Neste Dia Internacional da Mulher, exploramos uma das profissões mais femininas do Brasil com Sara, que conta detalhes sobre os cuidados que sustentam a saúde no País
Aos 31 anos, Sara Xavier construiu uma trajetória marcada por propósito. Diretora de Enfermagem da Clicknurse, ela representa uma geração de mulheres que não apenas exercem o cuidado, mas ocupam espaços estratégicos de liderança no mundo da saúde.
“Desde muito jovem eu sabia que queria trabalhar com algo que tivesse impacto real na vida das pessoas”, diz Sara, que enxerga a enfermagem como algo além de uma profissão.
A seguir, conheça mais sobre a história de uma das inúmeras mulheres que sustentam o sistema de saúde todos os dias:
Enfermagem: do cuidado à liderança

Um dos motivos que fizeram Sara Xavier, nascida em São Paulo, escolher a área da saúde foi perceber que, nos momentos mais vulneráveis – como uma internação, um diagnóstico difícil, uma cirurgia ou até um óbito –, é a enfermagem que permanece ao lado do paciente durante todo o processo.
“Escolhi a enfermagem porque enxerguei nela responsabilidade, humanidade e poder de transformação”, afirma.
Hoje, na liderança da Clicknurse – plataforma que conecta instituições de saúde a profissionais qualificados por meio da tecnologia -, Sara atua além da gestão operacional. Ela também lidera estratégias voltadas à qualidade do cuidado, à validação técnica dos profissionais, à estruturação de processos seguros e ao desenvolvimento contínuo da enfermagem.
“Eu entendo o peso que essa posição carrega. Representamos quem sustenta a saúde do país. Aprendi que cuidar também é liderar”, conta.
O que ninguém vê

Para Sara, contudo, existe uma dimensão invisível na enfermagem brasileira. As pessoas enxergam o cuidado, mas, na prática, não percebem que há renúncias pessoais por trás de cada decisão – que, segundo ela, não são poucas as exigidas pela profissão.
“Não é comum que valorizem nossa vigilância contínua, nosso olhar treinado para identificar uma alteração antes que ela se torne uma emergência e nem nós, como mães, quando trocamos datas importantes por plantões”, lamenta.

A profissional, que mantém sempre uma postura firme para transmitir confiança, conta lidar diariamente com dor, medo, urgência e expectativa.
“A enfermagem não é apenas cuidado. É ciência, é estratégia, é liderança e é o que sustenta, com competência e resiliência, o funcionamento do sistema de saúde todos os dias.”
Desafios que ainda precisam ser enfrentados

A valorização da enfermagem avançou nos últimos anos, mas ainda esbarra em desafios estruturais importantes.
As jornadas extensas e as escalas exaustivas, por exemplo, continuam exigindo alta disponibilidade das profissionais – assim, a saúde mental é outro ponto sensível.
“O ambiente assistencial envolve pressão constante, decisões rápidas e contato frequente com situações emocionalmente delicadas”, relata Sara.
Já sob a perspectiva de gênero, a discussão ganha ainda mais camadas.
Por ser uma profissão majoritariamente feminina, a enfermagem carrega reflexos históricos de um tempo em que o trabalho do cuidado era visto como uma extensão natural do papel da mulher – muitas vezes, desvalorizado.
“Quando analisamos esse contexto, entendemos que a busca por reconhecimento também passa pela superação dessas marcas culturais. Hoje, vemos um movimento crescente de mulheres ocupando espaços de liderança, ampliando voz, influência e participação estratégica na saúde”, pontua.
Sendo assim, se cada paciente pudesse ouvir uma mensagem das enfermeiras brasileiras hoje, Sara escolheria palavras que traduzem a essência da profissão:
“Estamos ao seu lado nos momentos mais delicados da vida, atentas aos detalhes que garantem sua segurança. Cada medicação administrada e cada orientação carregam responsabilidade, estudo e um compromisso profundo com o seu bem-estar.”






