Fundadora da empresa HITH, de marketing de influência, Patrícia Mirza abraçou as raízes para buscar o novo
“Eu não gosto de ser aquela vítima da jornada do herói, porque minha infância foi muito feliz”, afirma a empresária Patrícia Mirza em entrevista ao Mulher.
Ela diz isso porque viveu uma realidade parecida com a de muitos brasileiros: amava comer a farinha com açúcar que a avó preparava, tomava banho de cuia, sabia andar no açude do sertão do Ceará… É que hoje ela também posa no tapete vermelho do Festival de Cannes, tem o contato de celebridades nacionais e internacionais e trabalha para estar em qualquer lugar que ela queira estar – e ainda levar um monte de gente com ela. A atual realidade de Patrícia não é exatamente comum.
“Quando você prova o que é melhor do que o que você tinha, você começa a entender que existe muita coisa para você aumentar de repertório. Foi quando eu percebi que eu quero experimentar tudo que eu puder, porque eu quero saber até onde vai o meu paladar, o meu repertório, até onde eu consigo chegar.”
Desconforto no meio do caminho

CEO da HITH, empresa de marketing de influência, a empresária nasceu em Fortaleza e passou grande parte da infância em Itapipoca, no Ceará, onde nasceu a mãe dela. Foi para a capital de São Paulo aos 22 anos e hoje, aos 35, já viajou pelo mundo.
Mas querer novas experiências e um novo repertório de vida não blindou Patrícia de desconfortos. Pelo contrário, ela precisou – e às vezes ainda precisa – encarar muitos desafios para chegar onde queria.
“Eu vim para São Paulo na cara e na coragem mesmo. Vim pronta pra ser moldada. Me deixei ser, mas também me moldei. Quando eu aprendi a pegar o controle disso, decidi como que eu queria ser e não como os outros queriam que eu fosse. Com certeza, a minha infância e a minha história, as minhas raízes, elas foram indispensáveis para eu ter habilidades que hoje são essenciais para o que eu faço.”
O jeito foi encarar o desconforto mesmo. Entender o repertório que tinha e não ter receio de passar vergonha.
Sotaque cearense
“A minha vida só começou a fluir de fato quando eu assumi quem eu era. Quando eu me mudei para São Paulo, meu sotaque foi uma insegurança, isso foi uma questão. Eu tentei por uma semana pensar em como eu poderia mudar meu sotaque, e depois eu percebi que, para as pessoas certas, aquilo ali era o que ia grudar na mente delas. Eu comecei a perceber que aquilo ali era um diferencial.”
Patrícia entendeu que características pessoais nem sempre são um defeito.
“Eu não vou me cobrar por uma característica que eu tenho. Eu vou aprender a melhorar isso e entregar ela pro mundo de uma forma melhor. É um trabalho diário, de percepção mesmo.”
Falar inglês
E se falar em português se tornou uma questão, é claro que falar em outras línguas também seria. Mas, da mesma forma, a empresária entendeu que o importante seria se fazer entendida, entender e ser lembrada.
“Eu pensava: ‘os gringos chegam no Brasil, falam português horrivelmente e a gente acha a coisa mais fofa’. Por que eu tenho que falar perfeitamente? Eu só preciso ser entendida. Eu percebi que o meu problema com o inglês era só falar perto de brasileiro, porque eram os brasileiros que queriam me corrigir, os gringos não.”
Em resumo: Patrícia entendeu que é melhor que muita gente, naquilo que ela faz, mas que também é pior que muita gente, naquilo que ela não faz. Para ela, não ter coragem de fazer algo por vergonha seria uma demonstração de que se acha melhor que os outros e imune a críticas.
Foco no objetivo

Com dislexia e Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), a empresária aprendeu a encarar desde cedo espaços que não estavam preparados para recebê-la.
Com dificuldade para escrever e entender determinados métodos tradicionais de ensino, ela encontrou a própria forma de estudar e entender as matérias.
O foco sempre foi em ser prática e objetiva: entender o que queria e traçar o caminho para conquistá-lo.
“Eu nunca fui aquela menina sonhadora. Pra mim, não existe o sonho, existe o que é possível e o que não é. Minha cabeça funciona um pouco diferente. Mas o que eu sempre pensei é que, para mim, nada nunca foi impossível.”
Difícil vs. Trabalhoso
Dentro dos “conceitos mirzicos”, como Patrícia chama suas crenças, ela afirma que existe uma diferença muito grande entre o que é difícil e o que dá trabalho.
“Será que é difícil? É impossível? Ou dá trabalho? Aí a gente tem que decidir. Eu olhava para as coisas sempre com uma forma de devaneio em soluções. Eu nunca venho com uma pergunta sem que eu questione várias formas de respondê-la, mesmo sendo difícil, difícil mesmo.”
Patrícia passou a se desafiar a criar soluções. Uma resposta de cada vez, sabendo que “para chegar ao final da escada, precisa subir um degrau de cada vez”.
Nisso, também foi desenvolvendo habilidades de comunicação e vendas. Afinal, também é preciso de dinheiro para conquistar determinadas vontades. Aí até calcinha e sutiã ela conta que deu jeito de vender na escola.
“Eu tentava movimentar várias coisas para que eu conseguisse bater minhas metas. Não importava o que eu tinha que fazer. E eu aprendi a não me subestimar. Apesar de, sim, ter a insegurança social.”
Marketing de influência

Há dez anos, depois de trabalhar em uma agência de marketing, a empresária fundou a HITH. A empresa é focada no chamado marketing de influência e funciona como uma ponte entre pessoas, agências e marcas e experiências mundiais.
Funciona assim, de forma bem simplificada: uma agência quer suas atrizes no Festival de Cannes, então entra em contato com a HITH para que a empresa consiga facilitar o caminho até o tapete vermelho.
De acordo com a assessoria, a empresa atua de forma online, com equipe baseada em São Paulo.
Entre outros trabalhos, Patrícia afirma que a HITH tem licença comercial do Festival Cannes para realizar atividades de negócios dentro dos eventos que envolvem o festival mais famoso da Riviera Francesa.
“Eu costumo dizer que eu sou uma ponte para o Brasil no mundo”, completa a empresária.






