Final de ano está aí, e a necessidade de comprar presentes pros familiares e roupas para as festas pode gerar um gasto a mais que certamente vai comprometer seu orçamento. Mas, o que justifica tanta compra nesse período? Ou, o que leva uma pessoa a querer comprar tanto?
A grande quantidade de promoções e a facilidade de crédito fazem com que muitas pessoas comprem de forma exagerada. Isso é coisa séria: quem compra compulsivamente pode ter oniomania, algo que requer tratamento sério e extremo cuidado, pois pode levar a outras situações extremadas.
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Impulso para comprar
Inicialmente, o compulsivo tem prazer em comprar tudo, sem se fixar a nada específico. Mas, com os exageros, passa a criar desculpas pelo enorme gasto financeiro que teve – mesmo sabendo que aquele dinheiro poderia ter sido empreendido de forma melhor.

Normalmente as pessoas viciadas em comprar não veem isso como um problema. Não importa a classe social ou a formação escolar – pessoas com oniomania têm as preocupações e impulsos voltados ao ato de comprar.
“Isso causa sofrimento, consome muito tempo, interfere no comportamento social ou ocupacional ou resulta em problemas financeiros como o endividamento ou falência”, salienta Caroline Borja, doutora em Farmacologia que desenvolveu pesquisa para a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) sobre o tema.
Mulheres são as mais afetadas
Mais de 80% dos oniomaníacos são mulheres. Segundo o pesquisador Hermano Tavares, do Hospital das Clínicas e Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), não há uma explicação objetiva para essa constatação.

Em artigo para a Revista Brasileira de Psiquiatria, Tavares relaciona a oniomania a uma problemática social: “Dispêndios e o uso de cartões de crédito de forma extravagante tornaram-se ícones culturais de poder e de prestígio. Esse vínculo parece ser particularmente forte em compradores compulsivos, e as mulheres podem ser particularmente vulneráveis, pois em uma sociedade dominada pelos homens a função do crédito como uma fonte de autonomia é ressaltada para elas”.
A pressão interna muitas vezes levam as pessoas a chegar a estados extremos de oniomania. Geralmente essas pressões têm a ver com algum desejo muito forte de realizar algo que gera prazer – principalmente nos estágios iniciais.
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Baixos níveis de auto-estima
A oniomania não acarreta apenas em problemas financeiros. Um estudo de 1999 liderado por Michel Lejoyeux comparou compradores compulsivos deprimidos com outros indivíduos deprimidos a partir de outras circunstâncias. “Os compradores compulsivos tiveram significativamente mais depressão recorrente, transtorno bipolar, cleptomania, bulimia, tentativas de suicídio e abuso de benzodiazepínicos” constatou o pesquisador.
Outros estudos mostram que os oniomaníacos têm níveis mais baixos de auto-estima.
Se você tem, ou conhece alguém da sua família que tenha oniomania, deve procurar o psicólogo ou o psiquiatra. Esses tratamentos geralmente são feitos em sessões de psicoterapia individual ou em grupo, dependendo do grau de cada compulsivo.
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