É importante adequar a linguagem usada ao momento e ao ambiente. Se estiver com pessoas de outras áreas, com entendimento menor do assunto ou de escolaridade mais baixa, é preciso que o profissional faça adaptações na linguagem para que seja entendido por todos. “É claro que nem sempre podemos evitar que leigos participem como ouvintes de um diálogo que deveria ser entre pares. Mas comunicação é uma ferramenta e quem realmente domina o assunto é capaz de traduzir bem o que diz para cada audiência. Obviamente sempre há aqueles que avaliam o livro pela capa e esperam ouvir algum estrangeirismo como forma de avaliar se o outro é do mesmo time. O bom comunicador deve ser capaz até de identificar esse tipo de pessoa”, diz Mário Persona.
A língua se enriquece continuamente, seja através do uso que se faz dela, seja agregando expressões e conteúdo novos, que não existiam em seus primórdios
O consultor de comunicação empresarial Gustavo de Matos, autor do livro ” A Cultura do Diálogo“, afirma que o profissional não pode deixar a linguagem corporativa se tornar um idioma oficial e que é necessário bom senso na hora de se comunicar. “É totalmente desproposital numa conversa com amigos utilizar jargões e termos do meio corporativo. Revela o perfil de uma pessoa tecnocrata, pouco criativa e condicionada a reproduzir discursos sem sentido. Duvido muito das lideranças que costumam utilizar frases do tipo: ‘Precisamos de maior approach para agilizar o processo e otimizar os resultados’ “.
Se muitos vêem no uso de termos estrangeiros uma demonstração de esnobismo, para alguns especialistas, o surgimento de peculiaridades na linguagem corporativa é algo natural, já que os diferentes segmentos da sociedade também possuem formas únicas de se comunicar. Há quem levante a bandeira de que é necessário traduzir estas palavras, antes de disseminá-las no cotidiano das empresas. Seria uma forma de evitar confusões e também de proteger o idioma nacional.
Proteção à Língua Portuguesa
Fora do mundo corporativo, o debate sobre o tema também é intenso. No final de 2007, a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei para proibir o uso de palavras estrangeiras em meios de comunicação, documentos oficiais, peças publicitárias e letreiros de estabelecimentos comerciais.
A proposta levanta muitas discussões, pois esbarra na percepção de estudiosos da língua de que é justamente esse intercâmbio lingüístico que torna a língua mais rica. Para o consultor Gustavo de Matos, os estrangeirismos não podem ser vistos como uma ameaça: “A língua se enriquece continuamente, seja através do uso que se faz dela, seja agregando expressões e conteúdo novos, que não existiam em seus primórdios”.
O consultor Mário Persona lembra que, ao vetar estrangeirismos para manter o idioma intacto, precisaríamos eliminar também palavras que já foram agregadas, o que seria um problema. “Deveríamos parar de pedir pizza no restaurante. Já incorporamos os verbos deletar e zipar, porque isso é muito mais fácil do que dizer remover e compactar. No inglês, já se usa o verbo ´to google´, e nem por isso Shakespeare se revirou no túmulo. Não é possível acreditar que vamos viver em um mundo globalizado sem que ocorra uma amalgamação dos idiomas. Algo como aquelas massinhas coloridas de modelar que, de tanto brincar, você termina com uma massa cinza. Sim, ela é mais feia do que as coloridas originais, mas esse foi o risco que você correu ao colocá-las em contato”, conclui.





