Rose Leonel

Rose Leonel, da série “Nua na Rede”, tem história de superação que motivou até mudança em lei

Conheça a história de Rose Leonel, que sofreu com a divulgação de imagens íntimas no passado e se tornou um verdadeiro símbolo da luta contra esse crime

A história da jornalista brasileira Rose Leonel voltou recentemente ao debate público com a estreia da série documental “Nua na Rede: a Verdade sobre Rose Leonel” (HBO Max). Isso porque a jornada dela com o vazamento de conteúdos íntimos décadas atrás, que é contada ao longo dos episódios, volta a frisar a importância do combate à violência digital contra mulheres no Brasil.

Ao recontar a história de Rose, a série mostra como um episódio de exposição na internet, que prejudicou a vida pessoal e profissional dela por anos, impulsionou não só debates importantes sobre crimes digitais e proteção à vítima, mas chegou a contribuir com mudanças legais relacionadas a isso.

Conheça abaixo a história de Rose Leonel, de “Nua na Rede”:

Quem é Rose Leonel?

Rose Leonel
(Crédito: Divulgação/HBO Max)

Rose Leonel é uma jornalista brasileira que nasceu no Paraná. Em 2005, após o fim de um relacionamento, a vida dela mudou drasticamente pelas mãos do ex-companheiro, que divulgou na internet fotos íntimas tiradas enquanto estavam juntos. Logo, as imagens começaram a circular por e-mail e chegaram a ser publicadas em sites adultos, muitas vezes acompanhadas de informações pessoais como telefone e endereço – tudo em uma época na qual não havia grandes discussões ou medidas legais relacionadas a esse crime.

A exposição teve consequências profundas para Rose. Em entrevista, ela chegou a relatar que passou a receber ligações e mensagens de desconhecidos, vivenciou constrangimento público e acabou inclusive perdendo o emprego da época. Além disso, o episódio também afetou a vida familiar e social dela, fazendo com que ela enfrentasse um período de isolamento e grande sofrimento emocional.

Como não havia legislação específica para esse crime, o agressor foi, na época, enquadrado por crimes como difamação e injúria, demonstrando uma falha no sistema diante de um tipo de violência que começava a se tornar cada vez mais comum.

Rose Leonel
(Crédito: Divulgação/HBO Max)

Com isso, Rose decidiu transformar a experiência traumática em ativismo e apoio a outras mulheres. Ela começou a dar palestras, entrevistas e a atuar na conscientização sobre a violência digital contra a mulher. Além disso, ela também fundou o Instituto Marias da Internet, que dá orientação e apoio a mulheres que tiveram, como ela, a intimidade exposta online.

História de Rose mudou a Lei Maria da Penha

Apesar da dor causada pela situação, Rose acabou, indiretamente, criando um caminho para outras mulheres. Isso porque a repercussão do caso ajudou a impulsionar discussões sobre a necessidade de leis específicas para crimes de exposição íntima na internet – e, com o aumento de casos semelhantes ao longo dos anos, o tema passou a ganhar mais e mais espaço.

Isso culminou na sanção, em 2018 de uma atualização na Lei Maria da Penha. A partir disso, a violação da intimidade passou a se enquadrar como violência contra a mulher. Além disso, a norma também tipificou no Código Penal o crime de registro ou divulgação não autorizada de conteúdo íntimo.

Rose com as diretoras de “Nua na Rede”, Bia Vilela e Luiza Andrade (Crédito: Divulgação/HBO Max)

Popularmente chamada de “Lei Rose Leonel”, a medida passou a reconhecer oficialmente a divulgação de imagens íntimas sem consentimento como algo único e diferente de injúria ou difamação, levando em conta as consequências psicológicas, sociais e profissionais sofridas pelas vítimas. 

Enquanto crimes de injúria ou difamação têm, em geral, penas de um mês a um ano de detenção, a punição para crimes relacionados à divulgação de imagens íntimas tende a ser maior, prevendo de um a cinco anos de reclusão.

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