A canadense Anne Carson, conhecida por misturar uma série de gêneros literários e escrever obras cheias de humor e reflexão, se tornou a 19ª mulher a vencer o prêmio
Se tornando a 19ª mulher na história a vencer a premiação, a escritora canadense Anne Carson conquistou o Prêmio Nobel de Literatura 2026. Segundo comunicado oficial da Academia Sueca, responsável por conceder a láurea, a escolha de Carson se deu por sua “obra ousada e inventiva que, em diálogo lúdico com a tradição clássica, criou novas formas para a literatura contemporânea”.
Saiba abaixo quem é Anne Carson e mais detalhes sobre sua premiação como Nobel da Literatura 2026.
Anne Carson é a 19ª mulher a vencer Nobel de Literatura
Atualmente vivendo na Islândia, a poeta canadense Anne Carson recebeu boquiaberta a notícia de que venceu o Prêmio Nobel de Literatura de 2026. Nas redes sociais oficiais do prêmio, a escritora surgiu com expressão de choque segurando o telefone na cozinha de casa ao tornar-se a 19ª mulher na história a alcançar o feito.
“Loucos. Acho que eles estão loucos… Bem, você sabe, é loucura”, disse ela à publicação islandesa “RÚV”, em sua única declaração até o momento, antes da entrevista oficial da premiação. Em 2026, o valor do Prêmio Nobel ficou definido em 12 milhões de coroas suecas (o equivalente a cerca de R$ 6 milhões).

Quem é Anne Carson
Anne Patricia Carson nasceu em Toronto em 1950. Filha de Ela é poeta, ensaísta, tradutora, classicista e professora, e o amor pela linguagem começou na escola, quando ela teve contato com a língua da Grécia antiga e passou a ter aulas particulares sobre isso.
Ainda que sempre tenha prezado pelo conhecimento – e eventualmente se tornado professora – a trajetória de Anne nos estudos foi caótica. Ela largou alguns cursos e pulou de uma faculdade para outra até se formar, em 1974, em Letras Clássicas. Além disso, a autora tem também mestrado e doutorado na mesma área, além de estudos de grego.
Como professora, ela lecionou na Universidade de Calgary, Princeton, Emory e McGill e na Universidade de Michigan, além de integrar o programa de escrita criativa da NYU.
Em suas obras, o traço mais forte da escritora é o de recusar as fronteiras entre gêneros, misturando estilos, referências e formatos. Nesse contexto, poemas, ensaios, tradução, entrevista e ficção, por exemplo, aparecem juntos em uma mesma obra. A forma como ela escreve poesia, inclusive, já foi destacada como inovadora, algo que “usa o pensamento clássico para entender o presente”.
Principais obras de Anne Carson

As obras de Anne passam por temas como paixão e catástrofe. Entre as principais (com possibilidade de encontrar no Brasil em versões traduzidas), é possível citar:
“Eros, o Doce-Amargo: Um Ensaio” (1986)
Em um livro sobre o desejo amoroso, que dá prazer, mas machuca ao mesmo tempo, Carson parte de uma palavra criada pela poeta grega Safo para descrever esse sentimento e mostra como ele aparece nos romances gregos e em Platão. A ideia central é a de que o desejo envolve três pontos: quem deseja, quem é desejado e quem fica entre os dois.
“Vidro, Ironia e Deus” (1995)
Se trata de uma coletânea com cinco poemas longos e um ensaio sobre amor, perda e a tentativa de entender o sagrado. Nele, o texto mais conhecido é “O Ensaio e Vidro”, sobre o fim de um amor.
“A Beleza do Marido: Um Ensaio Ficcional em 29 tangos” (2001)
Esta obra conta a história de um casamento que desmorona, contada em 29 partes curtas, os “tangos”. Nela, a autora mistura poesia e narrativa, passando por cenas de paixão, ternura, dor e humor.
“Sobre Aquilo que Eu Mais Penso: Ensaios” (2023)
Essa coletânea foi montada no Brasil e reúne onze ensaios sobre assuntos variados, como a forma como os gregos antigos ligavam corpo e desejo das mulheres à ideia de algo impuro. Nele, há também discussões sobre guerra.
“O Método Albertine” (2014)
Já esta obra fala sobre a paixão por um romance chamado “Em Busca do Tempo Perdido”, de Marcel Proust. Nesse contexto, Albertine é uma personagem do romance original, e Carson revisita a obra com uma mistura de impaciência, fascinação, humor e sofrimento, como quem briga com um livro que adora.
“Falas Curtas” (1992)
Esta obra reúne textos bem curtos, que parecem pequenos poemas em prosa, sobre assuntos variados. Isso inclui, por exemplo, viagens, lugares em ruínas e esperanças. Ele é bem-humorado e traz formas diferentes de ver as coisas do dia a dia.

