Beleza 07 de julho, 2026 Por Bruna Somma

PDRN e exossomas: o que se sabe sobre os novos ativos queridinhos para a pele?

O ativo PDRN e os exossomos estão associados ao conceito de regeneração da pele, mas ainda ocupam estágios diferentes de desenvolvimento científico

Os nomes parecem saídos de um laboratório de alta tecnologia, mas PDRN e exossomos já deixaram de ser termos restritos aos consultórios dermatológicos. Atualmente, estão entre os ativos mais comentados do mundo da estética.

Ambos prometem estimular processos naturais de regeneração da pele e melhorar sua qualidade, mas especialistas alertam que eles têm mecanismos de ação, indicações e níveis de evidência científica diferentes.

Assim, vale dizer: é preciso separar expectativas realistas do entusiasmo gerado pelas redes sociais.

Foco da PDRN está na regeneração da pele

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(Créditos: Freepik)

Derivado do DNA do salmão, o PDRN (polidesoxirribonucleotídeo) é um ativo que tem sido cada vez mais utilizado em protocolos voltados para a regeneração dos tecidos.

Segundo Kamilla Coelho, farmacêutica bioquímica e esteta, ele é um biorregenerador indicado para pacientes que apresentam sinais de envelhecimento cutâneo, como perda de viço, diminuição da elasticidade, linhas finas e comprometimento da qualidade da pele.

Mas ele também pode ser utilizado como adjuvante na recuperação após procedimentos estéticos, como lasers, microagulhamento e peelings. “O PDRN contribui para uma recuperação mais rápida e confortável, e é também uma opção para peles sensibilizadas, desvitalizadas ou que necessitem de estímulo aos processos de reparação celular”, afirma.

Vale lembrar que idade, histórico clínico, condições da pele e objetivos do paciente precisam ser considerados antes da definição do tratamento – que, apesar da popularidade, não substitui outras técnicas utilizadas no rejuvenescimento facial.

Pele acneica
(Crédito: @freepik/ Freepik)

“O ativo não promove mudanças volumétricas nem substitui procedimentos com outras finalidades, como preenchimentos ou toxina botulínica”, diz Coelho.

Por isso, o tratamento com PDRN costuma fazer parte de um plano terapêutico mais amplo, não sendo uma solução “mágica” ou isolada.

Exossomos: promessa científica ainda em construção

(Créditos: Freepik)

Se o PDRN já vem sendo incorporado à prática clínica, os exossomos representam uma fronteira ainda mais recente da cosmetologia – atravessando, atualmente, uma fase de validação científica e regulatória.

Segundo os farmacêuticos André Rolim Baby, professor de Cosmetologia da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP, e Tércio Elyan Azevedo Martins, doutor em Ciências pela USP, os exossomos são pequenas vesículas naturalmente produzidas pelas células.

A ideia é utilizá-los para modular processos envolvidos na regeneração da pele. Ainda assim, as evidências permanecem limitadas, já que a maior parte dos resultados ainda vem de estudos realizados em células ou modelos animais.

“São necessários ensaios clínicos maiores, controlados e de longo prazo para confirmar esses benefícios”, explicam os especialistas.

Desafios relacionados aos exossomas

(Crédito: freepik/freepik)

Não existe um método universal para isolar e purificar os exossomas. Isso porque técnicas diferentes dificultam a padronização necessária para garantir segurança.

Outro desafio está no custo. A obtenção de exossomos, principalmente os derivados de células-tronco, exige processos tecnológicos complexos e caros.

Além disso, existem barreiras regulatórias importantes. “Nos Estados Unidos, por exemplo, exossomos de origem humana são classificados como produtos biológicos, e não como cosméticos. Já na China, ingredientes cosméticos de origem humana são proibidos”, pontua o farmacêutico Rolim.

E é por isso que os exossomos de origem vegetal – obtidos de plantas como chá-verde, uva e centella asiática – têm despertado mais interesse: são estáveis, baratos de produzir e enfrentam menos obstáculos regulatórios.

Dessa forma, Rolim acredita que acontecerá uma espécie de “divisão natural” entre os próprios ativos nos próximos anos. “Exossomas vegetais e aqueles obtidos por bioengenharia devem avançar no universo dos produtos cosméticos mais rapidamente, por terem menos barreiras regulatórias”, afirma o profissional.

Diferenciando ciência de marketing

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(Crédito: @freepik/ Freepik)

Com o crescimento da popularidade dos exossomos – que registraram aumento superior a 550% nas buscas em apenas um ano, segundo uma revisão publicada no “Journal of Drugs in Dermatology” – também aumentam as promessas de mercado.

Para os especialistas, a tendência é que, de fato, a inovação continue avançando nos próximos anos. Mas, até lá, a principal recomendação permanece a mesma: desconfiar de promessas milagrosas e buscar orientação de profissionais qualificados, capazes de indicar tratamentos com base nas evidências científicas disponíveis e nas necessidades individuais de cada paciente.

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