intensidade que nos dá a sensação de não termos escolha, ou melhor dizendo, nenhum opção é minimamente desejável. Aqui será importante avaliar o “menos pior”, avaliar o melhor dentro de uma perspectiva que requer tolerância e aceitação. Igualmente difícil de ser vivido, esse tipo de conflito talvez nos revele a face mais dura do processo dinâmico de viver.

Seja qual for a situação, se você acha que tem dificuldade nos processos decisórios a ponto de comprometer o andamento de sua vida, pare para rever e reverter o que, com certeza, trará bem estar e grandes transformações.

Até a próxima!