A jornalista Amélia Santos, 29 anos, admite que não conseguiu administrar o ciúme. Entre uma reportagem e outra, ela começou a namorar um colega de jornal. Porém, ela deixou o ciúme tomar conta. Ela preferia fazer trabalhos dentro da redação a sair para apurar matérias na rua. Tudo para vigiar o amado. Resultado: menos de seis meses depois o relacionamento desandou, transformando-se numa situação desconfortável. “A redação inteira sabia que estávamos juntos. Era quase uma novela, eles acompanhavam as brigas, as reconciliações. Além disso, a minha produtividade estava diminuindo. Mas o pior mesmo é ver a pessoa todos os dias depois que termina”, conta ela, que ficou quase um ano ainda sofrendo com a situação.
Até hoje Amélia e João trabalham juntos. Para ela, o mais difícil é conciliar a postura profissional e as fofocas dos colegas. “Tem que saber dosar, que é algo que eu ainda não sei fazer. Hoje sou partidária do ‘onde se ganha pão, não se come a carne’. Pra mim, chega! Não quero mais saber de namoro no trabalho”, proclama.
Para a médica Yamê Lins, 31 anos, a grande dificuldade é manter a chama do relacionamento acesa. “Ver a pessoa todo dia é muito desestimulante. Sabe a conversa que não muda? A gente acaba falando de pacientes, cirurgias, ficamos sem novidade para contar… Em pouco tempo você cansa”, reconhece. O casamento da médica está chegando ao fim, depois de quatro anos de união. Ela acredita que a rotina de casa e do trabalho foi o que minou a relação. “Não sentia saudades. Ele estava ao meu alcance a qualquer momento”, conta. Pelo menos por enquanto Yamê terá que conviver com o ex-marido na clínica em que trabalham.
Deu certo
Mas não existem somente histórias tristes e complicadas entre colegas de trabalho. Há quem jure que a situação tem mais aspectos positivos que negativos. Um deles é o analista financeiro Herman Novaes, 35 anos. Ele já passou por essa situação duas vezes e afirma que o maior problema está na aproximação. “É uma situação bem complicada porque você fica com receio em demonstrar o interesse, não sabe qual vai ser a reação da pessoa”, diz. Porém, depois desta etapa, tudo é perfeito. “As vantagens são muitas: você sempre tem a pessoa por perto, ela entende as dificuldades no trabalho e a gente cria uma cumplicidade muito maior”, enumera.
Você não pode ser intermediário do seu parceiro. Cada um tem que saber suas responsabilidades. A cobrança pelo trabalho do outro não pode vir para você
Mas, e quando o namoro termina? “Tudo vai depender de como o casal lidou com a situação. Essa possibilidade tem que ser trabalhada desde o começo para não influir no trabalho. No meu caso nunca tive problema porque conversávamos sobre”, revela. Até hoje ele divide espaço no escritório com a ex-namorada Patrícia. “E ainda trabalhamos muito bem juntos”, complementa.
Além de conversar bastante e estabelecer regras para esse tipo de relacionamento, a coordenadora de marketing Paula Villela afirma que a pessoa tem que saber se posicionar. “Você não pode ser intermediário do seu parceiro. Cada um tem que saber suas responsabilidades. A cobrança pelo trabalho do outro não pode vir para você”, defende ela, que namora há dois anos com o designer argentino Ulises Gasparini. “Fiquei atenta para não desempenhar o papel de secretária, de despertador dele”, diz.
Ela afirma que atualmente os dois já conseguem separar bem o trabalho e o namoro, mas admite que tem medo quando a relação ficar mais séria e eles forem morar juntos. “Ficar 24 horas com uma pessoa não é brincadeira. Tenho medo que a relação se desgaste”. Ela já usou um artifício para não causar problemas maiores. Antes, os dois sentavam lado a lado e a tendência a vigiar o que o outro estava fazendo era maior. Hoje, eles se sentam um de costas para o outro. “A gente procura respeitar a individualidade do outro”, dá a dica.
O psicólogo e consultor empresarial Ricardo Estevam afirma que os relacionamentos no trabalho são muito comuns pois é mais fácil conhecer o parceiro. E a admiração pela postura profissional, ética da pessoa contribui para o envolvimento. Ele, entretanto, não apóia o namoro no trabalho. Porém, se não há como mandar no sentimento, é possível controlar o pensamento. “A pessoa tem que entender que o parceiro não pertence a ela. Ali ele é um profissional. Se conseguir entender isso, a relação tem mais chance de ser bem sucedida”, finaliza.





