Uma troca de olhares aqui, uma ajudinha com um relatório ali, uma reunião para debater idéias acolá e uma grande cumplicidade no ar, que tem tudo para virar algo mais. Quem nunca se sentiu atraído por um colega de trabalho? Alguns atribuem a convivência por muitas horas como um facilitador para a aproximação no escritório. As histórias são mais comuns do que se imagina, porém, manter uma relação assim requer, além dos cuidados normais de um namoro, muito tato e discrição total.
De acordo com os especialistas da área de recursos humanos, a primeira precaução que deve ser tomada é a intensidade do sentimento. Em poucas palavras: evite o envolvimento quando você sabe que só vai ficar na curtição. “Imagine se você sair com uma pessoa e no dia seguinte o escritório todo ficar sabendo detalhes? Sem querer você arranhou sua imagem profissional por pura precipitação”, exemplifica o psicólogo Rogério Rivera. De acordo com ele, a maturidade nesses casos é fundamental. “Você só sabe que o outro é maduro o suficiente para bancar um envolvimento desse com o tempo, e aí a tendência é que a relação seja mais sólida e perdure”, afirma.
Quando o relacionamento engata, o casal deve, primeiramente, ver qual é a política da empresa em relação ao assunto
A assistente jurídica T.P. sabe bem o que é isso. Ela trabalhava há pouco mais de um ano no departamento jurídico de uma empresa sediada no Rio de Janeiro quando começou a se envolver com um colega. Depois de algumas semanas trocando mensagens eletrônicas maliciosas com E.S. ela resolveu sair com ele numa sexta-feira depois de muita insistência do rapaz. Na segunda-feira, ao retornar ao trabalho, ela percebeu que a ala masculina do departamento a olhava com ironia. Pouco tempo depois soube que a relação dos dois já estava na boca do povo. “Eu fui uma burra. Ele inventou um monte de histórias, chegando a falar que eu tinha transado com ele, mas isso não aconteceu”, relembra.
A história durou uma semana, até que T. foi demitida. O chefe alegou que a situação estava insustentável e que as pessoas já tinham perdido o respeito por ela. “Se eu tivesse numa área mais informal, talvez eu pudesse reverter a situação, mas numa área jurídica é bem mais complicado”, constata. O problema não parou por aí. Quando foi procurar um novo emprego, o entrevistador questionou o motivo pelo qual T. tinha sido demitida. A mentira foi a única saída encontrada. “Eu ia falar o quê?”. O consolo da moça foi saber que tempos depois E.S. tinha sido demitido. O motivo? Tinha feito a brincadeira com mais uma mulher do departamento.
Não deu certo
Quando o relacionamento engata, o casal deve, primeiramente, ver qual é a política da empresa em relação ao assunto. Ainda existem muitas empresas que impedem a formação de casais entre os funcionários. Mas, segundo o psicólogo e consultor empresarial Ricardo Estevam essa realidade está mudando. Segundo ele, certas companhias acreditam que um namoro aumenta a produtividade. “Mas existe a visão do RH e o da chefia imediata. É importante conversar com o gestor direto, explicar a situação e ver o posicionamento dele. Alguns ficam com medo de que o funcionário não vá trabalhar e tentam realocar os profissionais”, exemplifica.
Porém, o principal desafio que o casal tem que passar é separar a vida pessoal da profissional. Ciúmes, brigas e problemas domésticos devem ser deixados do lado de fora do escritório. E esqueça os apelidos carinhosos durante o expediente. A postura do profissional fica bem mais visada e todo cuidado é pouco para evitar os desconfortos e as temidas fofocas.





