O que é o termo “pick me girl”, ao qual Key está sendo associada por atitudes com mulheres no BBB?

por | fev 9, 2023 | Comportamento

Em meio às polêmicas que Key Alves já se envolveu em menos de um mês no BBB 23, algumas falas sobre outras participantes, especialmente Bruna Griphao e Larissa, têm incomodado internautas. Algumas delas até incluíram ofensas que renderam posicionamentos nas redes das equipes das sisters.

Diversas perspectivas de Key tem sido apontadas como típicas do que a internet nomeou como “pick me girl” (em português, “garota ‘me escolha'”). A seguir, entenda do que se trata.

Por que Key Alves está sendo chamada de “pick me girl”?

Key Alves
Reprodução/ Globoplay

Logo nos primeiros dias de BBB 23, quando todos os participantes ainda estavam “amarrados” em duplas, Key já mostravava sua reprovação em relação a Bruna e Larissa, mesmo sem muito contato direto com ambas.

Em conversa com Fred Nicácio e Gustavo, com quem vive um affair, ela acusou Bruna e Larissa de “não saberem o alfabeto”, além ironizar que as duas dançaram coreografias do TikTok durante a primeira prova do programa, que foi de resistência.

Já em outro papo com Fred Nicácio, Key disse “sentir” que Bruna “competia” com ela para ver quem seria a mais atraente da edição, tendo o apoio do médico. Ela não especificou o motivo, embora, na época, a casa ainda contasse com outras nove mulheres.

https://twitter.com/ngmviuajenni/status/1617316981434195968

Dias depois, Key seguiu criticando Bruna. Em um desabafo com Gustavo, a jogadora de vôlei disse: “Ela é atriz, vagabunda. Nossa, zero paciência para esse povo. Ela é muito mimadinha, muito nojentinha. É vômito na certa para ela”.

Depois de Bruna, foi Larissa que passou a ser apontada por Key. Para Cristian, Gustavo e Ricardo, a jogadora de vôlei afirmou que Larissa entrou no BBB 23 apenas para “dançar e ganhar seguidores”. Além disso, a acusou de viver um romance com Fred “Desimpedidos” por puro interesse.

Os ânimos se exaltaram com o passar dos dias e da convivência. Recentemente, Key usou o termo “cachorra” para se referir à Larissa, que, segundo ela, fica “secando” Gustavo. Ele e Fred Nicácio concordaram com as acusações, e o médico foi além com uma referência que ele fez à fala de Key, aos risos: “Jeito de ‘cachorra’, cheiro de ‘cachorra'”.

https://twitter.com/choquei/status/1623278729056120834

Depois da última festa do Líder Gustavo, Key persistiu acreditando no interesse de Larissa por ele, narrando para outros brothers que, durante a ocasião, viu a sister “jogando” o corpo em cima do seu companheiro, que estava ao lado de Cara de Sapato.

Apesar da concordância de Gustavo, internautas resgataram o momento e contestaram a versão de Key.

Na mesma festa, Bruna machucou o joelho e teve o auxílio de Gustavo em determinado momento. Novamente, para Fred Nicácio, Key não poupou o desabafo sobre ciúmes. “Se eu tiver dor no meu joelho, não vou querer que ninguém fique passando a mão. (…) Me poupe”, reclamou.

O que é “pick me girl”?

O termo “pick me girl” se popularizou a partir de memes nos anos 2020 fazendo referência a garotas que querem ser escolhidas e fazem de tudo para chamar a atenção de garotos. Nesse esforço, vira uma possibilidade diminuir outras mulheres, seja pela aparência, pelo comportamento ou qualquer outra coisa que as coloquem como inadequadas ou piores que a “pick me girl”.

Há até uma canção que viralizou com o tema: “Eu concordo com o machismo”, ironiza a cantora Anny Koch, famosa no TikTok, em uma música autoral.

Key Alves
Reprodução/ Globoplay

A necessidade de ser “a escolhida” pelo homem e diminuir outras mulheres, no entanto, não é tão recente quanto o termo hit e, de fato, pode estar relacionado a conceitos machistas que acabam assimilados pela mulher de maneira que ela muitas vezes sequer se dá conta.

Para a psicóloga Alessandra Augusto, especializada em terapia sistêmica e cognitiva comportamental, a atitude de uma mulher rivalizar o tempo inteiro com outras, reproduzindo, por exemplo, o senso comum de afirmar que “toda mulher é fofoqueira e falsa”, esconde o que ela determina como uma misoginia internalizada, sendo Key vítima desse “aprendizado” que é cultural e, portanto, inconsciente.

“Elas nutrem ódio ao gênero que pertencem. Historicamente, é um sentimento que é alimentado. Meninos são criados para serem amigos, enquanto meninas crescem ouvindo que precisam ‘ficar de olho’ no próprio homem para que outra não fique com ele”, explica.

Por que o comportamento é prejudicial?

Key Alves e Bruna Griphao no BBB23
Reprodução/Globoplay

Dessa forma, não necessariamente Key precisa de atenção masculina ao falar mal de Larissa e Bruna, mas apenas sustentar o confronto indireto que, mentalmente, criou com ambas. Magras, com o cabelo liso e perfeitamente assimiladas pelo padrão de beleza: este é ponto que, segundo a psicóloga, também impulsiona Key a ofendê-las.

“Quanto mais trejeitos considerados femininos, mais há espaço para atacar e buscar exclusividade. Mulheres com misoginia internalizada gostam de se sentir superiores às outras e ouvirem, de homens, que são diferentes de todas que ele já se relacionou”, observa a psicóloga.

Larissa e Bruna Griphao
Reprodução/ Globoplay

“Freud [considerado o ‘pai’ da psicanálise’] já dizia que, nas críticas às outras pessoas, refletimos o que verdadeiramente existe em nós. Atacamos o que nos confronta ou aquilo que gostaríamos de ser. O que ela está fazendo é deixar de apoiar o próprio gênero e trocar conhecimento feminino, como acontece com os homens”, conclui Alessandra.

Comportamento no BBB 23