Por que os astros são redondos, orbitam no sistema solar e não “perdem o rumo”?

por | mar 31, 2017 | Ciência

O sistema solar e todas as outras formas de organização conhecidas no universo têm formação bastante semelhante: um núcleo extremamente massivo cuja gravidade faz rotacionar a seu redor diversos corpos siderais.

Nos sistemas estelares – como o nosso sistema solar – esses corpos que rotacionam são os planetas ao redor do Sol. No caso de uma galáxia, são os sistemas estelares que fazem esse papel. 

Movimentos rotacionais: quanto mais massa, mais gravidade

A maior massa do nosso sistema estelar é o Sol, que constitui 99,86% de toda a matéria que temos por aqui. De acordo com a Teoria da Relatividade, de Albert Einstein, o Sol, assim como qualquer outra estrela, é capaz de transformar essa massa em energia, em um processo de fusão nuclear – processo semelhante ao que produz a bomba.

Ao redor do Sol

Para a Teoria da Relatividade, o peso da gigantesca massa do Sol ainda produz uma força tão grande no tempo-espaço que atrai todos os demais corpos a seu redor: este é seu campo gravitacional.

Via Láctea

O caso da Via Láctea é mais complexo. Um buraco negro supermassivo, de massa três milhões de vezes superior a do Sol, é o ponto central da galáxia, mas para manter sua coesão e estabilidade é preciso a soma da massa de seus 400 bilhões de estrelas.

NASA

Por que os planetas, então, não voam em direção ao Sol?

Cada um dos corpos celestes possui sua própria força orbital, definida desde o momento em que o astro se constitui no universo, seja ele formado de rocha ou gás. Esta força age sob o princípio da inércia, ou seja, a velocidade com que o corpo vaga pelo cosmo será sempre o mesmo, a não ser que sofra alguma interferência externa.

No caso da Terra, por exemplo, sua força orbital encontrou um ponto de equilíbrio com a gravidade do Sol e sua rota se mantém estável em torno da estrela, assim como todos os outros planetas de nosso sistema.

Se um planeta tiver uma velocidade de órbita muito baixa, será atraído pela estrela de modo a ser engolido por ela. Caso sua velocidade seja mais alta que o ponto de equilíbrio com a gravidade estelar, este planeta pode fugir de seu sistema.

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E os satélites?

A lógica é a mesma das galáxias e dos sistemas estelares. Os satélites têm força orbital baixa e ao se aproximarem de planetas com massa muito superior a deles acabam cooptados para seu campo gravitacional.

“O caso da Lua é incomum, é um satélite bastante grande em relação a seu planeta. Sabemos que, neste caso, a Terra e a Lua se formam nesta configuração na fundação do sistema solar”, explica o professor Roberto Costa.

NASA

Círculo: forma de maior equilíbrio

Todos estes astros têm forma arredondada. E isto não é por acaso. “A origem dos planetas é a poeira das estrelas, ou seja, glóbulos de gás que vão girando e formando esse disco. Quando esses pedaços se colidem, podem formar o que entendemos como planetas, compostos de gás ou rocha”, explica Roberto.

NASA

Os astros, então, assumem suas rotas em trajetórias circulares equatoriais, em torno de um mesmo eixo. Assim, os grandes corpos vão tomando forma esférica – no caso de cometas e asteroides, são fragmentos tão pequenos que geralmente nem chegam a se arredondarem.

“É uma questão dinâmica. O círculo é a figura de maior equilíbrio no universo, devido à gravidade, é natural que todas as formas tendam à condição de esfera”, conclui o professor.

Espaço sideral