O ativo PDRN e os exossomos estão associados ao conceito de regeneração da pele, mas ainda ocupam estágios diferentes de desenvolvimento científico
Os nomes parecem saídos de um laboratório de alta tecnologia, mas PDRN e exossomos já deixaram de ser termos restritos aos consultórios dermatológicos. Atualmente, estão entre os ativos mais comentados do mundo da estética.
Ambos prometem estimular processos naturais de regeneração da pele e melhorar sua qualidade, mas especialistas alertam que eles têm mecanismos de ação, indicações e níveis de evidência científica diferentes.
Assim, vale dizer: é preciso separar expectativas realistas do entusiasmo gerado pelas redes sociais.
Foco da PDRN está na regeneração da pele

Derivado do DNA do salmão, o PDRN (polidesoxirribonucleotídeo) é um ativo que tem sido cada vez mais utilizado em protocolos voltados para a regeneração dos tecidos.
Segundo Kamilla Coelho, farmacêutica bioquímica e esteta, ele é um biorregenerador indicado para pacientes que apresentam sinais de envelhecimento cutâneo, como perda de viço, diminuição da elasticidade, linhas finas e comprometimento da qualidade da pele.
Mas ele também pode ser utilizado como adjuvante na recuperação após procedimentos estéticos, como lasers, microagulhamento e peelings. “O PDRN contribui para uma recuperação mais rápida e confortável, e é também uma opção para peles sensibilizadas, desvitalizadas ou que necessitem de estímulo aos processos de reparação celular”, afirma.
Vale lembrar que idade, histórico clínico, condições da pele e objetivos do paciente precisam ser considerados antes da definição do tratamento – que, apesar da popularidade, não substitui outras técnicas utilizadas no rejuvenescimento facial.

“O ativo não promove mudanças volumétricas nem substitui procedimentos com outras finalidades, como preenchimentos ou toxina botulínica”, diz Coelho.
Por isso, o tratamento com PDRN costuma fazer parte de um plano terapêutico mais amplo, não sendo uma solução “mágica” ou isolada.
Exossomos: promessa científica ainda em construção

Se o PDRN já vem sendo incorporado à prática clínica, os exossomos representam uma fronteira ainda mais recente da cosmetologia – atravessando, atualmente, uma fase de validação científica e regulatória.
Segundo os farmacêuticos André Rolim Baby, professor de Cosmetologia da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP, e Tércio Elyan Azevedo Martins, doutor em Ciências pela USP, os exossomos são pequenas vesículas naturalmente produzidas pelas células.
A ideia é utilizá-los para modular processos envolvidos na regeneração da pele. Ainda assim, as evidências permanecem limitadas, já que a maior parte dos resultados ainda vem de estudos realizados em células ou modelos animais.
“São necessários ensaios clínicos maiores, controlados e de longo prazo para confirmar esses benefícios”, explicam os especialistas.
Desafios relacionados aos exossomas

Não existe um método universal para isolar e purificar os exossomas. Isso porque técnicas diferentes dificultam a padronização necessária para garantir segurança.
Outro desafio está no custo. A obtenção de exossomos, principalmente os derivados de células-tronco, exige processos tecnológicos complexos e caros.
Além disso, existem barreiras regulatórias importantes. “Nos Estados Unidos, por exemplo, exossomos de origem humana são classificados como produtos biológicos, e não como cosméticos. Já na China, ingredientes cosméticos de origem humana são proibidos”, pontua o farmacêutico Rolim.
E é por isso que os exossomos de origem vegetal – obtidos de plantas como chá-verde, uva e centella asiática – têm despertado mais interesse: são estáveis, baratos de produzir e enfrentam menos obstáculos regulatórios.
Dessa forma, Rolim acredita que acontecerá uma espécie de “divisão natural” entre os próprios ativos nos próximos anos. “Exossomas vegetais e aqueles obtidos por bioengenharia devem avançar no universo dos produtos cosméticos mais rapidamente, por terem menos barreiras regulatórias”, afirma o profissional.
Diferenciando ciência de marketing

Com o crescimento da popularidade dos exossomos – que registraram aumento superior a 550% nas buscas em apenas um ano, segundo uma revisão publicada no “Journal of Drugs in Dermatology” – também aumentam as promessas de mercado.
Para os especialistas, a tendência é que, de fato, a inovação continue avançando nos próximos anos. Mas, até lá, a principal recomendação permanece a mesma: desconfiar de promessas milagrosas e buscar orientação de profissionais qualificados, capazes de indicar tratamentos com base nas evidências científicas disponíveis e nas necessidades individuais de cada paciente.

