Letticia Munniz diz que compulsão alimentar surgiu após bullying: como acontece?

Letticia Munniz diz que compulsão alimentar surgiu após bullying: como acontece?

De criança atleta, Letticia Munniz passou a adolescente com transtornos alimentares e ódio por atividade física

A modelo e apresentadora Letticia Munniz usou o Instagram para alertar como o bullying contra crianças e adolescentes pode desencadear problemas como transtornos alimentares e uma relação ruim com atividade física.

De uma criança atleta, eu virei uma que se escondia, sentia ódio, repulsa, nojo do próprio corpo. E que fazia todo tipo de loucura para emagrecer, até desenvolver todo tipo de transtorno alimentar e ter que lidar com uma compulsão alimentar pro resto da vida”, desabafou Letticia

Relato de Letticia Munniz

De criança atleta, Letticia Munniz passou a adolescente com transtornos alimentares e ódio por atividade física
(Crédito: Reprodução/ Instagram @letticiamunniz)

Quando criança, a modelo foi ginasta, a ponto de subir no lugar mais alto do pódio com frequência em competições. 

Mas esse amor pelo esporte mudou quando o meu corpo mudou. Eu tinha vergonha porque tinha pernas muito grossas e braços fortes. O bullying que eu sofria na escola sendo chamada de ‘coxinha’ reforçou ainda mais a ideia que eu, uma criança de 10 anos, desenvolvi: de que o meu corpo era motivo de vergonha e deveria, sim, ser escondido.

Com apenas 10 anos, Letticia passou a desenvolver comportamentos associados a transtornos alimentares. Já a atividade física que amava passou a fazer apenas por pressão e “odiando cada segundo”, como contou em outra publicação.

“É uma vitória enorme aos 36 anos, idade em que nós mulheres começamos a ter muitas questões hormonais e mudanças corporais, fazer as pazes com o esporte e me lembrar o quanto eu amo mover meu corpo.

Letticia Munniz
(Crédito: Reprodução/ Instagram @letticiamunniz)

Bullying causa transtorno alimentar?

Compulsão alimentar, anorexia e bulimia são exemplos de transtornos alimentares. São condições causadas por uma combinação de fatores:

  • • Componentes biológicos
  • • Genética
  • • Problemas psicológicos
  • • Questões familiares
  • • Situações socioculturais

O problema tende a ser causado por uma soma de fatores, como explica o Programa de Transtornos Alimentares da Universidade de São Paulo. Estudos também mostram que casos de bullying podem, sim, influenciar. 

O tratamento dos transtornos alimentares se dá através de acompanhamento multidisciplinar, incluindo psiquiatra, psicólogo e nutricionista, além de pediatra ou hebiatra no caso de crianças e adolescentes.

Características da compulsão alimentar

O transtorno conhecido como compulsão alimentar é caracterizado por episódios em que a pessoa come muito mais do que o normal, com uma sensação de que não consegue parar.

Um conjunto de sintomas caracteriza o problema:

  • • Comer mais rapidamente do que o normal.
  • • Comer até se sentir desconfortavelmente cheio.
  • • Comer grandes quantidades de alimento na ausência da sensação física de fome.
  • • Comer sozinho por vergonha do quanto se está comendo.
  • • Sentir-se deprimido ou muito culpado em seguida.
  • • Sofrimento pela compulsão alimentar.

Sinais de bullying

Bullying
(Crédito: freepik/ Freepik)

A prática de atitudes agressivas e de intimidação, infelizmente ainda comum em ambientes escolares, é classificada como bullying, que pode ser físico, verbal, escrito, material, digital (cyberbullying), moral, social ou psicológico, de forma direta ou indireta.

Depressão, ansiedade e baixa autoestima podem ser tanto consequência como fator motivador do bullying. Mas pesquisadores identificaram que as vítimas são mais propensas a desenvolver dor de estômago, insônia, cefaleia, tensão, incontinência urinária, fadiga e falta de apetite.

Alguns sinais que merecem atenção da família são: 

  • • Alterações no comportamento da criança ou adolescente, como agitação, isolamento.
  • • Falta de interesse pelas atividades. 
  • • Recusa em frequentar as aulas. 
  • • Choro constante. 
  • • Presença de machucados recorrentes, como arranhões e hematomas.
  • • Atendimentos frequentes no serviço médico escolar.
  • • Queda no rendimento escolar.
  • • Mudanças nos hábitos alimentares. 
  • • Mudanças de humor. 
  • • Dor de cabeça.
  • • Pedido frequente de dinheiro extra.

Este conteúdo contém informações da Classificação Internacional de Doenças, da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica, do Programa de Transtornos Alimentares da Universidade de São Paulo, da Sociedade Brasileira de Pediatria e da Universidade Federal do Ceará

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