No mundo globalizado e competitivo que vivemos hoje, nós corremos para prepararmos nossos filhos para a vida e até mesmo para o mercado de trabalho. Aprender um segundo idioma é a prioridade de muitos pais. Porém, boa parte deles acha que isto pode interferir o aprendizado da língua materna. O Bolsa de Bebê conversou com alguns especialistas sobre o tema. Confira!
Fonoaudiólogos, psicólogos e pedagogos esclarecem que os pais não precisam se preocupar com o fato dos filhos aprenderem duas línguas simultaneamente, pois isto é um processo cognitivo e não há risco de confusão entre elas. O lado esquerdo do cérebro, onde é reservado o espaço para idiomas, armazena primeiro a língua materna, aprende uma segunda a partir dela, e quando parte para o aprendizado de uma terceira, toma por base o espaço do segundo idioma. Por isso, o aprendizado de uma terceira língua é ainda menos complexo do que o da segunda. Para a psicopedagoga, psicóloga e terapeuta familiar há 30 anos, Evelyn Rogozinski, o aprendizado desde cedo, se for lúdico, é ótimo e não traz qualquer prejuízo para a criança, pelo contrário. A cobrança e a importância exageradas dos adultos é que podem gerar estresse infantil.
Não é só qualidade, é quantidade de interação. No diálogo, convivência diária, rotina. Tem que estar imersa no do idioma, ou será sempre uma língua estrangeira. Para ser bilíngüe precisa de mais contato com a língua do que apenas no cursinho
Pesquisas mostram que até o primeiro ano de vida, o cérebro humano tem a capacidade de registrar os sons de todas as línguas. Começando a ter contato antes da pré-fala, ele consegue fazer a aquisição destes sons com perfeição. Se o contato for até os três anos de idade, é possível adquirir uma fluência quase nativa. A partir dos sete anos, começa uma perda gradual da capacidade neurológica e se fecha a janela para a fluência. O idioma passa a ser considerado estrangeiro.
Dra. Cristina Aguirre, fonoaudióloga da ARPEF – Associação de Reabilitação e Pesquisa Fonoaudiológica, diz que há esta pré-disposição desde que o bebê seja colocado em contato com pessoas que falem outros idiomas. “Neurologicamente, o cérebro neste período de zero a cinco anos está mais plasticamente aberto para o aprendizado”, afirma Cristina. A fonoaudióloga acrescenta que o aprendizado tem que ter quantidade e qualidade, que ela não ouça só, mas que interaja também “Não é só qualidade, é quantidade de interação. No diálogo, convivência diária, rotina. Tem que estar imersa no do idioma, ou será sempre uma língua estrangeira. Para ser bilíngüe precisa de mais contato com a língua do que apenas no cursinho”.
Rogozinski aconselha que a criança aprenda e esteja razoavelmente fluente primeiro em sua língua materna. Ela afirma que a criança pequena absorve rápido porque aprende por imitação e não por entender o significado, e justamente por isso, ela esquece rápido também. É preciso que haja um contato freqüente com a língua para que possa fixar “É o mesmo que ocorre com pessoas de qualquer idade, sem o uso, perde-se”, acrescenta.
Para a pedagoga Célia Maia, até os sete anos a criança tem capacidade ainda de instalar fonemas e até esta idade é possível aprender um outro idioma sem prejuízo na pronúncia. Se o método for o da imersão, a pedagoga concorda que quanto mais cedo for o contato, melhor. No caso de cursos de idiomas, ela indica o início do aprendizado a partir dos sete anos “Aconselho aos pais que querem colocar o filho em cursos de inglês com dois anos de idade que os coloquem após a alfabetização e guardem o investimento destes cinco anos para mandá-los para um intercâmbio mais tarde. No intercâmbio, eles ganharão fluência”.
