No Dia Nacional do Livro, Mulher indica a autora carioca que acabou de ganhar o seu segundo prêmio Jabuti
Aos 60 anos, Eliana Alves Cruz se estabeleceu como uma das principais autoras contemporâneas do Brasil. Com o País de pano de fundo, a jornalista e roteirista carioca usa conflitos cotidianos, histórias de família e mistérios para apresentar ao leitor uma maneira de enxergar o Brasil e a nossa sociedade.
Em outubro de 2026, Eliana ganhou o seu segundo Prêmio Jabuti – desta vez, na categoria Romance Literário, com “Meridiana” (2025), seu romance mais recente. O primeiro veio na categoria Contos, com “A vestida: contos”, em 2022.

No premiado “Meridiana”, a autora apresenta uma família negra que ascendeu socialmente, deixando a favela para entrar na classe média. Cada um dos personagens narra as suas experiências em primeira pessoa, expondo como cada integrante vive a mudança econômica à sua maneira, numa trama em que pertencimento, relações familiares e racismo se misturam.
Conheça mais sobre a história da autora e apaixone-se pelo universo que ela criou.
Eliana Alves Cruz: motivos para ler a autora
1. “Solitária”: comece por aqui
Publicado em 2022, “Solitária” é uma ótima apresentação ao universo de Eliana Alves Cruz.
A história acompanha Eunice e Mabel, mãe e filha negras que vivem no quarto dos fundos de uma cobertura de luxo, onde Eunice trabalha como empregada doméstica. Um crime na casa dos patrões movimenta a trama, que aborda desigualdade social, trabalho doméstico e autonomia.

2. A estreia nasceu de uma investigação sobre a própria família
A busca pela própria origem deu início à jornada de Eliana Alves Cruz como escritora. Por cinco anos, ela refez os passos de seus ancestrais para descobrir mais sobre sua família, atravessada pela escravidão e suas consequências. A pesquisa deu origem a seu primeiro livro, “Água de barrela”, publicado em 2016.
Com o contexto familiar de pano de fundo, Eliana conta a história do Brasil a partir da perspectiva de indivíduos que nem sempre aparecem nos registros oficiais – o que se tornou um fio condutor para a sua literatura dali em diante.
3. As histórias ouvidas na infância alimentam sua escrita
A memória pessoal ocupa um lugar importante na escrita de Eliana Alves Cruz. Em entrevista à revista Continente, ela contou que cresceu convivendo com os quatro avós, uma bisavó e várias tias-avós, entre o Rio de Janeiro e a Bahia.
Ouvir as histórias que esses familiares passaram de geração em geração ajudou a construir o repertório da autora, que mantém viva em suas obras a ancestralidade.

4. Versatilidade de gêneros
Apesar de manter a reflexão social como um de seus nortes, Eliana Alves Cruz brinca com diferentes gêneros e recorre não só aos conflitos familiares, mas também ao mistério.
“O crime do Cais do Valongo” (2018), por exemplo, se desenrola a partir de uma trama de mistérios que se passam na época da escravidão. Em entrevista publicada pela Forbes em julho de 2026, a autora contou que trabalhava na adaptação audiovisual do livro. A reportagem também anunciou um novo volume da série literária “Crimes Coloniais”.

“Nada digo de ti, que em ti não veja” (2020) se passa no Rio de Janeiro do século 18 e traça paralelos entre os conflitos que existiam nessa época e os que se mantêm atuais.
5. Qual livro ler, dependendo do que você quer
| Se você procura por… | Leia este livro |
| Uma história contemporânea sobre mãe, filha e relações sociais | “Solitária” |
| Uma saga ligada à memória familiar | “Água de barrela” |
| Mistério com a história do Brasil de pano de fundo | “O crime do Cais do Valongo” |
| Uma história que se passa no Brasil Colônia do séc. 18 | “Nada digo de ti, que em ti não veja” |
| Contos | “A vestida: contos” |
| Família, ascensão social e pertencimento | “Meridiana” |

