Um furacão carregado de água e ventos a ponto de inundar cidades dos Estados Unidos e do Caribe tem origem no lugar mais quente e seco do planeta Terra.
No deserto do Saara, na África, se formam massas de ar de altas temperaturas e baixa umidade que são o ponto de partida para a formação de ciclones tropicais sobre as águas quentes do oceano Atlântico norte.
Correntes de ar muito quente e muito seco cruzam o Saara no sentido leste em direção a oeste. Na costa africana, tais ventos se encontram com a massa de ar mais fria e úmida que vem das florestas tropicais do continente. Forma-se uma nuvem de enorme instabilidade que vaga sobre o Atlântico.
Quando esta instabilidade toma corpo sobre o oceano, captura a água aquecida pelo sol e forma um ciclone, que aumenta de tamanho de acordo com força do vento e da capacidade de reter água. Assim se forma o furacão, como você pode entender melhor a seguir
Ventos se formam na África
O Saara é o maior deserto de superfície rochosa do planeta (a Antártica é maior em área) e ocupa aproximadamente 10% do continente africano.
A aridez cruza toda África, de costa à costa: algumas áreas passam anos sem chuva e a precipitação média de 75 mm/ano é equivalente a de um mês seco de inverno na cidade de Curitiba.

As nuvens que se formam sobre o deserto são, portanto, extremamente secas. Os cientistas nem chamam de nuvens, mas de ondas áridas africanas. Essas ondas se movimentam para o oeste e quando sobrevoam a costa africana, acima das ilhas de Cabo Verde, se chocam com nuvens frias e úmidas, que vieram do sul do continente, sobretudo da floresta do Congo.
Forma-se, então, uma confusão de diferentes tipos de ar: quente e frio, úmido e seco, alta e baixa pressão. O termo científico para isso, de acordo com o Centro Nacional de Furacões, é “African easterly jet”, algo semelhante a “jato ocidental africano” em tradução livre. Significa uma massa de ar extremamente instável e carregada de nuvens que “brigam” entre si, e que segue sentido oceano Atlântico.
Furacão se forma sobre o oceano
Os furacões nascem sempre sobre o oceano e em condições específicas. A água precisa estar quente, pelo menos a 27 graus Celsius, por pelo menos 100 metros de profundidade. Por isso que a temporada dos furacões no hemisfério norte ocorre a partir de setembro, quando a água está muito aquecida em decorrência dos meses de verão.
O calor do oceano por si só já é fator de instabilidade atmosférica e poderia gerar um ciclone tropical como forma de equilibrar temperatura e pressão. Quando o oceano que já está nesta condição turbulenta recebe a passagem do jato ocidental africano certamente a instabilidade atmosférica se instaura – de acordo com artigo publicado no Geophysical Research Letters, 85% dos ciclones tropicais se originam desse modo.

O ar que vem da África se movimenta em ondulações que intercalam direções sul e norte e vai formando ondas e tormentas no centro do oceano. Quando as ondas têm elevação e instabilidade suficientes podem formar trovoadas e, nas situações mais extremas, ciclones. Quanto mais fortes esses eventos e mais aquecida a água, maior a tendência de se transformar em um furacão e ter mais longevidade.
Rota dos furacões
Geralmente a rota dos furacões segue em linha ligeiramente inclinada para o norte. Por isso passa pelas ilhas do Caribe e chega ao continente americano na região da Flórida, nos Estados Unidos, ou no litoral do México.
Ao entrar no continente, o furacão tende a rapidamente se dissipar. São dois os principais motivos: enfrenta nova massa de ar posicionada sobre o continente e, principalmente, esgota seu “combustível” que é a água sugada do oceano.
É possível, contudo, que cruze o México e siga para o oceano Pacífico. É o que acontece quando os furacões atingem as ilhas do Havaí, por exemplo.
No hemisfério sul, a ocorrência de furacões é improvável, pois a temperatura da água no oceano não costuma ser mais alta que 23 graus Celsius, insuficiente para que ocorra o fenômeno.
Entendendo os furacões
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