A psicopedagoga Marlúcia Pessoa acrescenta que poucos pais da geração “pós-hippie” conseguiram interpretar corretamente os conceitos de educação aberta e conjugá-los a esses novos valores. Ela comenta que esses pais vinham de uma quase ausência de espaço infantil e adolescente no meio familiar, sempre combinado com muita austeridade. De repente, conceitos mal interpretados de psicanálise começaram a associar limites a traumas futuros e causaram medo nos pais, que afrouxaram as rédeas, principalmente no que diz respeito à realização dos desejos dos filhos. “Soma-se a isso a culpa pela qualidade do tempo dedicado a eles. Pronto, formou-se uma falsa maneira de compensar o problema, dando-lhes uma liberdade mal orientada”, afirma a psicopedagoda.
Fico pouco com eles. Então, quando estou junto, evito brigar. Sei que é errado, a qualidade do tempo está justamente em saber usá-lo, mas é difícil
A advogada Marta Cataldo assume que tenta compensar a falta de tempo com os filhos, Hugo, 14 anos, e Tadeu, 12, através da condescendência excessiva. Ou seja, em vez de uma atitude enérgica quando necessário, ela sempre fica com a mão na cabeça. “Fico pouco com eles. Então, quando estou junto, evito brigar. Sei que é errado, a qualidade do tempo está justamente em saber usá-lo, mas é difícil. Eles estão crescendo, noto que muitas características da personalidade deles foi moldada por mim, pela minha fraqueza diante da educação”, conta Marta.
O resultado são crianças e jovens que crescem desconhecendo limites, fazendo apenas aquilo que querem e exercitando sua tirania. Tendo todas as suas exigências plenamente atendidas em casa, quando iniciam sua vida social na escola, na creche ou na pracinha, essas crianças obviamente esperam que esse modelo seja repetido. Suas vontades imperam diante dos outros e das regras sociais, que apenas estão ali para lhe servir.





