Etanol ou gasolina? Adquirir um carro nunca foi tarefa fácil e, antigamente, esta pergunta era mais um “x” a preencher na múltipla escolha da compra. Felizmente, em 2003, a indústria automobilística deu uma mãozinha ao lançar os carros bicombustíveis ou flex. Mas ainda resta a questão: vale a pena apostar nestes novos motores ou ficar com a segurança do carro à gasolina? Para sanar a sua dúvida, falamos com especialistas sobre os prós e os contras de se optar por um flex. “A primeira vantagem está na compra. O governo reduziu o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para incentivar a adoção de carros bicombustíveis, o que não acontece com os movidos à gasolina“, explica o gerente de engenharia da Ford, Klaus Mello.
A redução do IPI, que Mello salienta, vale para todos os automóveis flex, incluindo os de motor 1.0, única categoria que também ganha o benefício na versão à gasolina. “Mais de 90% dos veículos produzidos no país são com motores flex. O Brasil não compra carros importados que tenham esta tecnologia”, observa o engenheiro da Fiat Carlos Henrique Ferreira. Para Adriana Carradori, gerente de produto da Ford, os bicombustíveis já estão incorporados à cultura do mercado brasileiro. ” Mesmo em regiões onde o etanol não é tão mais barato, as pessoas estão apostando nos modelos flex. Já virou cultura“, detecta ela.
Veículos importados e esportivos de alta performance, de acordo com o gerente de conceitos Powertrain da Volkswagen, Roger Guilherme, não são encontrados na versão flex. Ele explica: “Esses carros também poderiam ter motores com dois combustíveis, não há uma impossibilidade técnica. Isso foi uma questão de opção da indústria, que preferiu o segmento popular”. Adriana Carradori complementa: “O consumidor dos carros maiores e mais caros é menos sensível ao preço de combustível. Desembolsa mais para comprar um carro”.
Vantagens
A principal vantagem do carro flex é óbvia: poder escolher com qual combustível abastecer. Mas fique atenta, porque o pró também vira contra: na comparação, o preço menor do etanol na bomba, que parece uma economia imediata, pode não significar uma economia real. Klaus Mello, da Ford, dá a dica. ” O carro com etanol acelera mais forte. Se você quer pisar forte e andar pouco, a melhor opção é o etanol. Já com a gasolina você consegue rodar mais longe. Por exemplo, se você vai viajar e sabe que existem poucos postos de combustível, a gasolina vai prover uma autonomia maior. Se o carro faz 8 km/l com etanol, ele faz 10,5/l com gasolina” garante o gerente de engenharia.
Segundo dados das montadoras entrevistadas, a conta é uma só: se o preço do etanol na bomba corresponder a 70% do preço da gasolina, vale a pena optar pelo derivado da cana de açúcar. A armadilha está em fazer sua opção baseada no valor mais baixo: a economia imediata pode pesar mais no orçamento no final das contas.
De olho na manutenção
Após o desafio da compra, é hora dos cuidados com a manutenção. O consumidor de carros flex, aconselha Klaus Mello, deve ficar atento a manter uma alternância de combustíveis sadia para o motor: “Se você costuma usar apenas etanol, sugiro colocar um tanque de gasolina a cada 5.000 km. Existem resíduos no etanol que podem ser limpos por ela”. Izabel Lacerda, coordenadora de Combustíveis e Lubrificantes da Petrobras Distribuidora, explica o porquê dessa alternância: ” O uso de uma gasolina aditivada proporciona melhor proteção ao motor, devido aos aditivos detergentes que têm a função de manter limpo todo o sistema, livre de depósitos e entupimentos”.
Carlos Szeles, gerente de produto da Peugeot do Brasil, aponta outro cuidado que o dono de um bicombustível deve ter. ” No inverno, o álcool demora um pouco mais a pegar. Se a temperatura for acima dos 15ºC, não tem problema. O consumidor tem que estar atento ao combustível, precisa sempre por um pouco de gasolina”, alerta.
Especificidades à parte, os especialistas recomendam que o motorista do flex siga basicamente a mesma cartilha de manutenção dos outros motores. ” Seguir rigorosamente o plano de manutenção, atentando para as trocas de óleo“, diz Roger Guilherme da Volkswagen, que enumera outras fontes de consumo de combustível que independem do sistema Flex: “A forma de dirigir, ar-condicionado e o trânsito pesado”.
Para você que está em busca de um novo veículo, a opção pelo bicombustível também representa um ganho a longo prazo, pois seu valor de revenda pode ser maior do que os movidos a gasolina: ” Hoje no mercado, os carros flex, que custam até cerca de R$ 70 mil, são vendidos de forma mais rápida e lucrativa. A possibilidade de ter um automóvel com dois combustíveis acaba se tornando um fator de decisão na hora da compra”, conclui.





