Empoderamento 29 de outubro, 2026 • Por Redação

Por que Eliana Alves Cruz precisa ser a sua próxima leitura

A autora Eliana Alves Cruz (Crédito: Reprodução/Instagram @elialvescruz)

No Dia Nacional do Livro, Mulher indica a autora carioca que acabou de ganhar o seu segundo prêmio Jabuti

Aos 60 anos, Eliana Alves Cruz se estabeleceu como uma das principais autoras contemporâneas do Brasil. Com o País de pano de fundo, a jornalista e roteirista carioca usa conflitos cotidianos, histórias de família e mistérios para apresentar ao leitor uma maneira de enxergar o Brasil e a nossa sociedade.

Em outubro de 2026, Eliana ganhou o seu segundo Prêmio Jabuti – desta vez, na categoria Romance Literário, com “Meridiana” (2025), seu romance mais recente. O primeiro veio na categoria Contos, com “A vestida: contos”, em 2022.

Livro "Meridiana" de Eliana Alves Cruz (Crédito: Divulgação)
Livro “Meridiana” de Eliana Alves Cruz (Crédito: Divulgação)

No premiado “Meridiana”, a autora apresenta uma família negra que ascendeu socialmente, deixando a favela para entrar na classe média. Cada um dos personagens narra as suas experiências em primeira pessoa, expondo como cada integrante vive a mudança econômica à sua maneira, numa trama em que pertencimento, relações familiares e racismo se misturam.

Conheça mais sobre a história da autora e apaixone-se pelo universo que ela criou.

Eliana Alves Cruz: motivos para ler a autora

1. “Solitária”: comece por aqui

Publicado em 2022, “Solitária” é uma ótima apresentação ao universo de Eliana Alves Cruz.

A história acompanha Eunice e Mabel, mãe e filha negras que vivem no quarto dos fundos de uma cobertura de luxo, onde Eunice trabalha como empregada doméstica. Um crime na casa dos patrões movimenta a trama, que aborda desigualdade social, trabalho doméstico e autonomia.

Livros de Eliana Alves Cruz (Crédito: Divulgação)
Livros de Eliana Alves Cruz (Crédito: Divulgação)

2. A estreia nasceu de uma investigação sobre a própria família

A busca pela própria origem deu início à jornada de Eliana Alves Cruz como escritora. Por cinco anos, ela refez os passos de seus ancestrais para descobrir mais sobre sua família, atravessada pela escravidão e suas consequências. A pesquisa deu origem a seu primeiro livro, “Água de barrela”, publicado em 2016.

Com o contexto familiar de pano de fundo, Eliana conta a história do Brasil a partir da perspectiva de indivíduos que nem sempre aparecem nos registros oficiais – o que se tornou um fio condutor para a sua literatura dali em diante.

3. As histórias ouvidas na infância alimentam sua escrita

A memória pessoal ocupa um lugar importante na escrita de Eliana Alves Cruz. Em entrevista à revista Continente, ela contou que cresceu convivendo com os quatro avós, uma bisavó e várias tias-avós, entre o Rio de Janeiro e a Bahia.

Ouvir as histórias que esses familiares passaram de geração em geração ajudou a construir o repertório da autora, que mantém viva em suas obras a ancestralidade.

A autora Eliana Alves Cruz (Crédito: Reprodução/Instagram @elialvescruz)
A autora Eliana Alves Cruz (Crédito: Reprodução/Instagram @elialvescruz)

4. Versatilidade de gêneros

Apesar de manter a reflexão social como um de seus nortes, Eliana Alves Cruz brinca com diferentes gêneros e recorre não só aos conflitos familiares, mas também ao mistério.

“O crime do Cais do Valongo” (2018), por exemplo, se desenrola a partir de uma trama de mistérios que se passam na época da escravidão. Em entrevista publicada pela Forbes em julho de 2026, a autora contou que trabalhava na adaptação audiovisual do livro. A reportagem também anunciou um novo volume da série literária “Crimes Coloniais”.

A autora Eliana Alves Cruz (Crédito: Reprodução/Instagram @elialvescruz)
A autora Eliana Alves Cruz (Crédito: Reprodução/Instagram @elialvescruz)

“Nada digo de ti, que em ti não veja” (2020) se passa no Rio de Janeiro do século 18 e traça paralelos entre os conflitos que existiam nessa época e os que se mantêm atuais.

5. Qual livro ler, dependendo do que você quer

Se você procura por…Leia este livro
Uma história contemporânea sobre mãe, filha e relações sociais“Solitária”
Uma saga ligada à memória familiar“Água de barrela”
Mistério com a história do Brasil de pano de fundo“O crime do Cais do Valongo”
Uma história que se passa no Brasil Colônia do séc. 18“Nada digo de ti, que em ti não veja”
Contos“A vestida: contos”
Família, ascensão social e pertencimento“Meridiana”

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