A versão “perfeita” do estilo de vida “tradwife” exibida nas redes pode esconder desafios financeiros, emocionais e práticos
Em meio a trends do TikTok, rotinas gravadas e debates acalorados sobre feminismo, um termo tem aparecido com força nas redes: “Tradwife” (abreviação de “traditional wife”, que, em português significa: “esposa tradicional”).
No Brasil, o termo também é conhecido como “esposa troféu”.
Mas afinal, o que está por trás desse estilo de vida que mistura aventais antigos, pão caseiro e discursos sobre papéis de gênero?
Tendência “tradwife”: o que significa?
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♬ Somewhere Only We Know – rhianne
À primeira vista, os vídeos do universo tradwife parecem saído de um comercial dos anos 1950: mulheres com vestidos rodados e pouquíssima maquiagem preparando o café da manhã do zero, organizando a casa com delicadeza, cultivando hortas e falando sobre a importância de “servir” ao marido e à família.

Isso porque a filosofia tradwife valoriza a divisão tradicional de papéis, conscientemente escolhida pela mulher, dentro do casamento: o homem como provedor financeiro e ela como responsável pelo lar e pela criação dos filhos.
Assim, as tradwives são mulheres que acreditam que abrir mão de uma carreira fora de casa pode ser um ato de liberdade pessoal.
Por que tal “cultura” voltou agora?

A ascensão das tradwives não acontece no vazio. Alguns fatores que contribuem são o cansaço do hiperprodutivismo e uma certa nostalgia digital, além do contexto de polarização política atual – onde modelos tradicionais de família voltam a ser exaltados por determinados grupos.
E, enquanto críticos argumentam que o movimento pode romantizar desigualdades históricas, ignorando o fato de que, no passado, muitas mulheres não tinham escolha, as defensoras questionam: se o feminismo luta pelo direito de escolha, por que escolher ser dona de casa deveria ser visto como menos válido?

No fim, talvez a pergunta não seja apenas “o que é uma tradwife?”. Mas, sim, sobre quem pode escolher esse estilo de vida e em quais condições.






