Escolhendo a babá > Quarto momento: Entrevista

O momento da entrevista é o mais importante e deve ser feito por ambos os pais, e não por terceirizados. Nessa etapa, a intuição é muito importante. Busque um local fora de casa para evitar a exposição das crianças, caso existam muitas entrevistadas. “Durante a entrevista, os pais devem evitar fazer perguntas superficiais. Devem ser claros e objetivos. É fundamental que os pais observem a postura da candidata. Se perceberem mal-humor, desvio freqüente do olhar, atitude defensiva ou agressiva, desconfie”, aconselha a pedagoga da Kanguruh, Marcele Baldner. Observe o asseio pessoal, como está vestida, como se porta ao sentar e falar, e como ela fala sobre crianças. Pergunte sobre sua saúde, religião, hábitos de alimentação, e indague em que situação ela bateria numa criança. Negocie o salário e as folgas e deixe bem claras as regras da casa e o que a profissional terá que fazer.

Na entrevista final, a pré-candidata escolhida já pode interagir com a criança. Leve-a até sua casa, apresente os cômodos, os demais funcionários e um pouco da rotina do lar. Ao mesmo tempo, observe sua empatia com as crianças e demais empregados. Por fim, peça a documentação completa: foto, comprovante de residência e exames de saúde.

Para quem não tem muito tempo disponível ou quer ter menos trabalho, algumas empresas oferecem o agenciamento de babás. Ou seja: quem faz todo o processo de entrevista, checagem de referências e seleção é a empresa. Os pais entram em contato, definem o perfil da babá que procuram e a companhia seleciona a candidata que melhor se encaixa a ele, depois de uma minuciosa pesquisa.

Último momento: Adaptação e contratação

O período de adaptação é opcional. Nele, a mãe poderá orientar melhor e acompanhar de perto o trabalho da babá. “Telefone quantas vezes forem necessárias e se coloque à disposição para tirar suas dúvidas. Visitas rápidas e não anunciadas também costumam ser úteis para tranqüilizar os pais”, esclarece Fernanda Roche. Ângela Correa acrescenta: “Apenas um dos pais deve orientar a babá para que ela não se sinta perdida e a lei dentro de casa deve ser uma só. A rotina deve ser passada a babá através de um roteiro escrito. É recomendável que as mães possuam uma agenda, na qual a babá possa comunicar aos pais o dia-a-dia da criança”.

Preparando a babá

Depois de escolhida a babá, muitos pais sentem dificuldades em adaptá-las à rotina da casa, outros reclamam que elas não detém conhecimentos básicos sobre os cuidados com uma criança. Visando solucionar esses problemas, foram criados cursos voltados para a capacitação dessas babás. Elas aprendem noções sobre etiqueta e postura profissional, fases do desenvolvimento da criança, fonoaudiologia infantil, recreação e os estímulos para cada fase, nutrição do bebê, como reagir em situações de emergência e primeiros-socorros.

Há cinco anos atrás, Roberta Rizzo, a dez dias de ganhar seus filhos gêmeos, Paulo e Bruno, perdeu a mãe. Totalmente sozinha, Roberta sentiu a necessidade de contratar uma babá. Quando começou a busca, percebeu que a maioria das profissionais não estava preparada para a função. Depois de conversar com outras mães, psicólogos, advogados e médicos, fundou a Kanguruh, que oferece cursos de capacitação para as babás. Foi também por uma experiência pessoal que Fernanda Roche montou o Espaço Criança em Foco. Ao precisar do auxílio de babás para não perder o emprego, notou que a maioria, apesar de grande talento com crianças, agia instintivamente diante de situações que exigem técnica. “A criança precisa estar em contato com pessoas preparadas para propiciar o melhor desenvolvimento de suas potencialidades. Muitos pais acabam demitindo suas babás por causa de falta de conhecimento, quando seria menos traumático torná-las capazes”, argumenta Fernanda.

Hoje em dia, são diversos os cursos para formação e capacitação dessas profissionais. Ângela Correa, coordenadora dos cursos da Unire, revela que, de cada dez babás que chegam para fazer seus cursos, sete não sabem verificar a temperatura da criança corretamente. “Os cursos para babás vêm para suprir a ausência de uma faculdade para elas. Nosso foco é conscientizar essas profissionais da importância da profissão e suas responsabilidades. Muitas delas são boazinhas, tem boa vontade, mas não têm conhecimento, não sabem alimentar, estimular a criança ou brincar”, revela.

A Kanguruh oferece, ainda, uma modalidade de curso voltada para a formação de babás que cuidam de crianças especiais. “Por ser uma criança que merece cuidados diferenciados, as babás que cuidam destas crianças devem estar cientes de determinados aspectos psicológicos e devem interagir com a família e com a fisioterapeuta”, explica Roberta Rizzo. Os cursos de formação de babás trazem benefícios tanto para a família contratante quanto para a profissional. “Muitas babás tem a primeira oportunidade em estudar fazendo o curso e com isso sentem-se valorizadas. Esse é o primeiro passo para que uma babá cuide bem da criança: ser cuidada”, conta a psicóloga do Espaço Criança em Foco, Fernanda Gorosito.