A cerâmica é uma das tecnologias mais ancestrais da humanidade, moldando nossa história há mais de 20 mil anos.
Hoje, com a onda do “faça você mesmo” (DIY), muitos entusiastas se perguntam: posso transformar minha cozinha em um ateliê e queimar minhas peças no forno de casa?
Para esclarecer essa dúvida, conversamos com a artista ceramista Maria Angélica, do ateliê AlmaMia, em Curitiba. A resposta curta e direta é: não.
Por que o forno doméstico não serve?

A cerâmica tradicional não é apenas “barro seco”, já que depende de transformações químicas e físicas profundas que só ocorrem em calor extremo.
Enquanto o seu forno de casa chega, no máximo, a 250°C ou 280°C, a cerâmica exige patamares muito superiores, indo até 1.300°C.
“O forno de casa não chega nem perto das temperaturas necessárias para essa mudança estrutural”, explica Maria Angélica.
3 dicas para começar a fazer cerâmica em casa
1. Aposte na “cerâmica fria” para treinar o olhar

Muito popular em projetos de artesanato, a cerâmica fria utiliza massas sintéticas que secam ao ar.
Embora não tenha a mesma durabilidade ou utilidade (não serve para comer ou beber) da cerâmica de alta temperatura, ela é excelente para exercitar a modelagem, criar itens decorativos e entender as formas.
2. Procure a técnica da queima terceirizada
Você pode modelar suas peças de argila real em casa, com calma e no seu tempo.
Após a secagem total (o ponto de couro), você pode levar suas peças para serem queimadas em ateliês profissionais que oferecem o serviço de “locação de forno” ou “queima por peça”.
3. Estude o material antes de comprar
Existem diversos tipos de argila (terracota, faiança, grês, porcelana) e cada uma exige uma curva de queima e um esmalte específico.
Antes de começar, estude qual resultado você deseja. “A queima não é um detalhe do processo, ela é o processo”, reforça a ceramista.






