Ele é feio!

A era dos Gianechinnis, Zulus e Palmeiras pode estar chegando ao fim! Não, não é intriga da oposição. Simplesmente, algumas mulheres estão passando a preferir o tipo não-tão-bonito-assim a esculturas vivas, de corpos perfeitos e traços dignos de uma obra de Da Vinci. Motivo é o que não falta. Insegurança, medo de perder a beldade para a concorrência e falta de confiança são apenas alguns deles. Inclusive, há as que declarem, até publicamente, suas predileções por homens feios.

A secretária Gabriela Castro, 22 anos, não pensa duas vezes antes de dizer que tipo de homem prefere. “Eu prefiro os homens feios. Dá muito menos trabalho do que ficar com um bonitão. Claro que eu não quero ficar com um monstro, mas não gosto de homens que chamem atenção. Além da concorrência ser menor, eu me sobressaio mais que ele. É muito bom ouvir um comentário do tipo: Pôxa, tá vendo aquele feião ali? Tá com a maior gatinha”, diverte-se.

Há quem garanta que a falta de beleza tem suas compensações. A bailarina Renata Vasconcelos levanta a bandeira: “Eu gosto de homens feios porque eles são mais agradáveis, simpáticos, atenciosos e, quando vamos ao motel, eles não ficam horas na frente do espelho, com caras, bocas e poses. E tem mais. Normalmente, eles são muito melhores na cama”, revela. A professora de educação física Valéria Gomes concorda, dizendo que homem bonito é como bibelô: para botar na prateleira e olhar de vez em quando. “Já os mais feios tem um ‘quê’, que atrai mais. Gostar de um homem bonito é diferente, porque você fica encantada, a princípio, pela beleza. Já os feios encantam pelo charme, pelo cavalheirismo e pela atenção que nos dão”, garante.

O psicoterapeuta João Alberto Barreto confirma a teoria feminina. “Normalmente os homens feios são muito mais tímidos do que os bonitos. Então, eles compensam essa falta cada um a sua maneira. Uns procuram ler mais, ter uma maior bagagem cultural, outros partem para os estudos e se destacam pela inteligência. Já reparou que os maiores pensadores da humanidade eram feios? Logo, eles acabam conquistando as mulheres mais pelo intelecto do que pela beleza”, conclui.

A falta de confiança, sentimento que grande parte das mulheres nutre pela maioria dos homens, é ainda mais acentuada quando o cara é um bonitão. É como uma regra matemática, inversamente proporcional à beleza masculina. Quanto mais bonitos os homens são, menos confiança elas depositam neles. E nessa, os feios se dão bem. “Homem bonito é galinha”, reclama a advogada Letícia Reis, 28 anos. “Namorei um modelo lindo que me trocou por uma magricela da mesma agência em que trabalhava. E o pior é que o desgraçado já estava com ela há um mês quando eu descobri. Desde então, passei a reparar mais nos menos bonitos. Eles são, quase sempre, mais fieis, bem educados e se aproximam com mais classe”, afirma, categoricamente.

Mas namorar um homem feio não é garantia de fidelidade. “Eu namorei um cara que era feio de dar medo. O apelido dele era Nico e as minhas irmãs, só pra você ter uma idéia, chamavam o cara de Pinico. O fato é que ele viajava para jogar futebol e me chifrava adoidado. Isso porque ele era muuuuuuuuito feio. Já imaginou se ele fosse bonito?”, questiona a fisioterapeuta Fernanda Guimarães, 27 anos, que até hoje lamenta a oportunidade que perdeu por culpa do feioso. “Um tempo depois, conheci um cara maravilhoso que estava doido para namorar comigo… só que eu pensava: se o Nico, feio que só, me chifrava, o que não vai acontecer com esse espetáculo? Quando eu percebi que isso era idiotice minha, ele não queria mais nada comigo. Fiquei chupando dedo. Tudo por causa do trauma que aquele “pinico” havia deixado em mim”, recorda.

Outra defensora do slogan “beleza não põe mesa”, a economista Adriana Pacheco, 29 anos, garante que não liga se o homem é bonito ou não. “Ser bonito não é pré-requisito para mim. Acho que sempre tive sorte em namorar caras legais. Por azar ou sorte, eles eram feios. Por outro lado, quando a gente começa a gostar da pessoa e admirar o jeito, acaba não achando feio. Minhas amigas acham o meu namorado feio. Eu não acho. Também não acho lindo, mas feio ele não é. Meu namorado é fofo”, derrete-se. A psicóloga Ana Martins entrega logo o jogo: “Meu último namorado era muito feio! Minhas amigas perguntavam como eu era capaz de namorar uma pessoa como ele, mas eu nem ligava, ele me fazia feliz e pronto! Além disso, eu não precisava ficar muito preocupada com o assédio das outras mulheres. Duro mesmo foi o apelido que minhas amigas botaram nele: pingüim. Se bem que ele merecia, afinal de contas, era baixinho, careca e gordinho”, diverte-se.

Então, nada de “neuras” e de dar muita atenção aos comentários das amigas. Se o cara é feio, mas te faz feliz, isso é o que importa! A enfermeira Liliane Arruda é categórica: “É melhor um feio na mão do que dois bonitos se beijando”.