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Como a caixa preta do avião pode resistir a explosões e ficar intacta mesmo submersa?

Publicado 9 Dez 2016 – 12:24 PM EST | Atualizado 20 Mar 2018 – 12:57 PM EDT
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Quedas de avião são tragédias irreparáveis. Os danos principais são contabilizados em números de vítimas e sobreviventes, mas o que as autoridades e as companhias aéreas realmente procuram é a caixa-preta do avião.

O equipamento é, geralmente, o único a resistir intacto após a tragédia e guarda gravações do momentos finais do voo, que podem ajudar a perícia a descobrir as causas que levaram ao acidente. 

Abaixo, entenda melhor como a tal caixa é feita, porque é tão resistente e qual a sua função em um voo. 

Caixa-preta: o que é e pra que serve?

Elas têm o tamanho de uma caixa normal e pesam cerca de 4kg. Ficam localizadas na cauda da aeronave, por ser o lugar onde o impacto dos acidentes em aviões costuma ser menor.

Essas caixas carregam dois tipos de gravadores, ambos de cor laranja, para ser facilmente encontradas: um que registra dados das últimas 25 horas, com dezenas de leituras diferentes, como velocidade da aeronave, altitude etc; e outro que registra o que os tripulantes conversaram nos últimos momentos do voo.

Existe uma explicação para que esses gravadores permaneçam intactos, mesmo diante de acidentes catastróficos em altíssimas temperaturas: o hardware, ou seja, seu componente físico, é protegido por um compartimento de alumínio com mais de 3cm de espessura de material isolante, além de um bloco que pode ser de titânio ou de aço.

O sistema de produção de uma caixa-preta é bem rigoroso. Em média, elas resistem a mais de 3.400 vezes o impacto da gravidade e passam por testes em que devem ficar sob temperaturas de até 1.100° C.

Resistentes, essas caixas podem permanecer até 30 dias submersas no oceano e sobrevivem intactas à queima do combustível da aeronave. Para se ter uma ideia, um avião da companhia Malaysia Airlines, que foi derrubado por um foguete na região da Ucrânia, em 2014, teve sua caixa-preta encontrada. A partir dela, os especialistas detectaram que o motivo da queda foi “grande descompressão explosiva”.

Quando surgiram as caixas-pretas?

As primeiras caixas-pretas de aviões surgiram nos anos 1950, quando a demanda de viagens aumentou e percebeu-se a necessidade de ter uma coleta detalhada de dados sobre cada voo.

A partir dos anos 1960, o governo norte-americano exigiu que elas tivessem dados de voz, para captar a conversa dos tripulantes e ter mais informações sobre possíveis causas de acidente. Foram criados, então, os primeiros modelos com fitas magnéticas que protegiam a composição da caixa.

Com o avanço da tecnologia, as caixas-pretas também acumularam outras funcionalidades: passaram a gravar maior volume de dados, e com mais precisão.

Entretanto, elas não são indestrutíveis. As caixas-pretas dos aviões que chocaram com as torres gêmeas no 11 de setembro não foram recuperadas.

Tecnologia e o futuro da caixa-preta

O que os especialistas em segurança de aviação procuram é aprimorar a tecnologia das caixas-pretas. A National Transportation Safety Board (NTSB), agência americana que investiga acidentes aéreos, chegou a recomendar o uso de câmeras no cockpit em que os pilotos operam a aeronave. Mas os sindicatos de pilotos reclamaram, porque isso fere a privacidade dos tripulantes.

A Organização Internacional para a Aviação Civil, da ONU, adotou novos padrões, sugerindo que as companhias aéreas monitorem as aeronaves a cada 15 minutos, mesmo quando estiverem em trânsito.

Para isso, seriam necessárias algumas mudanças na caixa-preta, principalmente com uma transmissão mais precisa das informações do voo. Alguns aviões militares já operam com gravadores em células flutuantes que ejetam no momento do impacto.

A Airbus vai ainda mais além: pretende usar tecnologia de satélite (em parceria com a marca Immarsat) para integrar a caixa-preta a um sistema em nuvem. Assim, não seria preciso encontrar a caixa-preta no local do acidente, algo que costuma durar dias, semanas, até meses.

Ficaria tudo armazenado em um sistema que poderia ser acessado remotamente, mais ou menos parecido com serviços como iCloud e OneDrive.

Acidentes aéreos: perigos e segurança

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