Empoderamento 05 de novembro, 2026 • Por Bruna Somma

Cofundadora da Insider Store quer mudar relação das mulheres com a moda por meio da tecnologia

Carolina Matsuse, à frente da Insider Store, questiona padrões da indústria da moda e defende roupas que respeitem o corpo feminino

Questionar o que parece óbvio faz parte da trajetória de Carolina Matsuse. Formada em Engenharia pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), a empreendedora passou por empresas como Boston Consulting Group (BCG), QuintoAndar e Uber antes de trocar a carreira corporativa pelo desafio de construir um negócio próprio.

Ao lado de Yuri Gricheno, ela cofundou a Insider Store, marca que nasceu em 2017 com a proposta de aproximar tecnologia e moda para transformar a experiência de vestir.

“A Insider nasceu de uma provocação bastante simples: por que a indústria da moda evoluiu tanto em estética e tendências, mas tão pouco na funcionalidade das roupas que usamos todos os dias?”, conta Carolina em entrevista ao Mulher.

A partir dessa pergunta, os dois enxergaram a possibilidade de aplicar conhecimentos de engenharia têxtil ao desenvolvimento de peças essenciais do guarda-roupa. O objetivo era criar roupas mais confortáveis, duráveis, versáteis e que exigissem menos cuidados: “Desde o início, nossa visão nunca foi construir apenas mais uma marca de roupas básicas”.

Uma nova perspectiva sobre o corpo feminino

(Créditos: Divulgação)

A preocupação com a experiência de quem veste as peças também levou a Insider Store a desenvolver a NakedFeel, linha de roupas íntimas que propõe uma relação diferente entre lingerie e corpo feminino.

De acordo com Carolina, a coleção surgiu de uma observação sobre desconfortos que, por muito tempo, foram naturalizados pela indústria.

“Por que aceitamos que roupas íntimas apertem, marquem a pele ou causem desconforto ao longo do dia?”, questiona.

Para ela, muitas soluções tradicionais ainda partem da ideia de que a roupa precisa moldar o corpo. A proposta da marca foi inverter essa lógica: desenvolver peças que se adaptem à anatomia feminina e não o contrário.

Peças da linha NakedFeel (Créditos: Divulgação)

O processo envolveu pesquisas com consumidoras, testes em diferentes corpos e o uso de tecnologias de engenharia têxtil. A intenção era encontrar um equilíbrio entre suporte, conforto e liberdade de movimento, sem recorrer à compressão excessiva.

“A ideia é simples: ninguém deveria precisar escolher entre se sentir confortável e se sentir bem com o próprio corpo. A tecnologia deve trabalhar a favor da mulher, e não exigir que ela se adapte à roupa”, defende a empresária.

NakedFeel (Créditos: Divulgação)

A iniciativa acompanha também uma transformação no perfil de consumo da Insider. Segundo Carolina, as mulheres passaram a representar a maior parte das consumidoras da marca e se tornaram responsáveis pela maior parcela da receita no início de 2026.

Os desafios de empreender como mulher

cofundadora Insider
(Créditos: Divulgação)

A construção da Insider exigiu de Carolina uma atuação que foi muito além de sua formação em Engenharia. Ao longo dos anos, ela precisou desenvolver competências em diferentes áreas, como produto, tecnologia, marketing, operações, finanças e gestão de pessoas.

“Um dos maiores desafios foi justamente aprender a liderar em contextos cada vez mais complexos, tomar decisões difíceis e continuar evoluindo na mesma velocidade que a empresa”, relata.

Apesar de reconhecer os obstáculos, a empresária não quer que o gênero seja o principal elemento de sua identidade profissional. “Quero ser reconhecida pela empresa que construímos, pelas decisões que tomamos e pelo impacto que conseguimos gerar”, diz a empresária.

Contudo, isso não significa ignorar a importância de ocupar esses espaços. Carolina entende que sua trajetória também pode servir de referência para outras mulheres que desejam empreender ou assumir posições de liderança.

“Tenho consciência de que ocupar esse espaço pode ajudar outras mulheres a enxergarem possibilidades para suas próprias trajetórias. E considero isso uma responsabilidade importante”, conclui.

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