A manipulação de produtos de skincare caros tem feito a cabeça das apaixonadas por autocuidado
O interesse das pessoas pelo mundo do skincare nunca esteve tão em alta como nos últimos anos, e as redes sociais têm certo papel nisso: vídeos que incentivam o consumo de produtos de pele diferentões não demoram muito para viralizar.
Dessa forma, se há quem tem poder de compra para adquirir qualquer novo “cosmético do momento”, há também quem não tem. E é onde surge a ideia de que mandar manipulá-los em farmácias, com as mesmas fórmulas dos originais, é uma forma de economizar e não ficar de fora das tendências.
Contudo, mesmo que de início o conceito pareça funcionar, ele não é seguro, de acordo com Kamilla Coelho, farmacêutica esteta. Isso porque reproduzir a mesma fórmula de um produto não garante que o desempenho será o mesmo do original, que, muitas vezes, é bem mais caro – mas com motivo! Abaixo, saiba o porquê:
Manipulação de produtos de skincare não é boa ideia

Um dos motivos que fazem a manipulação de produtos de skincare não ser segura é o fato de não ser possível garantir o mesmo desempenho de um cosmético industrializado, mesmo quando a fórmula reproduz os mesmos ativos. Afinal, o resultado final não depende apenas dos ingredientes, mas também da tecnologia empregada no desenvolvimento da formulação.
“Os produtos industrializados passam por um longo processo de pesquisa e desenvolvimento, com estudos para definir a melhor combinação de ativos, veículos, sistemas de liberação e permeação na pele. Além disso, são produzidos com processos altamente padronizados e validados”, explica Kamilla Coelho.
É verdade que farmácias de manipulação seguem rigorosos padrões de qualidade e normas da vigilância sanitária, mas, na prática, elas trabalham com processos artesanais e individualizados. Isso traz limitações tecnológicas em relação à indústria.
Além disso, Coelho ressalta que alguns ativos também são mais desafiadores de manipular, principalmente aqueles que apresentam maior instabilidade química ou exigem tecnologias específicas de formulação para manter sua eficácia.

“A própria base da formulação costuma ser diferente na manopulação, e isso pode influenciar diretamente a absorção, textura, estabilidade e a experiência de uso. Por isso, mesmo com ativos semelhantes, dificilmente o desempenho será exatamente o mesmo”, pontua a especialista.
Quando a manipulação deve ser uma opção?

A indústria de skincare investe não somente em tecnologias que aumentam a estabilidade dos ativos, mas também em testes de estabilidade para garantir que o produto mantenha suas características durante toda a validade. E esse investimento faz parte do custo do item – seja um creme hidratante, sérum ou ácido.
Já os manipulados não passam pelo mesmo conjunto de estudos. Ainda assim, de acordo com Coelho, há casos em que a manipulação vale realmente a pena.
“A manipulação é uma excelente alternativa quando existe a necessidade de personalizar um tratamento ou quando não há um produto industrializado que atenda às necessidades do paciente. Isso acontece, por exemplo, em alguns protocolos para melasma, nos quais é possível associar ativos em concentrações específicas prescritas por um médico”, conclui a profissional.

