Comportamento 30 de junho, 2016 • Por admin

De ressacas e indecências

Ressaca tem remédio? Não sei como você resolveu o seu problema de ressaca depois de quarta-feira, que remédios experimentou. Nos Estados Unidos acabam de lançar o “Lime Peerlerz”, um suplemento dietético que, segundo o seu fabricante, ataca os sintomas clássicos: náusea, dores de cabeça, tonteiras, vômitos e palpitações. Ele nos ajuda a processar o acetaldeído, a toxina produzida pelo consumo excessivo de álcool, um dos agentes responsáveis pela ressaca. Certamente, o que não há é falta de remédios e receitas que prometem a cura da ressaca, de suco de cactos a ovo cru, Tabasco, leite, um Bloody Mary ou mais uma cervejinha para “equilibrar”.

Pesquisadores da Universidade de Exeter, na Inglaterra, verificaram que “ainda não existe um tratamento eficiente para a ressaca provocada pelo álcool”. Experimentaram 15 receitas contra a ressaca, da droga propanolol, para pressão sangüínea, até um tratamento à base de ervas, contendo extrado de alcachofra. Tudo sem qualquer efeito benéfico. Encontraram resultados encorajadores no borago ou borragem (Borago officinalis), uma erva com propriedades antiinflamatórias. E também num fermento seco chamado Morning Fit e num remédio para dor, o ácido tolfenamic.

O professor Edzard Ernst, que liderou as pesquisas em Exeter, diz que um dos impedimentos no desenvolvimento de uma cura eficiente para ressacas é a falta de informação sobre o efeito do álcool sobre nosso corpo. “Não entendemos o mecanismo que leva à ressaca. Sabemos que tem relação com os efeitos tóxicos do álcool e com a desidratação correspondente. Mas não sabemos como tudo isso se processa”. Lembra, porém, que as pesquisas sobre a ressaca têm sido inibidas por preocupações éticas: o seu sucesso poderia induzir a beber-se mais, embora não haja evidência do que a ameaça de uma ressaca impeça que se beba.

Assim, até agora, os melhores remédios continuam sendo aqueles básicos: muito repouso, muita, muita, muita água, um banho quente, um empurrãozinho de um eletrólito como o Gatorade, uma xícara de café, que reduz a dilatação das veias no cérebro.

Usquebaugh-baul. Por falar em ressaca, uma destilaria da bela ilha de Islay, na Escócia, produziu um uísque cujo teor alcoólico é de 92%. O nome da destilaria é Bruichladdic. Ele produzirá inicialmente cinco mil garrafas desse novo destilado, que chamam de “usquebaugh-baul”, nome que possivelmente reproduz o barulho de uma dose quando alcança o nosso cérebro.

Vinhos no Oscar. Depois da cerimônia de premiação do Oscar, nesse domingo, cinco de março, haverá em seguida um baile de gala oficial. O “Governors Ball” será para 1.650 convidados, incluindo todos os premiados com a estatueta, todos os indicados, apresentadores, produtores e técnicos participantes da entrega. O vinho servido será o Red Carpet Reserve Cabernet 2002, ao lado do Gold Standard Reserve Chardonnay 2004, ambos da Sterling Vineyards, vinícola de Napa, que emplaca seus vinhos na festa pelo terceiro ano consecutivo.

Mas o vinho servido na sala de estar, o Awards Lounge, onde apresentadores e premiados relaxam durante a cerimônia, será um dos rótulos da vinícola Clos du Val – possivelmente o Ariadne Napa Valley 2002 (Sauvignon Blanc e Semillon) e o Cabernet Sauvignon Stags Leap District.

Cristina. Quem ganhou um senhor prêmio agora foi minha amiga Cristina Neves, jornalista no comando da Cristina Neves Comunicação & Eventos. Sua empresa passa a atender a Pernod Ricard Brasil, no segmento de vinhos e espumantes, produzindo eventos, degustações e respondendo pela divulgação. A francesa Pernod está pelo menos entre as três maiores empresas de bebidas em todo o mundo.

