Fabricio Santos, personal da cantora que continuou a treinar força na gravidez, explica benefícios, contraindicações e dá dicas para mamães fitness
Conhecida como “sertaneja das supercoxas”, Lauana Prado não abandonou os treinos de força mesmo após descobrir que está grávida. E ela, no caso, está correta: segundo autoridades no assunto, mulheres que já fazem esse tipo de treino podem (e devem!) continuar praticando para alcançar os inúmeros benefícios que ele promove especialmente na gestação.
Segundo o American College of Obstetricians and Gynecologists, esse tipo de treino durante a gravidez ajuda no controle de peso, reduz os riscos de complicações, melhora a disposição e a saúde mental e, inclusive, prepara melhor a mulher para o parto e o pós-parto.
Veja abaixo o que diz o personal de Lauana, o coach de nutrição e treinamento Fabricio Santos, sobre o assunto e confira dicas para colocar em prática!
Como treinar força na gravidez: benefícios, limitações e mais

Por muito tempo, gestantes foram vistas como pessoas em um estado frágil, que deveriam poupar esforços. Sendo assim, o treino de força na gravidez nem sempre foi bem visto ou indicado por profissionais. Segundo Fabricio, porém, isso mudou. “Esse mito é muito antigo e, na minha opinião, surgiu por falta de estudos que, hoje, a tecnologia traz para nós”, pontua.
Segundo o personal, esse tipo de treino proporciona benefícios valiosos para gestantes, como controle das oscilações emocionais, controle do ganho de peso, controle do aumento da gordura corporal, melhora da retenção de líquido e melhor recuperação no pós parto.
Algumas instituições médicas como a Mayo Clinic e o NHS, por exemplo, vão além. Elas listam ainda redução das dores nas costas típicas da gravidez, redução do risco de complicações como diabetes gestacional e pré-eclâmpsia, e melhor adaptação do corpo para o trabalho de parto.
Todas podem treinar força na gravidez?

Conforme explica Fabricio, mulheres que já treinam força e engravidam podem, diante de liberação médica, seguir com seus treinos com algumas modificações. Elas devem evitar, por exemplo, exercícios que causam pressão abdominal (como os feitos na mesa flexora e no leg press), saltos e qualquer outra prática que gera carga excessiva no abdômen.
Já para mulheres que não têm o exercício físico como hábito, engravidam e querem treinar, há ressalvas. “Precisa tomar cuidado principalmente com carga e movimentos errados. Quando a gente começa a treinar e não sabe, é preciso aprender a treinar primeiro para depois começar a progressão de carga. Quem não treinava antes, pode começar, mas precisa ter monitoramento”, explica o personal.
Em primeiro lugar, a gestante deve ter liberação médica para isso, especialmente se nunca treinou antes. Isso porque mulheres com pré-eclâmpsia, risco de parto prematuro, descolamento de placenta, sangramento vaginal, anemia severa e insuficiência cervical não devem apostar nesse tipo de treino – e, às vezes, sequer podem fazer atividades físicas.
Além disso, mulheres com doenças cardíacas e pulmonares significativas pré-existentes e não relacionadas à gestação precisam de avaliação médica rigorosa antes de iniciar a prática mesmo quando não estão grávidas.
Dicas para treinar força na gravidez

Fabricio explica que, após a liberação médica, algumas práticas são interessantes para as mamães que querem começar ou continuar treinando força. Veja dicas do personal abaixo:
Treine com supervisão especializada
Quem nunca treinou e quer começar na gestação, precisa aprender a executar os exercícios da forma correta. Enquanto isso, quem já mantinha o hábito de treinar antes de engravidar e quer continuar, precisa fazer adaptações no treino. Tudo isso leva a um denominador comum: a necessidade de supervisão profissional.
Nesse contexto, o especialista indica que essas mulheres busquem um bom profissional de educação física. Com isso, os treinos serão elaborados por alguém competente, e as praticantes serão guiadas ao longo da prática, aumentando os benefícios, favorecendo a conquista de objetivos e minimizando riscos.
Atualmente, diversos profissionais da área têm formação específica voltada para a prática de exercícios por gestantes. Esses profissionais têm a expertise necessária para entender o que faz mal e o que mais beneficia a mulher na gravidez – então vale consultá-los!
Tenha atenção com os grupos musculares mais “valiosos” para a gestação
Segundo Fabricio, alguns grupos musculares são especialmente recrutados no dia a dia conforme a barriga da mulher cresce e o peso do bebê aumenta na gestação. “A gente fala principalmente de membros inferiores – perna e glúteo – vai ajudar muito. Mas dorsal [laterais das costas], lombar [base das costas] e o músculo transverso do abdômen”, pontua.
Isso não significa, porém, que outros grupos musculares como ombros, panturrilhas, bíceps e tríceps, por exemplo, não são importantes.
Treine todo o corpo
A maior dica de Fabricio é fazer um treino global – ou seja, treinar o corpo todo – e ele explica o porquê. “Eu poderia sugerir um agachamento, mas, para fazê-lo, você não precisa só de pernas fortes, precisa de músculos auxiliares como glúteo, dorsal, lombar e o abdômen mais fortes. Assim, a pessoa vai agachar com mais qualidade”, exemplifica.
Segundo ele, isso não só promove mais benefícios como também previne lesões. “Um músculo nunca é ativado sozinho, ele precisa dos auxiliares. Muitas lesões que acontecem na academia são porque a pessoa tem um músculo mais forte e um mais fraco que auxilia no movimento. Ela acaba lesionando o mais fraco. Ter o corpo forte por completo é a solução!”, pontua.
Ter atenção com os sinais de alerta
Mesmo com liberação médica, a gestante deve se atentar a sinais de alerta durante o treino e no dia a dia. Ela precisa abandonar a atividade imediatamente e buscar atendimento ou orientação obstétrica se notar:
- Sangramento vaginal;
- Dor abdominal intensa;
- Tontura;
- Falta de ar antes do esperado durante a prática;
- Dor torácica;
- Fraqueza significativa.






