Só para elas > Em terras brasileiras

Se a Europa já fazia história com o jornalismo feminino, no Brasil só apareceu no século XIX. O primeiro periódico foi lançado em 1827 – O Espelho Diamantino, com sede no Rio de Janeiro. Ele falava de política, literatura, arte e moda. Depois vieram o recifense O Espelho das Brazileiras (1827), Jornal de Variedades (1835), Relator de Novellas (1838). No Rio, surge o semanal Correio das Modas, em 1839, com conteúdo focado na literatura e em assuntos ligados à Europa.

Uma das principais características do jornalismo feminino brasileiro é a presença dos folhetins. A idéia surgiu na França em 1820 para atrair público e aumentar a circulação e as publicações brasileiras, femininas ou não, usaram e abusaram desses textos. Grandes nomes da nossa literatura começaram a escrever nesses espaços. Machado de Assis, por exemplo, publicou “Quincas Borba” na revista feminina A Estação, entre 1886 e 1891.

Dulcília Schroeder Buitoni, no livro “Imprensa Feminina” resume: “a imprensa feminina era um canal de expressão para as sufocadas vocações literárias das mulheres”. Quase todas as publicações reservavam um espaço para textos de ficção. Juntamente com a literatura, a moda ocupava grande espaço nas páginas das revistas e dos jornais dedicados às mulheres.

Ganhando fama

A primeira publicação brasileira de grande expressividade foi a Revista Feminina, que circulou de 1914 a 1936. Foi idealizada por Virgilina de Souza Salles e tinha uma estrutura de redação e do comercial muito avançada para a época. Como a dona era pertencente à alta sociedade paulista, grandes nomes da literatura escreveram nas suas páginas, entre eles, Olavo Bilac. A revista fazia parte da Empresa Feminina Brasileira, que além da publicação, produzia e vendia produtos destinados ao público feminino e funcionava no esquema de assinatura. Pode ser considerada a precursora das grandes revistas femininas que encontramos até hoje.

Essas publicações testemunharam as mudanças nos núcleos familiares, as mudanças econômicas e políticas sob uma ótica um pouco diferente

Os anos se passaram sem grandes movimentações nessa área. Surgiram publicações diversas e com uma novidade: no lugar dos folhetins, a fotonovela, falando dos problemas sentimentais do sexo feminino. Mas o grande salto da imprensa feminina veio com a revista Capricho, em 1952. Enquanto as outras revistas dividiam a publicação das fotonovelas, a Capricho publicava as novelas completas e rapidamente conquistou muitas leitoras.

Da década de 50 até hoje, muitas outras publicações surgiram: A Cigarra, Manequim, Claudia, Desfile, Nova, Vogue, Criativa, Elle, Marie Claire. Surgiram, inclusive, as voltadas às adolescentes como Querida, Carícia, Atrevida, Toda Teen. A década de 80 descobriu a preferência das leitoras com pesquisas de mercado. Na década seguinte, com a estabilização da moeda, surgiu o segmento popular, com títulos como Ana Maria.

Muitas ficaram pelo caminho, mas tantas outras resistiram até agora, mostrando as mulheres de verdade (ou não): das amélias às giseles. Com a chegada da Internet todo o mercado editorial entrou em crise, mas, pela quantidade de publicações existentes, parece que nada abala o mercado feminino.

Essas publicações testemunharam as mudanças nos núcleos familiares, as mudanças econômicas e políticas sob uma ótica um pouco diferente. Hoje, novos desafios se abrem. A mulher que toma conta da casa, dos filhos, do marido, trabalha quer também interagir, trocar palavras, angústias e sensações e quer se manter informada, atualizada sobre o que acontece no mundo. Porque somente as mulheres conseguem administrar tantas coisas ao mesmo tempo. A Internet veio para facilitar isso tudo.

E é esse o objetivo do Bolsa de Mulher nessa nova fase – trocar informações e trazer vários assuntos de uma forma bem especial: observadora, crítica, compreensiva, maternal, feminina, delicada, elegante, sofisticada – típicas de nós, mulheres. Sejam todas bem-vindas!