Tampas de vidro. Lembra que escrevemos faz pouco tempo sobre as tampas de rosca metálica, as de material sintético e os problemas com as rolhas de cortiça? Mas faltou mencionar uma novidade: as tampas de vidro. Uma divisão da Alcoa inventou uma tampa de vidro reutilizável chamada Vino-Lok, com um revestimento igual ao das tampas de rosca. Não impregna o vinho de sabor e impede a deterioração da bebida, afirmam seus fabricantes. Vem com uma cápsula de alumínio, que, retirada, revela a tampa de vidro, que pode inclusive ser recolocada na garrafa. Seus fabricantes confiam nela para resolver o problema de imagem “barata” das tampas de rosca.

As Vino-Lok começaram a ser testadas em 2003 por uma vinícola alemã, a Weingut P. J. Valckenberg, que manualmente “arrolhou” 2.800 garrafas de seu Riesling. As garrafas são submetidas a calor, vibração e analisada sua capacidade em amadurecer o vinho com segurança. As Vino-Lok são caras, atualmente. Mas produzidas em larga escala, seu custo se reduzirá.

Agora, duas vinícolas norte-americanas – a Whitehall Lane, de Napa, e a Sineann, do Oregon – começaram a utilizar as tampas de vidro (chamadas de Vino-Seal nos EUA). Com a tampa de vidro esperam resolver o problema do TCA, fungo que produz a “doença da rolha” e arruína o vinho. Apostam na eficácia e também na elegância da tampa de vidro.

Savanna Samson. Já ouviu falar nela? Duvido. Não creio também que a conheça pelo seu nome verdadeiro: Natalie Oliveros. Acho que também não sabe que seu nome está ligado a vinhos e bons vinhos. Pois Savanna é uma celebridade do cinema pornô, já com 25 filmes de sexo explícito e alguns prêmios. Foi duas vezes vencedora do “Adult Vídeo News Award” como melhor atriz. A moça se vira.

Mas desde o ano passado dona Oliveros é também produtora de vinhos. Seu vinho tinto “Sogno Uno” (“Sonho Um”) vem da Itália e debuta essa semana nas lojas de Manhattan. E olha que esse vinho ganhou entre 90 e 91 pontos do mais famoso crítico de vinhos do mundo, Robert Parker. “Um vinho opulento e luxuriante”, afirmou ele. Savanna diz que coloca a mesma paixão que usa em suas cenas de sexo nesse seu vinho. A garrafa de “Sogno Uno” custará nas lojas 38 dólares a garrafa. Seu vinho é feito sob orientação do produtor Robert Cipresso. Mas foi ela quem escolheu as uvas: a Cesanese, uma uva antiga da região do Lazio, mais a Sangiovese e a Montepulciano. Pelo preço, não é um vinho para as massas. Mas seu rótulo é. Deixa muito pouco para a imaginação do consumidor. Veja o rótulo aqui, e conheça o site de Savanna. Atenção que seu conteúdo é “adulto”.

O que é indecência? Acho que nada do que a Savanna faz é “indecente”. Indecência foi o que os franceses fizeram agora com os neozelandeses. Pois um produtor francês, “LaChateau”, registrou o nome Kiwi (o pássaro), que é a marca nacional na Nova Zelândia. Os neozelandeses são chamados inclusive de “Kiwis”. E esse nome aparece em todo o lugar, em produtos diversos do país, inclusive vinhos. Estes não podem mais ser utilizados. Só pelo LaChateau, que está vendendo um vinho feito com uvas francesas embora se chame “Kiwi Cuvée”.

O Kiwi é um pássaro em perigo de extinção. Não voa, suas narinas ficam na ponta de seu longo bico, seu ovo é enorme, tão grande quanto o da ema (talvez por isso corra perigo), mas tem o tamanho de uma galinha (saiba mais sobre o Kiwi aqui). Os franceses estão sempre brigando pelo uso indevido de Champagne, Cognac, Bordeaux etc. E agora roubam o Kiwi. Duvido que uma Savanna tocaria nesse pinto.

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