Beleza 10 de agosto, 2026 Por Bruna Somma

O perfume assinatura está chegando ao fim? Entenda por que ter um só cheiro virou coisa do passado

Da perfumaria árabe ao conceito de “guarda-roupa olfativo”, consumidoras passaram a experimentar mais fragrâncias e escolher aromas de acordo com cada ocasião

O chamado perfume assinatura ocupou um lugar especial na rotina de diversas mulheres por muito tempo: a mesma fragrância usada no trabalho era também a de em encontros, festas e até de momentos mais casuais. A ideia era encontrar um aroma que traduzisse a personalidade e, depois disso, permanecer fiel a ele.

Mas esse comportamento está mudando. Consumidoras têm, cada vez mais, montado suas próprias coleções de fragrâncias, escolhendo o aroma de acordo com o momento, a estação do ano e até o humor.

Para Thaís Giraldelli, empresária, estrategista internacional e especialista no mercado de beleza, o perfume assinatura, da maneira como era conhecido, está perdendo espaço. E um dos fatores que impulsionaram essa transformação foi justamente o crescimento da perfumaria árabe, que ampliou o acesso a diferentes fragrâncias e mudou a relação do consumidor com o mercado de perfumes.

Por que o perfume assinatura perdeu espaço?

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(Créditos: Unsplash)

Por anos, o mercado brasileiro de perfumes esteve concentrado na perfumaria designer, que engloba fragrâncias criadas por marcas de grifes. Contudo, custando preços mais elevados, a compra de um perfume era, muitas vezes, uma decisão que envolvia mais pesquisa e reflexão.

“Quando uma pessoa ia comprar um perfume, ela pesquisava, testava várias vezes e precisava ter muita certeza daquela escolha”, explica Thaís Giraldelli.

Nesse cenário, era comum que uma única fragrância acompanhasse a pessoa em praticamente todas as ocasiões. Afinal, se o investimento era alto, fazia sentido escolher um perfume considerado versátil e que pudesse representar a identidade de quem o usava.

A expansão da perfumaria árabe, porém, trouxe novas possibilidades. Com preços mais acessíveis, grande variedade de propostas olfativas e fragrâncias conhecidas pela boa performance, as mulheres passaram a ter mais liberdade para testar aromas diferentes.

Perfumaria árabe ajudou a democratizar o mercado

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(Créditos: Freepik)

A popularização dos perfumes árabes não significa apenas que mais pessoas passaram a comprar fragrâncias. Para Giraldelli, o movimento também transformou o próprio comportamento de consumo.

Isso porque a combinação entre preços mais acessíveis, variedade e performance tornou possível experimentar mais sem necessariamente fazer um investimento tão alto a cada compra. Assim, ter dois, três ou vários perfumes deixou de ser algo restrito aos grandes apaixonados por perfumaria.

“O ‘boom’ da perfumaria árabe permitiu que a consumidora pudesse experimentar mais e, principalmente, ter mais de um perfume”, afirma a especialista.

Com isso, a lógica também mudou. No lugar de buscar “o perfume que combina comigo”, a consumidora passou a se perguntar: “Qual perfume combina com esta ocasião?

O que é um guarda-roupa olfativo?

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(Créditos: Magnific)

É justamente do fim do perfume assinatura que surge o conceito de guarda-roupa olfativo. Assim como uma pessoa não usa a mesma roupa para trabalhar e ir à academia, também não precisa usar a mesma fragrância em todas as situações.

A ideia é ter diferentes perfumes para diferentes momentos: por exemplo, um pode ser mais fresco para o dia a dia, e, outro, mais marcante para a noite.

“Agora é mais fácil para mulheres entenderem melhor do que gostam, além de conhecer notas, famílias olfativas, performance e diferentes construções. O conceito de ‘guarda-roupa olfativo’ começou a fazer cada vez mais sentido”, destaca Thaís.

Assim, a pessoa que antes procurava “o seu perfume” agora pode ter vários. E, em vez de uma única assinatura, constrói uma coleção de aromas capaz de acompanhar diferentes versões de si mesma.

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