É impossível não associar a imagem do perfume a do seu produtor mais conhecido, a França. Ainda me lembro do presente que pedi à minha tia ao completar 15 anos: um frasco do perfume “Paris”, de Yves Saint Laurent, dentre os “mais adultos” que existiam nos anos 80 e cujo nome remetia diretamente a capital da moda.
Perfume era algo cultuado na nossa família, minha mãe acreditava que uma boa fragrância poderia ser usada “como um acessório, quase como uma joia”. Para ser bom, o perfume tinha que ser, naturalmente, ” made in France“.
Apesar do conhecimento da fabricação de perfume ter suas raízes no Oriente (Egito, Arábias) e no leste europeu (a Hungria foi o primeiro pais europeu a produzir algo parecido com o nosso conceito moderno de perfume), ele se sedimentou na Franca há cerca de 300 anos, durante o reinado de Catarina de Médici. As essências florais produzidas graças à mistura de óleos essenciais e álcool, inicialmente eram utilizadas para perfumar luvas femininas, mas logo migraram para o uso no corpo. Nascia o perfume que conhecemos hoje.
Hoje em dia, com a expansão e globalização dessa indústria, muito poucos fabricantes ainda utilizam essências e fixadores naturais
Da Renascença para o século seguinte, o uso do perfume foi se tornando mais habitual (embora naquela época fosse acessível somente às camadas de nobres e ricos), ganhando proeminência na corte de Luis XV onde, para esconder o fato de que não se tomava banho diariamente, o perfume era empregado por toda parte, mesmo nos móveis.
Ao final do século 18, perfumarias como Houbigant, Lubin, Roger & Gallet e Guerlain já tinham lojas em Paris. Enquanto isso, a indústria de perfumaria propriamente dita se estabelecia na ensolarada região de Grasse, não longe de Cannes, devido ao clima ameno e bastante propício ao cultivo de flores como rosas, jasmins, lavanda, iris e mimosa. Os óleos essenciais extraídos a partir da maceração dessas flores eram combinados com fixadores (como o âmbar) e solução de álcool para produzir fragrâncias únicas e distintas.
Hoje em dia, com a expansão e globalização dessa indústria, muito poucos fabricantes ainda utilizam essências e fixadores naturais. No livro ” Deluxe: Como o Luxo Perdeu o seu Brilho“, Dana Thomas relata como a indústria de fragrâncias virou um mercado dos mais lucrativos, representando uma oportunidade de marketing para as grifes internacionais, já que o perfume é um dos produtos mais acessíveis à população, funcionando como um portal de entrada para outros produtos da mesma marca.
Para gerar o volume de negócios atual e dar conta dos vários lançamentos a cada ano (nunca se produziu tanto perfume como agora) as perfumarias recorrem a essências totalmente criadas em laboratório. A partir dos anos 90, sequenciou-se o verdadeiro genoma do perfume.
Mas nem todos os fabricantes atuais recorrem a essências artificias, flores de pior qualidade e fabricação em massa. Pela França existem pequenos produtores de fragrâncias personalizadas e marcas como Chanel e Hermés fazem questão de preservar a tradição de suas fragrâncias empregando os mesmos cultivadores de Grasse e as mesmas flores de outrora para assegurar a pureza de seus produtos. Se o cheiro de Chanel No. 5 pouco mudou ao longo dos anos, termos Jacques Polge a agradecer. O famoso perfumista e “nariz” oficial da casa Chanel preza a excelência de suas criações e a tradição da perfumaria francesa.
Na próxima página, conheça os perfumes que marcaram gerações.
