Primeira ida ao urologista

Primeira consulta no ginecologista ou urologista: quando levar os filhos?

Pediatra pode acompanhar a(o) adolescente até os 19 anos, mas algumas queixas ou fases da vida podem exigir acompanhamento especializado

Antes mesmo do bebê nascer, um pediatra ou médico de família já começa um acompanhamento do desenvolvimento da criança. Mas e quando a fase da adolescência se aproxima, é preciso mudar esse cuidado?

Entidades médicas explicaram ao Mulher que o pediatra ou médico de família são capacitados para acompanhar tanto crianças quanto adolescentes, até os 19 anos. O atendimento com ginecologista ou urologista só precisa ser feito quando há necessidade de orientação especializada ou a vida sexual é iniciada.

Saúde da criança e do adolescente

Primeira ida ao ginecologista
(Crédito: freepik/ Freepik)

O Mulher entrou em contato com as Sociedades Brasileiras de Pediatria, Urologia e das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, além do Ministério da Saúde, para entender qual a recomendação para os pais e responsáveis por crianças e adolescentes.

O pediatra Tadeu Fernando Fernandes, presidente do Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial da Sociedade Brasileira de Pediatria, explicou que o médico pediatra é capacitado para orientar sobre as principais questões ginecológicas e urológicas:

  • • Primeira menstruação;
  • • Cólicas menstruais;
  • • Irregularidades menstruais;
  • • Fimose;
  • • Tamanho do pênis e dos testículos;
  • • Higiene do pênis;
  • • Prevenção da gravidez na adolescência;
  • • Prevenção de infecções sexualmente transmissíveis;
  • • Indicação de vacinas como a do HPV;
  • • Avaliação hormonal;
  • • Infecções urinárias;
  • • Entre outros.

“As meninas, quando têm a primeira menstruação, não precisam ir ao ginecologista e nem fazer o exame ginecológico profissional. Somente o exame físico pediátrico, sempre na presença do acompanhante, é suficiente”, afirma o especialista.

Por outro lado, a ginecologista Rosana Maria Dos Reis, presidente da Comissão Nacional Especializada em Ginecologia na Infância e Adolescência da Federação Brasileira das Associações em Ginecologia e Obstetrícia, defende que a primeira ida ao ginecologista logo na primeira menstruação pode ser importante por conta das grandes mudanças que a adolescente passa nessa fase.

Já a urologista Tereza Cristina Monteiro de Melo Prazeres, coordenadora do Departamento de Urologia do Adolescente da Sociedade Brasileira de Urologia, concorda que a pediatria ou a hebiatria (mais focada na saúde de adolescentes) cobrem boa parte do cuidado rotineiro com meninos e adolescentes. O problema é quando essa fase passa e os homens deixam de fazer um acompanhamento médico de rotina.

Vida sexual ativa e vida adulta

Início da vida sexual
(Crédito: garetsvisual/ Freepik)

Quando ou se o adolescente der início à vida sexual, é importante que seja encaminhado ao ginecologista ou urologista para realização de exames específicos. De qualquer forma, o pediatra vai saber encaminhar ao profissional mais adequado, assim como faz com outras necessidades do paciente.

O que acontece é que as meninas deixam de ir ao pediatra e seguem com as consultas com o ginecologista, mas os meninos deixam de ir ao pediatra e não fazem consulta com nenhum médico até a idade adulta, ou somente quando adoecem. O urologista atua de forma complementar nesse cuidado dos meninos, ou de forma específica quando há sinais, sintomas ou condições que envolvem o trato urinário, órgãos genitais ou função reprodutiva”, explica Tereza Cristina.

Assim como a consulta ginecológica, a consulta com urologista deve ser feita ao menos uma vez ao ano, orienta a especialista.

Médico da família no SUS

Atendimento de crianças e adolescentes no SUS
(Crédito: Rovena Rosa/ Agência Brasil)

O atendimento realizado no Sistema Único de Saúde funciona de forma semelhante, mas com um médico de família e comunidade e/ou enfermeiro.

Os adolescentes podem, inclusive, buscar por atendimento, principalmente nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), até mesmo sozinhos, sem a necessidade de acompanhamento dos pais ou responsáveis.

A recomendação é que jovens e adolescentes realizem, no mínimo, uma consulta anual na Atenção Primária à Saúde para o acompanhamento do crescimento e desenvolvimento, com foco na saúde integral, preferencialmente com médico de família e comunidade e/ou enfermeiro. Quando necessário, o paciente será encaminhado para o urologista ou outro especialista, garantindo a continuidade do cuidado”, diz nota do Ministério da Saúde.

Ginecologista pode ajudar em nova fase

(Crédito: freepik/ Freepik)

A dra. Rosana nos contou que os dados mais recentes mostram que a maior parte das meninas começa a apresentar mudanças no corpo a partir dos 10 anos. Já a primeira menstruação chega por volta dos 12 anos.

Nessa idade existe a oportunidade de criar um vínculo com um(a) ginecologista. A especialista afirma que normalmente as meninas chegam ao consultório porque “a mãe levou”, não porque querem, mas dá para quebrar esse gelo e já mostrar naturalidade nesta nova fase e nova relação.

“Não precisa necessariamente nem mesmo fazer o exame ginecológico, mas já explicar o que representa a menstruação, falar sobre a idade reprodutiva, as mudanças no corpo, como é o ciclo, o que esperar, quais cuidados tomar, responder dúvidas sobre absorventes…

Outro ponto importante é a educação sexual. Um(a) ginecologista pode conseguir uma troca mais aberta sobre o tema para dar até mesmo empoderamento para a adolescente conseguir dizer “não” em seus relacionamentos.

Quando um urologista é importante

(Crédito: andreas/ Freepik)

A pediatria acaba não conseguindo englobar todas as necessidades do paciente porque algumas queixas exigem uma avaliação mais especializada, como uma dor testicular persistente, por exemplo.

“O urologista tem treinamento para avaliar, diagnosticar e tratar especificamente condições do sistema urinário e genital masculino, incluindo aspectos de puberdade, função testicular e problemas que podem impactar a fertilidade futura”, explica dra. Tereza Cristina.

Além de falar sobre bons hábitos de vida, um urologista também pode abordar temas mais específicos, como orientação sobre disfunção erétil em adolescentes maiores, contracepção e prevenção de infecções sexualmente transmissíveis.

Mas o principal é que a primeira ida ao urologista pode incentivar o adolescente a cuidar da própria saúde também na vida adulta.

Leia mais: