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Ela buscou força nas redes: "Me sentia a única pessoa no mundo que queria ser grisalha"

Para Daniela De Bonis, que está com 43 anos, quando uma pessoa está satisfeita e feliz, ela não precisa da aprovação dos outros.
Publicado 27 Jun 2022 – 04:11 PM EDT | Atualizado 28 Jun 2022 – 08:51 AM EDT
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Diferente do homem grisalho, que é tido como charmoso e maduro sem precisar provar nada, as mulheres de cabelos brancos estão acostumadas a ouvirem que estão "desleixadas", mesmo sendo vaidosas. Contudo, isso está mudando. Atualmente, muitas têm feito jus ao que é o empoderamento feminino valorizando a liberdade.

A paulistana Daniela De Bonis está com 43 anos, mas há sete deixou de tingir por completo os fios. Com o objetivo de encorajar outras mulheres que queiram seguir o mesmo caminho, em 2016 ela criou o "Grisalhas Assumidas e em Transição", página no Facebook, que, posteriormente, também ganhou um perfil no Instagram.

O espaço virtual é descrito por ela como "seguro, de apoio, acolhimento e sororidade", mas não para por aí. O primeiro encontro ao vivo entre ela e as seguidoras já está programado para ocorrer em São Paulo, com diversas palestras sobre o tema. Conheça abaixo mais sobre a história de Daniela.

Decisão de não pintar os cabelos


A rotina maçante de precisar retocar a raiz dos cabelos a cada dez dias foi um dos motivos para Daniela, que cuida exclusivamente da página virtual, começar a pensar em deixar a química capilar de lado de uma vez por todas.

No processo para amadurecer a ideia, ela engravidou da sua primeira filha, vendo no acontecimento a oportunidade perfeita para se assumir. Infelizmente, a pequena Malu faleceu em março de 2022, vítima de uma condição respiratória de nascença, mas é vista pela mãe como a grande encorajadora da sua mudança de trajetória.

Na época, reconhecendo a dificuldade que é passar pela transição de cor, Daniela optou por fazer luzes sutis na raiz dos fios, para amenizar o contraste. Mas a experiência não deu certo. "Meu cabelo ficou pior ainda, porque eu pintava com um castanho médio. Tinha ele [o tom], as luzes, a cor natural e o grisalho. Foi um horror", relembra ela.

Transição de cor

O marido, Maciel, também a incentivou. "Ele me apoiou muito. Ele é quem pintava antes, então achou ótimo [risos]", afirma. Fora de casa, porém, muitos foram os momentos de constrangimento durante o período.


"Eu lembro de chegar no escritório do trabalho um dia, depois de fazer luzes, e uma menina de lá apontar para mim e gargalhar. Eu atendia clientes. Eles olhavam para minha raiz ao invés de olhar para meus olhos", conta.

A transição completa durou um ano e dois meses, incluindo um corte das pontas que ainda tinham química. Segundo Daniela, os primeiros meses foram os mais difíceis, fazendo até ela repensar a decisão. O espelho da sala de jantar da casa onde mora, por vezes, a chocou. "Eu me via sem maquiagem e dava vontade de desistir. O desafio maior é o começo", aponta.

Quando você chega no sexto mês, todo mundo já entendeu que você não vai mais pintar o cabelo. Mas no começo, acham que você está desleixada, desanimada ou doente, sendo que eu estava grávida, confiante e na minha melhor fase da vida.

Apoio de outras mulheres


Durante o período, Daniela relata também ter sentido a necessidade de trocar experiências com mulheres que estivessem na mesma situação. Assim nasceu a página no Facebook. "Foi em um momento que eu estava desesperada, precisando de força. Eu me sentia a única pessoa no mundo que queria ser grisalha", diz.

A intenção era de que fosse algo momentâneo, mas ao se conectar com mulheres de diversos estados e com histórias tão marcantes, Daniela resolveu investir ainda mais nos conteúdos que geravam identificação e reconhecimento, impulsionando a autoestima daquelas que também estavam se libertando das tinturas capilares.

Daniela nota certa discriminação até hoje, contudo, a forma como se sente interiormente é o seu alicerce. "Quando estamos contentes e satisfeitos com nossa própria imagem, nada mais precisa ser falado, transbordamos pelo brilho no olhar. Você não precisa da aprovação de ninguém", afirma.

Para a influenciadora, manter a cor natural do seu cabelo tornou-se um ato político. Não só no sentido de não se render ao padrão de beleza que aprisiona as mulheres, mas também de mostrar às indústrias que as preferências femininas estão mudando.


"A idade vai chegando, os sinais aparecem e o tempo não volta. Pintar o cabelo é uma forma de dizer que não existimos, que estamos no anonimato, porque te dá a falsa sensação de você não ter a idade que tem. No feed do grupo, vejo mulheres que ficam muito mais bonitas grisalhas. Quero poder continuar conscientizando-as de que elas não precisam caber em caixinhas", conclui.

Além de Malu, a influenciadora também é mãe de Rodrigo, que está com um aninho. Embora tenha partido cedo, a filha foi a responsável por diversos ensinamentos sobre autoaceitação e amor, e, consequentemente, pela consagração do primeiro grande evento de Daniela.

O Rodrigo tem sido nossa força para nos reerguermos. Mas a Malu foi a grande inspiração para que esse grupo nascesse. Por ela, seguimos tocando.


1º Encontro de Grisalhas Assumidas e em Transição

  • Data: 13/8/2022, à partir das 14h
  • Local: Tênis Clube Paulista (R. Gualaxo, 285 - Aclimação, São Paulo/SP)
  • Para inscrições e mais informações, clique aqui.

Cabelos brancos

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