O império Versace

“Um estilista deve ser, antes de tudo, um costureiro”. Com esta declaração Gianni Versace se autodefinia com humildade. Ao longo de sua brilhante carreira, ele provocou, chocou e emocionou a todos, com seu talento, audácia e inspiração.

Em julho de 1997, morria assassinado um dos estilistas mais extravagantes dos últimos tempos. Italiano de origem, residente nos Estados Unidos há muitos anos, Gianni Versace foi morto a tiros na porta de sua mansão em Miami Beach, quando se preparava para uma caminhada matinal. Uma tragédia que deixou o mundo da moda perplexo, abalado e preocupado com o futuro de uma das grifes mais bem sucedidas da atualidade. Quem herdaria a missão de dar continuidade ao trabalho único de Gianni Versace?

Lady Di era uma de suas amigas mais próximas e também uma cliente fiel, apesar de seu estilo sóbrio e elegante. Mais uma prova da genialidade do estilista

A marca Versace foi fundada em 1978, após anos de trabalho duro na região da Calábria, na Itália. Gianni desenhava as roupas que eram vendidas com razoável aceitação na loja de sua mãe. O trampolim para o sucesso veio aos 25 anos, quando recebeu uma encomenda de Milão. Resultado: Gianni e seu irmão Santo se mudaram para a metrópole no intuito de organizar o que se tornaria o Império Versace.

Seu estilo luxuoso, arrojado e de forte apelo erótico rendeu-lhe fama internacional rapidamente, além de uma invejável lista de clientes famosos como Madonna, Michael Jackson, Sting, Bianca Jagger, Elizabeth Hurley, Elton John, entre muitos outros.

Versace foi um dos primeiros a explorar o couro na alta costura, mostrando personalidade e inovação ao utilizar materiais inéditos a cada desfile. Criou o fenômeno das top models e ainda participou ativamente de projetos do show business. Estava à frente de seu tempo, de seus colegas, mas soube cativar fãs e principalmente a crítica especializada.

Com sua moda chamativa, de cortes distintos, cores vibrantes e tecidos brilhantes, Gianni Versace deixou sua marca no século XX. Os exageros bem calculados que remetiam muito ao excesso da década de 80 conquistou artistas, celebridades e até princesas. Lady Di era uma de suas amigas mais próximas e também uma cliente fiel, apesar de seu estilo sóbrio e elegante. Mais uma prova da genialidade do estilista.

Depois da morte de Gianni, sua irmã, musa e braço direito até então, assumiu o controle criativo da grife e começou a se movimentar em direção a novos caminhos. Donatella Versace que era responsável pelo desenvolvimento de acessórios e pela Versus, uma linha mais jovem e casual, passou a controlar todas as empresas do grupo: a Versace, Versace Jeans Couture, Versace Classic V2, Versace Sport, Versace Intensive e a Versace Young.

Com um novo olhar sobre o mundo em plena virada do século e uma nova estratégia de atuação, Donatella se lançou em busca de mercados alternativos, mas não menos lucrativos. Recentemente foi lançada uma linha de maquiagem, a Versace Beauty, e inaugurado um complexo formado por um condomínio de luxo e um hotel cinco estrelas, o Palazzo Versace, na Austrália.

A última campanha publicitária da marca retratava a mulher executiva, poderosa, glamourosa mesmo no trabalho. Muito dourado, muito branco, muito salto alto. A sedução explícita a favor do suposto sexo frágil. Demi Moore e Madonna, duas quarentonas pra lá de enxutas, fotografadas pelo mago Mario Testino, garantiram as vendas de mais uma coleção.

Como não podia deixar de ser no mundo globalizado, informatizado e virtual de hoje em dia, uma parceira firmada com a Samsung colocou a Versace também na categoria tecnológica. Uma linha de celulares foi desenvolvida a partir do design exclusivo da Versus, com o objetivo de atingir em cheio o coração dos jovens, que buscam constantemente inovação e originalidade em tudo o que consomem.