Comportamento 30 de junho, 2016 Por admin

Agência matrimonial

Será que é possível achar sua alma gêmea entre os bytes de um banco de dados? As agências matrimoniais garantem que sim. Surgidas na década de 50, nos Estados Unidos, as agências de casamento já atuam em quase todo o mundo e crescem incrivelmente no País e, ao contrário do que se pode imaginar, as pessoas cadastradas são jovens, inteligentes e cultas, sem o menor perfil de perdedor. O gerente de desenvolvimento da Tecnolove, Paulo Rogério Luz, diz que a maior parte dos clientes quer encontrar “a pessoa dos seus sonhos”, mas não tem mais tempo ou paciência para isso. Ao que parece, mulheres e homens bem-sucedidos não querem mais ficar batendo ponto em barezinhos ou clubes para conhecer alguém interessante. Preocupados também com o sucesso na vida pessoal (e cansados de esperar uma benção de Santo Antônio), eles recorrem às agências para diminuir as possibilidades de “investimentos errados”. A insegurança e o medo da rejeição também figuram entre os principais motivos.

O par ideal

Há séculos procuramos a tampa da nossa panela, a outra metade da laranja, a cara da nossa coroa, o Romeu para Julieta. Achar o par ideal, no entanto, não tem sido uma tarefa fácil nos últimos tempos. “Isso acontece porque as relações humanas andam muito difíceis mesmo. As pessoas estão completamente perdidas e até afetivamente doentes, pois perderam a capacidade de lidar com o ‘outro'”, diz psicólogo e terapeuta de casais Arnaldo Risman. “Embora eu tenha algumas ressalvas, acho extremamente positiva a atuação das agências matrimoniais. Quando as pessoas não precisam parecer politicamente corretas — que é o que acontece nas entrevistas das agências —, elas expõem realmente o que esperam e desejam. É essa clareza que falta nos relacionamentos”, acrescenta o psicólogo.

Definir objetivamente o que se espera de alguém é a razão dos imensos questionários requisitados pelas empresas. “São questionados assuntos que vão desde o dia-a-dia dos candidatos até a posição deles sobre temas como eutanásia, adoção, entre outros”, diz a agência Happy End Internacional, baseada em São Paulo. “O sistema compara todas as informações de todos os clientes, selecionando casais ideais. Estes casais, usando pseudônimos, se analisam, aprovando-se ou não, através das respectivas imagens”, esclarece Paulo Rogério, da Tecnolove.

É por um desses cruzamentos perfeitos que Luiz Otávio Ruiz, 38 anos, está esperando. O executivo entrou para uma agência matrimonial há três meses e já conheceu cinco mulheres, mas nenhuma “para casar”. “Eu sabia o que queria em uma mulher, só que não conseguia descobrir se ela atendia às expectativas até o quinto ou sexto encontro. Eu quero uma mulher para ser a mãe dos meus filhos e não para desfilar com ela na praia”, diz Luiz. Ter em mente uma pessoa ideal, nos mínimos detalhes, é uma característica muito masculina na procura de uma companheira. A maioria homens chegam nas agências com uma imagem idealizada e detalhada da mulher que querem. As mulheres, ao contrário, não exigem características objetivas com tanto rigor.

Amores possíveis

“Tivemos uma história de um cliente americano que era um professor de tênis, loiro de olhos azuis, bonito, e que veio até nós porque queria conhecer uma garota brasileira para um relacionamento sério. Assim que terminamos de entrevistá-lo, sabíamos que tínhamos a garota ideal para ele. Quando apresentamos um ao outro, descobrimos que ela era a mesma garota que ele tinha visto numa quadra de tênis anteriormente e por quem estava apaixonado. Sem ela saber, ela era a garota dos sonhos dele. A única coisa que ele sabia, quando a viu pela primeira vez, é que ela era brasileira. Por isso ele veio até a gente (porque somos especialistas em brasileiros), mas não tinha a menor idéia de que ela fazia parte dos nosso quadro de membros. Não precisamos nem falar da surpresa dele e dela, né?”, conta a matchmaker Crissy Madden.

Jaqueline e Brian, ambos de 35 anos, conheceram-se numa agência matrimonial no Rio de Janeiro, em setembro de 1994. Jaqueline era professora de inglês e Brian trabalhava no marketing de uma empresa de telecomunicações. Os dois se inscreveram na agência depois de terem alguns amores fracassados e não estavam mais dispostos a entrar num relacionamento “às escuras”. “Quando eu me dei conta, já estava preenchendo um big formulário em busca de um grande amor porque já tinha cansado de fazer simpatias e orações para Santo Antônio”, conta ela. “Eu estava cansado de sair com garotas vulgares e que não se davam ao respeito, por isso segui a indicação de um amigo e contratei a agência. Em menos de seis meses, eu já estava noivo e completamente apaixonado”, lembra Brian. Tudo aconteceu muito depressa até o casamento: conheceram-se no terceiro encontro marcado pela empresa e em seguida já estavam trocando alianças e planejando um futuro cheio de filhos e sucesso profissional. “Eu trouxe a Jaque para trabalhar na minha firma e ela despontou! Já estamos casados há seis anos e temos um filhinho de dois. Sabemos que tivemos muita sorte e a tecnologia apenas serviu como meio para realizar uma coisa que já estava em nosso destino”.

Internet mon amour

É importante esclarecer as diferenças entre os sites de relacionamentos e as agências matrimoniais. O primeiro, em geral, não cobra pelo serviço e apenas cruza dados sem nenhuma interferência humana. Nas agências, a seleção é bem mais rígida e há uma boa avaliação psicológica, além de oferecer suporte emocional.

A jornalista Áurea Panamá resolveu tentar a sorte amorosa no site Alma Gêmea e teve uma experiência, no mínimo, engraçada. “Quando esta tal de Nova Economia estava no auge, o que significava poder resolver TODOS os nossos problemas e carências, acreditei que arranjar um namorado pela Internet seria mole. Quase me arrependi… cada bobagem… Já desistindo, recebi o contato de um cara se dizendo fotógrafo subaquático, ele mandou fotografias incríveis e não entramos em muitos detalhes sobre tipos físicos. Dele eu sabia apenas da silhueta nas fotos do fundo do mar e uma gravação da voz. Combinamos um almoço e nos encontramos. O rapaz era barrigudo, com cara de velho e barba mal feita, até aí nada demais, até que ele pediu que eu tocasse sua perna. Pois é, toquei e encontrei um ROMBO!!! Ele tinha sido mordido por um tubarão. Só eu mesma para arranjar um namorado virtual, gordo, careca, pirata, pirado e que ainda mancava! Ai meu Deus! E eu desisti dessa história de namorado virtual.”

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