vontade de carne na gravidez

Pugliesi deixou de ser vegetariana na gravidez por “necessidade do corpo” de carne vermelha: acontece?

Veja o que dizem especialistas sobre relacionar a vontade de carne na gravidez a deficiências nutricionais

Mãe de dois bebês pequenos, Gabriela Pugliesi revelou recentemente que, nas gestações de ambos, sentiu necessidade de abandonar a antiga dieta vegetariana que seguia. A influencer relatou que chegava a sentir vontade de consumir carne vermelha “quase crua”, e afirmou crer que isso refletia alguma necessidade do corpo na gravidez.

Mas, afinal, as vontades da mãe na gestação refletem mesmo possíveis deficiências nutricionais no corpo? Entenda abaixo o que dizem especialistas sobre o tema, bem como a manutenção de uma dieta vegetariana na gravidez e a possível volta da proteína animal ao cardápio em casos como o da influencer.

Mesmo vegetariana, Pugliesi teve vontade de carne na gravidez

(Crédito: Reprodução/Instagram @eusougabriela)

Usando as redes sociais, Gabriela Pugliesi fez um relato sobre ter voltado a comer proteína animal nas gestações dos filhos, Lion e Massimo, mesmo sendo vegetariana há anos antes disso. Segundo ela a primeira gravidez foi marcada pela vontade de certos peixes – enquanto na segunda o desejo foi de carne vermelha “quase crua”.

“Meu corpo começou a pedir proteína animal de um jeito que não é vontade, é necessidade. Quem já engravidou sabe muito bem disso. O corpo grita, ele te aponta o que precisa”, declarou, afirmando que, na segunda gestação, não conseguia consumir nada além de carne.

“Eu só conseguia comer carne quase crua. Tinha de ser mal passada. Era a única coisa que eu conseguia engolir, nada descia. Eu só pensava em carpaccio, bife sangrando”, disse a influencer, que não voltou a ser vegetariana após dar à luz as crianças.

“Eu não parei de comer carne até hoje. Eu falo: ‘Como é que eu vivia sem?’. Todos esses anos, desde que voltei a me alimentar comendo de tudo, só que de uma forma equilibrada, minha vida mudou, gente”, concluiu.

Vontades na gravidez indicam necessidade nutricional?

vontade de carne na gravidez
(Crédito: Anna Mysłowska-Kiczek e Daniel/Unsplash)

De acordo com Fernanda Lopes, nutricionista da Six Clinic, iniciativa 100% online para o tratamento de obesidade e sobrepeso, existem, sim, algumas vontades associadas a deficiências nutricionais – mas nem todas indicam que está faltando algo no organismo.

“Existem algumas associações conhecidas. Por exemplo o desejo intenso de gelo pode estar relacionado à deficiência de ferro. A vontade maior de alimentos salgados pode ter relação com alterações no volume sanguíneo, que aumenta na gestação”, explica ela.

Não há, porém, evidências específicas sobre a vontade de carne vermelha e deficiências nutricionais, apesar de muitos associarem esse desejo à falta de ferro e vitamina B12.

“Precisamos ter cautela com a ideia de que o corpo estaria ‘pedindo’ exatamente o nutriente que está em falta. Embora a hipótese faça sentido e seja popular, a ciência mostra que os desejos alimentares são influenciados por vários fatores ao mesmo tempo”, declara.

O que a vontade de carne vermelha na gravidez indica?

vontade de carne na gravidez
(Crédito: Doğu Tuncer/Unsplash)

Segundo a nutricionista, a vontade de carne vermelha na gravidez não tem, necessariamente, ligação com alguma deficiência. Isso porque essa e outras vontades podem ocorrer desde por alterações nos níveis de estrogênio (algo natural da gestação) até, literalmente, tédio relacionado à alimentação.

“Desejos intensos podem indicar maior necessidade energética, alimentação muito repetitiva, náuseas que dificultam o consumo de alguns alimentos e questões emocionais”, esclarece.

Conforme explica ela, ao sentir vontades muito específicas e persistentes que criam desconfiança sobre possíveis deficiências nutricionais, indica-se buscar avaliação médica antes de tirar conclusões fazer mudanças drásticas na dieta. Isso vale especialmente para quem segue uma alimentação singular há muito tempo.

“Se o desejo de carne vermelha for muito frequente, pode ser interessante investigar níveis de ferritina e hemoglobina, vitamina B12, consumo total de proteínas e qualidade geral da dieta”, afirma.

Dieta vegetariana na gravidez: é seguro ou é preciso mudar?

(Crédito: the_heaven_girl e Sonny Mauricio/Unsplash)

Conforme explica a nutricionista, estudos apontam que padrões alimentares vegetarianos e veganos podem, sim, atender plenamente às necessidades nutricionais da gestante. Essas dietas, no entanto, sempre requerem acompanhamento nutricional – especialmente na gravidez.

Isso porque, para ser plenamente saudável, é preciso ter bons níveis proteicos, de ferro, B12, ômega-3, cálcio, vitamina D, iodo, zinco e colina. Em alguns casos, a dieta vegetariana não entrega todos esses nutrientes de forma suficiente e, por isso, é preciso suplementar.

Apesar de ser uma alimentação segura e satisfatória, porém, a nutricionista frisa o livre arbítrio da mulher. Não é indicado realizar mudanças bruscas sem antes investigar deficiências nutricionais, mas trocar o padrão alimentar para atender às vontades segue válido.

“Muitas vezes, é possível corrigir dentro do próprio padrão vegetariano ou vegano com melhor planejamento e suplementação adequada. Em outros casos, a mulher pode optar por reintroduzir alimentos de origem animal. Essa também é uma decisão válida se estiver alinhada com seus valores e necessidades”, conclui.

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