Os efeitos do boreout podem se estender para a vida pessoal, afetando relações, humor e até a saúde física
Na era da produtividade constante, o esgotamento profissional dominou as conversas sobre saúde mental no trabalho por muito tempo. Assim, o burnout virou sinônimo de jornadas longas, pressão constante e exaustão extrema.
Mas, no extremo oposto desse cenário, existe um outro fenômeno menos discutido e igualmente prejudicial para a saúde mental de quem está no mercado de trabalho: o boreout.
O que é boreout?

O termo “boreout” vem do inglês “boredom”, que significa “tédio”, e descreve um estado de desgaste emocional causado não pelo excesso de demandas, mas pela ausência delas.
É quando o trabalho deixa de desafiar ou fazer sentido, levando o profissional a um profundo tipo de desengajamento que pode gerar um ciclo perigoso: ele se sente desconectado, perde o interesse, passa a procrastinar e, com o tempo, desenvolve sintomas semelhantes aos do burnout, como ansiedade, irritabilidade e queda na autoestima.
Pessoas que enfrentam o boreout frequentemente relatam sensação de inutilidade, desmotivação e até vergonha por não conseguirem justificar sua própria função.
O que “cria” o boreout

O boreout costuma estar ligado à falta de propósito. Ou seja, quando as atividades não conversam com as habilidades ou interesses do profissional, o trabalho deixa de ser fonte de realização e passa a ser apenas uma obrigação mecânica.
Isso é comum em cargos muito repetitivos, funções mal definidas ou ambientes onde não há espaço para crescimento.
Já a ausência de feedback e reconhecimento também contribui para a sensação de estagnação.
Vale lembrar que, ao contrário do burnout, que é reconhecido como um fenômeno ocupacional relacionado ao estresse crônico, o boreout é considerado uma síndrome comportamental.
Como lidar
Muitas vezes, o boreout é confundido com preguiça ou falta de ambição, quando na verdade é um sinal de desalinhamento entre pessoa e função. Por isso, reconhecer o problema é o primeiro passo.

Em seguida, a orientação é buscar novos desafios dentro da empresa e até conversar com lideranças sobre redistribuição de tarefas. Em alguns casos, contudo, a mudança de área ou até de carreira também pode ser necessária.
Para as organizações, o recado é claro: manter equipes engajadas não depende apenas de evitar sobrecarga, mas também de oferecer propósito, autonomia e oportunidades reais de crescimento.

