Comportamento 27 de março, 2026 Por Bruna Somma

Você tem medo de dizer “não”? Síndrome da Boazinha pode estar te sabotando

síndrome da boazinha

A Síndrome da Bozinha mostra que ser “boazinha demais” não fortalece relações: muitas vezes, enfraquece

Você pede desculpa até quando não fez nada, revisa mil vezes uma mensagem para não parecer “grossa”, aceita convites, tarefas e responsabilidades mesmo sem tempo só para não decepcionar, e, quando finalmente pensa em dizer “não”, vem aquela culpa imediata?

Se isso soa familiar, talvez a questão não seja apenas gentileza.

Pode ser um padrão silencioso de comportamento em que agradar os outros virou prioridade: a “Síndrome da Boazinha”.

O que é a “Síndrome da Boazinha”?

mulher triste
(Créditos: Freepik)

Um dos nomes mais associados à popularização do termo “Síndrome da Boazinha” – que não é clínico, ou seja, você não vai encontrar em manuais como DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, 5ª Edição) – é a terapeuta Harriet B. Braiker, autora do livro “The Disease to Please” (2001).

Na obra, ela descreve o comportamento de pessoas, principalmente mulheres, que têm uma necessidade excessiva de agradar, mesmo que isso custe o próprio bem-estar.

Na prática, são pessoas que, mesmo sem perceber, sempre procuram evitar conflitos, têm medo de desagradar os outros e colocam vontades de terceiros – seja na vida pessoal ou profissional – em primeiro lugar, ignorando as próprias necessidades.

À primeira vista, essas características podem parecer positivas. Quem não gosta de alguém gentil e prestativo? No entanto, o problema surge quando isso vem acompanhado de anulação pessoal.

Como esse padrão se forma?

(Créditos: Freepik)

Esse comportamento geralmente tem raízes profundas. Muitas vezes, começa na infância ou adolescência, quando a pessoa aprende que ser aceita ou amada depende de agradar.

  • Educação muito rígida ou baseada em aprovação;
  • Experiências de rejeição;
  • Baixa autoestima;
  • Medo de abandono.

Sinais de alerta

síndrome da mulher maravilha
(Créditos: Freepik)

Nem sempre é fácil perceber, já que o padrão pode estar tão enraizado que parece “parte da personalidade”. Mas alguns sinais ajudam a identificar:

  • Você se sente sobrecarregada com frequência;
  • Tem dificuldade em expressar opinião contrária;
  • Sente ressentimento por fazer demais pelos outros;
  • Se culpa quando prioriza a si mesma;
  • Atrai relações desequilibradas (em que você doa mais do que recebe).

Dá para mudar?

síndrome da boazinha
(Créditos: Freepik)

Sim, e o primeiro passo é a consciência. Segundo especialistas, reconhecer o padrão não significa deixar de ser gentil ou empática, mas aprender a equilibrar isso com autocuidado e respeito por si mesma.

Afinal, existe uma grande diferença entre ser uma pessoa boa e ser uma pessoa que se anula. A verdadeira gentileza não exige sacrifício constante: ela também inclui você.

Algumas mudanças importantes incluem aprender a estabelecer limites claros e trabalhar a autoestima.

Terapia, independente da vertente, pode ser uma aliada muito importante nesse processo.

No fim das contas, a pergunta não é “como agradar mais”, mas ressignificar com: em que momento você começou a se deixar de lado?

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