Veja o que dizem especialistas sobre relacionar a vontade de carne na gravidez a deficiências nutricionais
Mãe de dois bebês pequenos, Gabriela Pugliesi revelou recentemente que, nas gestações de ambos, sentiu necessidade de abandonar a antiga dieta vegetariana que seguia. A influencer relatou que chegava a sentir vontade de consumir carne vermelha “quase crua”, e afirmou crer que isso refletia alguma necessidade do corpo na gravidez.
Mas, afinal, as vontades da mãe na gestação refletem mesmo possíveis deficiências nutricionais no corpo? Entenda abaixo o que dizem especialistas sobre o tema, bem como a manutenção de uma dieta vegetariana na gravidez e a possível volta da proteína animal ao cardápio em casos como o da influencer.
Mesmo vegetariana, Pugliesi teve vontade de carne na gravidez

Usando as redes sociais, Gabriela Pugliesi fez um relato sobre ter voltado a comer proteína animal nas gestações dos filhos, Lion e Massimo, mesmo sendo vegetariana há anos antes disso. Segundo ela a primeira gravidez foi marcada pela vontade de certos peixes – enquanto na segunda o desejo foi de carne vermelha “quase crua”.
“Meu corpo começou a pedir proteína animal de um jeito que não é vontade, é necessidade. Quem já engravidou sabe muito bem disso. O corpo grita, ele te aponta o que precisa”, declarou, afirmando que, na segunda gestação, não conseguia consumir nada além de carne.
“Eu só conseguia comer carne quase crua. Tinha de ser mal passada. Era a única coisa que eu conseguia engolir, nada descia. Eu só pensava em carpaccio, bife sangrando”, disse a influencer, que não voltou a ser vegetariana após dar à luz as crianças.
“Eu não parei de comer carne até hoje. Eu falo: ‘Como é que eu vivia sem?’. Todos esses anos, desde que voltei a me alimentar comendo de tudo, só que de uma forma equilibrada, minha vida mudou, gente”, concluiu.
Vontades na gravidez indicam necessidade nutricional?

De acordo com Fernanda Lopes, nutricionista da Six Clinic, iniciativa 100% online para o tratamento de obesidade e sobrepeso, existem, sim, algumas vontades associadas a deficiências nutricionais – mas nem todas indicam que está faltando algo no organismo.
“Existem algumas associações conhecidas. Por exemplo o desejo intenso de gelo pode estar relacionado à deficiência de ferro. A vontade maior de alimentos salgados pode ter relação com alterações no volume sanguíneo, que aumenta na gestação”, explica ela.
Não há, porém, evidências específicas sobre a vontade de carne vermelha e deficiências nutricionais, apesar de muitos associarem esse desejo à falta de ferro e vitamina B12.
“Precisamos ter cautela com a ideia de que o corpo estaria ‘pedindo’ exatamente o nutriente que está em falta. Embora a hipótese faça sentido e seja popular, a ciência mostra que os desejos alimentares são influenciados por vários fatores ao mesmo tempo”, declara.
O que a vontade de carne vermelha na gravidez indica?

Segundo a nutricionista, a vontade de carne vermelha na gravidez não tem, necessariamente, ligação com alguma deficiência. Isso porque essa e outras vontades podem ocorrer desde por alterações nos níveis de estrogênio (algo natural da gestação) até, literalmente, tédio relacionado à alimentação.
“Desejos intensos podem indicar maior necessidade energética, alimentação muito repetitiva, náuseas que dificultam o consumo de alguns alimentos e questões emocionais”, esclarece.
Conforme explica ela, ao sentir vontades muito específicas e persistentes que criam desconfiança sobre possíveis deficiências nutricionais, indica-se buscar avaliação médica antes de tirar conclusões fazer mudanças drásticas na dieta. Isso vale especialmente para quem segue uma alimentação singular há muito tempo.
“Se o desejo de carne vermelha for muito frequente, pode ser interessante investigar níveis de ferritina e hemoglobina, vitamina B12, consumo total de proteínas e qualidade geral da dieta”, afirma.
Dieta vegetariana na gravidez: é seguro ou é preciso mudar?

Conforme explica a nutricionista, estudos apontam que padrões alimentares vegetarianos e veganos podem, sim, atender plenamente às necessidades nutricionais da gestante. Essas dietas, no entanto, sempre requerem acompanhamento nutricional – especialmente na gravidez.
Isso porque, para ser plenamente saudável, é preciso ter bons níveis proteicos, de ferro, B12, ômega-3, cálcio, vitamina D, iodo, zinco e colina. Em alguns casos, a dieta vegetariana não entrega todos esses nutrientes de forma suficiente e, por isso, é preciso suplementar.
Apesar de ser uma alimentação segura e satisfatória, porém, a nutricionista frisa o livre arbítrio da mulher. Não é indicado realizar mudanças bruscas sem antes investigar deficiências nutricionais, mas trocar o padrão alimentar para atender às vontades segue válido.
“Muitas vezes, é possível corrigir dentro do próprio padrão vegetariano ou vegano com melhor planejamento e suplementação adequada. Em outros casos, a mulher pode optar por reintroduzir alimentos de origem animal. Essa também é uma decisão válida se estiver alinhada com seus valores e necessidades”, conclui.






