Conheça mais sobre Eliane Dalla Vecchia, empresária neurodivergente que, à frente da “Dalla”, faz da ética o seu maior diferencial competitivo
Na liderança da Dalla desde 2016, Eliane Dalla Vecchia construiu mais do que uma marca de beleza: ela consolidou um movimento para democratizar o acesso à maquiagem com qualidade, propósito e preço justo.
Tudo começou quando, após um período trabalhando com produtos de beleza de lojas diversas, a goianiense decidir colocar em prática a sua percepção estratégica de mercado para criar a própria marca.
Mas rapidamente a ideia da Dalla se transformou em algo maior – para Eliane, não era sobre apenas vender, mas ocupar um território diferenciado dentro da indústria.
Dalla: maquiagem vegana e 100% nacional

Trabalhar com produtos veganos, cruelty free e 100% nacionais nunca foi uma tendência para Eliane Dalla Vecchia, mas posicionamento.
Em 2016, muito antes de o mercado tratar sustentabilidade e responsabilidade como exigências, a empresária já entendia que era uma obrigação social.
Segundo ela, o respeito pela vida é um valor pessoal que atravessa todas as suas decisões empresariais.
“Se podemos fazer bons produtos sem sofrimento animal, é nossa obrigação. Meus valores pessoais não ficam na porta da empresa quando eu entro. Eles estão em cada fórmula que aprovamos”, afirma ela em entrevista exclusiva ao “Mulher”.
Quando o autismo traz potência à liderança

Mulher autista à frente de uma das marcas mais reconhecidas do mercado nacional de beleza, Eliane conta que aprendeu a transformar suas próprias características – que antes já foram vistas como desafios – em diferencial competitivo.
O hiperfoco e a atenção minuciosa aos detalhes, por exemplo, são, segundo ela, seu “superpoder”. Nada passa despercebido: textura, funcionalidade, embalagem e experiência do consumidor.

E, para Eliane, é o que importa. Afinal, foi a sua objetividade que moldou uma empresa ágil, direta e focada em resolução.
“Às vezes, a minha dificuldade de integração social é um desafio no dia a dia e atrapalha um pouco no todo, mas o meu lado criativo me ajuda muito”, pontua ela.
Beleza é direito, não privilégio

A Dalla ficou conhecida pelas embalagens vibrantes e pela quebra de padrões no mercado tradicional. Mas, para Eliane, diversidade não pode ser estratégia de marketing: precisa ser prática cotidiana.
Por isso, inclusão e acessibilidade são tópicos imprescindíveis da sua equação da beleza, assim como premissas que sustentam todos os lançamentos da marca.
“O Brasil é colorido e vibrante, e nosso povo é diverso. Quando a Dalla traz cor e acessibilidade, estamos dizendo que a beleza é um direito, não um privilégio de elite. Todo mundo tem direito de se sentir mais bonito dentro da sua realidade.”
Um recado para mulheres que ainda duvidam

Ao olhar para sua trajetória desde 2016, Eliane é direta: para mulheres, especialmente neurodivergentes, o sentimento de não pertencimento ao mundo corporativo pode ser paralisante.
Contudo, ela deixa um alerta poderoso: ninguém vai entregar espaço de presente. É preciso ocupar com competência.
“O caminho é mais difícil? É. Mas a visão única que nós temos é algo que nenhuma faculdade de negócios ensina. Confiem no seu taco e não desistam”, conclui Eliane.







