Pode a moda transformar o mundo? Se depender de um grupinho de fashionistas brasileiros, sim. Tem crescido – e muito – o número de grifes que concentram esforços em ajudar causas sociais. A moda reage ao acontecimentos do dia a dia e se manifesta lançando modelos com caráter beneficente que caíram nas graças do público.
Tudo começou com o a campanha de sucesso “O Câncer de Mama no Alvo da Moda”, lançada em 1995. A rede de malharias Hering foi a primeira parceira do projeto no Brasil e contabiliza mais de oito milhões de peças vendidas com o famoso alvo estampado. O símbolo criado por Ralph Lauren recebeu releituras de nomes como Alexandre Herchcovitch, Ricardo Almeida, Lino Villaventura, Isabela Capeto, Ronaldo Fraga, entre outros. Este será o ano de Sara Kawasaki, da grife Huis Clos. A estilista criou uma versão bem elegante, com o alvo em preto. O dinheiro arrecadado com a venda, que acontece em todas as lojas da rede, é destinado ao Instituto Brasileiro de Combate ao Câncer e ajuda a manter as obras de expansão e a aquisição de equipamentos de ponta para o tratamento da doença.
O “Instituto Sou da Paz”, entidade que trabalha pela prevenção da violência no Brasil, recebeu recentemente cerca de R$ 15 mil levantados com a venda de camisetas da marca Diesel.
Celebridades também entram na moda e dão sua contribuição. Ivete Sangalo participou da campanha montada com a rede de lojas Brooksfield para a comercialização de camisetas com renda para o tratamento do câncer no Hospital de Barretos. Adriane Galisteu assinou, em 2008, uma das cinco camisetas elaboradas pela grife Levi´s para a comemoração do Dia Mundial de Luta Contra a Aids. A apresentadora utilizou o laço vermelho, símbolo da campanha, e o transformou em um cachecol. Todo o lucro das vendas – custo unitário de R$ 69 – foi doado à Sociedade Viva Cazuza, que cuida de crianças portadoras do HIV. De acordo com a Centoeseis, agência responsável pela campanha, 70% das peças foram vendidas nos primeiros 30 dias. Se você perdeu essa chance de ajudar, fique atento. A rede de lojas sempre programa alguma ação para 1° de dezembro.
Nem só as instituições ligadas aos tratamentos de saúde que figuram na lista dos engajados pelo bem alheio. O “Instituto Sou da Paz”, entidade que trabalha pela prevenção da violência no Brasil, recebeu recentemente cerca de R$ 15 mil levantados com a venda de camisetas da marca Diesel. A receita? A grife convidou 40 artistas plásticos para transformar as roupas em objetos de desejo. Deu super certo.
O programa “Fome Zero” também entrou, literalmente, na moda. O estilista Ocimar Versolato, responsável pela criação da camiseta, doou os direitos ao Governo Federal. Foram confeccionadas um milhão de camisas em 2003. As peças foram vendidas pela rede de lojas Riachuelo ao preço médio de R$ 15. De acordo com a assessoria do Ministério do Desenvolvimento Social, os recursos foram destinados ao Fundo de Erradicação da Fome e da Pobreza e investidos na construção de cisternas na região do semi-árido nordestino.
Depois das enchentes que assolaram o litoral do estado de Santa Catarina, no fim do ano passado, o estilista Mario Queiroz criou uma estampa em benefício das vítimas. “Quando aconteceu a enchente pensamos em tudo que poderíamos fazer e surgiu a idéia da camiseta”, conta. Foram confeccionadas duas mil peças. A camiseta virou moda nos corredores da São Paulo Fashion Week e está à venda nas lojas Hering, Dudalina e Tecnoblu, parceiras do projeto.
